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Foto: Bruno Eduardo
Diante de enorme fã clube, Incubus faz show recheado de hits


Por Bruno Eduardo

Ao ouvir cerca de 8 mil presentes cantando o refrão ne "Megalomaniac", logo no início, ficava difícil de entender como uma banda como o Incubus consegue ficar tanto tempo sem vir ao país. Aliás, o grupo só veio ao Brasil em duas oportunidades (a última vez foi em 2010). Na época, eles estavam vivendo um clima de indecisão interna - com hiatos, projetos paralelos e pouca dedicação aos palcos. Embora a fase de imobilidade criativa permaneça, a banda continua sendo uma boa opção para se ver ao vivo.

No Rio! Seis anos após se apresentar neste mesmo palco, o Incubus não modificou muito desde sua última visita ao Rio de Janeiro. O visual do grupo está mudado, é verdade - principalmente Brandon Boyd, que ostenta um bigode estilo Anthony Kiedis -, mas sonoramente, a pegada é a mesma. A banda continua firme ao vivo e com repertório semelhante. Talvez por não se tratar de um show particular, eles escolheram reviver sua fase de maior sucesso - se guiando em hits e deixando de lado o experimentalismo. Com isso, fizeram o Citibank Hall cantar alto durante quase toda apresentação - principalmente em hits como "Drive" e "Anna Molly"; e relembrou os melhores momentos do álbum Morning View ("Circles"). Mesmo assim, foi sentida ausência do disco S.C.I.E.N.C.E. no setlist. 

A fase psicodélica da banda se fez presente na excelente "Sick Sad Little World", do álbum progressivista A Crow Left Of The Murder (lançado em 2004) - com destaque para o solo quebrado do baterista Jose Pasillas. Diante de uma tietagem ensandecida, Brandon Boyd ensaiou uma versão de "Hello" de Lionel Ritchie, e utilizou-se de uma percussão colocada ao lado da bateria para iniciar os versos da derradeira da noite, "Pardon Me" - hit maior do disco Make Yourself

Por ter iniciado o show com atraso, o grupo não pôde atender os pedidos de bis. Mesmo assim, mantiveram o mesmo repertório da noite anterior (SP), prometendo voltar o quanto antes. 



[Matéria publicada originalmente por Bruno Eduardo no Portal Rock Press]
Foto: Bruno Eduardo
Dave Matthews no melhor show do Summer Break Festival


Por Bruno Eduardo

O palco do Citibank Hall (RJ) ficou pequeno para a Dave Matthews Band. Esse não foi apenas o melhor show do Summer Break Festival, como também o mais longo (quase três horas de duração) e com o maior número de integrantes – ao todo, oito músicos subiram no palco.  Com mais de duas décadas de estrada, essa é a quarta vez que o grupo se apresenta no Brasil. Embora o show faça parte da turnê de divulgação de Away from the World, o grupo ignorou seu álbum mais recente e concentrou repertório em discos mais populares como Crash (lançado em 1996) - do disco citado, eles executaram cinco canções, incluindo “#41” e “Too Much”.

A Dave Matthews é conhecida por sua incrível capacidade em representar diversas transformações musicais em suas performances ao vivo. Mesmo assim, o show apresentado no Rio soou como uma espécie de transgressão sonora irreparável e digna para qualquer amante da boa música. O início jazzístico da apresentação - em uma reduzida versão de “Seek Up” - serviu como aquecimento para uma série de grandes momentos individuais. 

Diante de tantos músicos excepcionais, brilharam as estrelas do violinista Boyd Tinsley e do baterista Carter Beauford. Mais resignado que seus companheiros, Dave Matthews manteve-se firme com seu violão, arriscando até alguns solos vocais exóticos. O show contou também com a participação especial do flautista brasileiro Carlos Malta nas músicas “Jimi Thing” e “Typical Situation” – lançadas no primeiro disco do grupo Under the Table and Dreaming (1994). Em momento raro, Dave trocou a sutileza do violão pela guitarra elétrica – no rock de “Why I Am”. 

Com a certeza de ter assistido um dos melhores shows do ano, o público deixou a casa ao som de “All Along The Watchtower” - versão particular para um clássico dos anos sessenta, de Bob Dylan. A fama de banda que mais vendeu ingressos de shows no mundo nesta última década não é a toa. Sendo assim, esta quarta passagem pelo Brasil serviu para reafirmar o óbvio, e garantir o status de show imperdível. 



[Matéria publicada originalmente por Bruno Eduardo no Portal Rock Press]