ROCKONBOARD NEWS

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Foto: Divulgação
Linkin Park é a atração principal do Maximus Festival, que acontece neste sábado
Por Bruno Eduardo e Rom Jom

O Linkin Park é uma das bandas de rock mais bem sucedidas deste século. Quase todos os seus álbuns de estúdio estrearam no topo das paradas e enfileiraram hits nas principais rádios do mundo. Para ter uma noção do impacto da banda no mainstream, o fenômeno Hybrid Theory (lançado em 2000) foi o único a não sair como número 1 da Billboard, mas ultrapassou a marca de 10 milhões de cópias vendidas, com direito a disco de diamante nos Estados Unidos. 

De volta ao Brasil como atração principal do Maximus Festival, a banda se prepara para mais um desafio com o lançamento de seu novo disco, One More Light, que estará disponível ao público no próximo dia 19. Por telefone, o guitarrista Brad Delson, falou conosco sobre este momento da banda e adiantou o que os fãs podem esperar desse álbum. De acordo com Brad, o grupo atravessa uma fase mais particular. "Esse novo disco é uma coisa que veio da própria alma, com canções mais pessoais. Posso dizer que ele revela a essência da banda hoje", afirma.

Quando falamos de Linkin Park, a primeira coisa que vem à cabeça é o rock fundido de guitarras pesadas, pianos e vocais rap que conquistou o planeta nos megahits "In The End", "Crawling" e "Faint". No entanto, o primeiro single do disco, "Heavy", é estilisticamente diferente do que os fãs ouviram da banda no passado. O mesmo acontece no outro single "Good Goodbye", que traz as participações de dois grandes nomes do rap e hip hop da atualidade, Pusha T e Stormzy. Para Brad, essas novas músicas servem para quebrar alguns paradigmas e evidenciam o novo momento do grupo.
O que a gente está fazendo agora é algo muito mais nosso. Com novos elementos e que ultrapassam a linha do emocional. Isso realmente quebra um pouco o que era antes e mostra o que está acontecendo hoje dentro da banda. É um som mais honesto.
A abordagem diferente na hora de compor o novo trabalho serve como indício de que o novo álbum, One More Light, siga um caminho pop, puro e simples. Tanto que para escrever "Heavy", eles se juntaram a Justin Tranter e Julia Michaels, responsáveis ​​por singles de sucesso de artistas como Demi Lovato, Selena Gomez e Jason Derulo. Será que a banda estaria preocupada com uma suposta recepção negativa dos fãs? O guitarrista é enfático:
O importante é estarmos passando algo que seja real. E One More Light é o que somos hoje em dia.
Com quase vinte anos de carreira, o guitarrista concorda que o Linkin Park viveu um dos melhores momentos da indústria fonográfica nos anos 2000, vendendo aproximadamente 70 milhões de discos no mundo inteiro. Algo que hoje em dia, com a chegada da internet, acabou tornando-se impensável. No entanto, ele enxerga essa nova realidade com bons olhos e diz que o grupo sempre gostou de utilizar as plataformas virtuais como forma de expandir seu legado. Segundo ele, "independente de que tempo você estiver, sempre será compartilhado o que você faz". E qual a expectativa da banda para o show no Maximus Festival, que acontece neste sábado (13), no Autódromo de Interlagos?
A expectativa é a melhor possível. Nós estamos muito animados de estarmos voltando ao Brasil. Temos fãs muito apaixonados aí. O público tem uma energia muito diferente no Brasil se comparado a outros países. E nós também procuramos retribuir isso de uma forma muito honesta. Vai ser ótimo retornar à São Paulo.
Além da boa relação com os fãs, Brad diz adorar a cultura brasileira, principalmente no que se trata de música. Quando questionado sobre algum artista brasileiro preferido, ele diz que a sua adoração é mais pelos ritmos tradicionais. "Eu não saberia dizer nenhum nome específico de artistas brasileiros. O que me atrai mesmo é a música tradicional brasileira, como samba, por exemplo". Essa é a quinta vez que o Linkin Park vem ao Brasil, mas o guitarrista lembra com emoção de sua primeira vinda à São Paulo, em 2004. 
Quando penso em Brasil, a primeira coisa que me vem à mente é o show no Chimera Music Festival no Morumbi para mais de 70 mil pessoas. Foi uma noite inesquecível. Uma das melhores da nossa carreira com toda certeza.
O Linkin Park é a principal atração do Maximus Festival e vai se apresentar no Palco Maximus, às 21h, deste sábado no Autódromo de Interlagos. Essa é a primeira oportunidade dos fãs brasileiros conferirem ao vivo algumas das novas músicas de One More Light, que estará nas lojas na próxima semana. "Já estamos tocando algo em torno de quatro músicas novas e o Brasil vai poder conferir isso", finalizou o guitarrista em tom de promessa.
Foto: Divulgação
Red Fang vai apresentar músicas de seu novo disco, "Only Ghosts"
Por Rom Jom

Os americanos do Red Fang estão prestes a desembarcar pela segunda vez no Brasil como uma das atrações da segunda edição do Maximus Festival, que acontece no próximo final de semana em São Paulo, e o Rock On Board bateu um papo por telefone com o vocalista e guitarrista Bryan Giles para falar um pouco do mais recente disco do grupo e também sabermos das expectativas para os shows no Brasil.

Para quem não sabe, o Red Fang está na estrada deste 2009 e já possui 4 álbuns de estúdio. Em outubro do ano passado, eles lançaram seu último trabalho, intitulado 'Only Ghosts', que foi produzido pelo renomado Ross Robinson (que já trabalhou com bandas como Sepultura, Korn e Slipknot). O disco apresenta um som baseado no stoner rock, mas com um perceptível maior peso nas cordas, principalmente no baixo.
Para mim a principal diferença deste álbum para os outros foi a influência de Ross [Robinson]. Ele estava muito envolvido conosco e puxou a banda para ser o mais true e pessoal possível. E isso fez com que a essência de cada integrante dentro das músicas fosse captada. Foi uma experiência incrível essa gravação e mais pessoal para todos da banda. Então para nós ficou mais impactante porque conseguimos colocar toda essa energia nas músicas. Foi um trabalho gratificante de fazer.
Já fazem 5 anos desde a última vez que o Red Fang esteve aqui no Brasil - quando tocou no Festival Porão do Rock, em Brasília, e no Inferno Club em São Paulo. Bryan lembram muito bem do show na capital paulista. "Eu lembro até hoje deste show! Foi fantástico! As pessoas ficavam loucas com o som! Foi um show foda de fazer porque o público ficava bem próximo do palco e a troca de energia era maravilhosa! E fica muito mais fácil quando eu me divirto como o público", garante. Ao ser informado que as críticas do show foram as melhores possíveis, ele reagiu com surpresa. “Sério? Eu não sabia! Foram ótimos momentos mesmo”. Ainda sobre a última vez no Brasil, ele falou um pouco sobre a diferença entre tocar em um Festival e uma casa menor: 
São experiência distintas. Em um club as pessoas estão bem próximas e você praticamente sua junto com elas. Eu particularmente curto mais, é mais emocional esta proximidade. A conexão é maior. Em um festival você está em um palco maior, mais alto, e essa proximidade não existe. Então fica mais difícil de energizar. Mas é intenso da mesma forma e eu gosto de ambas. Mas se for para escolher uma, é claro que eu prefiro tocar em uma casa menor.
Na ocasião, a banda tinha saído de uma experiência única, que foi excursionar na turnê do seu segundo álbum 'Murder The Montains' de 2011, ao lado de bandas como Megadeth, Helmet, Mastodon e Down. "Éramos praticamente adolescentes na época e estávamos excursionando com bandas e artistas com 30 anos de estrada. Foi inacreditável estar com pessoas experientes porque naquele tempo tocávamos ainda em lugares pequenos. Crescemos muito como banda", disse.

O Red Fang a se apresenta em Porto Alegre na próxima sexta dia 11 (Pepsi On Stage) e em São Paulo no Maximus Festival, no dia 12 (Autodromo de Interlagos). As expectativas são as melhores possíveis. "Queremos tocar músicas do nosso novo álbum", confidenciou. Para uma banda que ainda busca maior espaço na cena mundial, essa é mais uma chance de mostrar seu trabalho e conquistar novos adeptos.
É mais uma oportunidade incrível para ganharmos novos fãs no Brasil. Então eu espero que tenhamos novas pessoas escutando nossas músicas para conseguirmos isso. Espero que as pessoas curtam nosso show. Fazem 5 anos que não vamos aí. Queremos nos divertir e ter um belo momento. 
Para finalizar, Bryan fez questão de mandar uma última mensagem ao público que estará nos shows da banda em Porto Alegre e São Paulo: "Brasil! Estamos muito animados em voltar! Teremos momentos ótimos! Nos vemos em breve!" Enquanto isso, você pode conferir o novo disco da banda, "Only Ghosts", AQUI.
Foto: Divulgação
Annie Haslan falou com exclusividade sobre a primeira vez do grupo no Brasil
Por Bruno Eduardo

Com quase 50 anos de estrada, o Renaissance, um dos pioneiros do rock progressivo britânico, chega Brasil pela primeira vez para uma série de cinco shows. A turnê começa no dia 24 de maio, provavelmente em Niterói (ainda a confirmar) e segue depois para São Paulo (Espaço das Américas, no dia 25), Rio de Janeiro (Vivo Rio,  no dia 26), Porto Alegre (Auditório Araújo Vianna, no dia 27), e Belo Horizonte (Palácio das Artes, no dia 28). Para saber mais sobre os shows, conversamos por telefone com a simpática Annie Haslam, vocalista da banda e conhecida por sua incrível voz de cinco oitavas. 

A vocalista não fez mistério sobre o suposto setlist e falou um pouco sobre o que os fãs podem esperar nos shows da banda. "Vamos cantar algumas canções clássicas renascentistas como Mother Russia, Ocean Gipsy, Let it Grow, Sounds Of the Sea, Ashes Are Burning e algumas de nosso novo álbum, Symphony Of Light". Ao contrário do Renaissance, Annie já esteve no Brasil em outras sete oportunidades. Mas por que demorou tanto para que Annie viesse ao Brasil com o grupo que a consagrou? Ela responde:

Muita gente não sabe. Mas nós quase viemos em 79, na turnê do disco A Songs For All Seasons. Não aconteceu por um problema de logística na época", confidenciou.
Apesar de nunca ter se tornado um grande fenômeno de vendas, o Renaissance, que teve origem no antigo The Yardbirds, conseguiu formar na década de 70 uma legião cativa de admiradores, com seu rock progressivo, que se inspirava na música erudita - principalmente em alguns álbuns considerados clássicos pelos fãs de progressivo, entre eles 'Ashes Are Burning' (1973) e 'Scheherazade And Other Stories' (1975). Mas Annie não esconde o carinho por um trabalho em especial: 'Prologue', primeiro com ela na frente da banda. "Esse disco é muito importante para nós. Ainda mais que foi o meu primeiro disco na banda (risos). O que deixa ele mais importante ainda. Prologue significa o início. Estávamos começando a nossa jornada juntos e haviam algumas alterações consideráveis na banda". Mas a vocalista também reconhece que o álbum seguinte, 'Ashes Are Burning', foi o catalisador da carreira do grupo e que marcaria de vez a formação clássica do Renaissance com Dunford, Jon Camp, John Tout, Terence Sullivan e Annie.

Em 2012, uma fatalidade colocou em xeque a carreira da banda. O guitarrista e um dos principais integrantes da história do Renaissance, Michael Dunford, faleceu após voltar de uma turnê. No entanto, a perda de Dunford não fez com que Annie desistisse de levar o projeto em diante. De acordo com a vocalista, ela acreditou que a continuação do trabalho seria a vontade dele.

Tínhamos acabado de gravar um novo álbum e foi devastador quando ele morreu. Mas eu sabia que Michael iria querer que eu continuasse tocando. Era fácil eu desistir naquele momento. Mas decidimos continuar e fomos premiados, fazendo um monte de coisas incríveis nesses últimos anos. E uma delas é poder enfim tocar no Brasil
Além de seu trabalho com o Renaissance, Annie Haslam também é conhecida pelas pinturas. Inclusive, é dela a arte de capa do disco Grandine Il Vento, lançado em 2013 pela banda. Annie costuma levar suas pinturas nas turnês, e de acordo com ela, vende as telas por preços populares. Pintar nunca foi uma escolha para a cantora, que descobriu esse dom de forma instintiva. "Eu acordei um dia e uma voz na minha cabeça disse: é hora de começar uma pintura a óleo. Digo-lhe que era uma voz na minha cabeça e veio logo a cor azul, e eu comecei a pintar e nunca mais parei. Eu adoro isso! Eu amo tanto quanto amo cantar". Ela garante que vai trazer algumas pequenas pinturas para vender no Brasil e pergunta para este humilde jornalista se ele estará no show. "Provavelmente no Rio", respondo. Ela então finaliza com um afago: "Ow, eu amo o Rio!".

A turnê Songs For All Times, que chega ao Brasil e reúne os clássicos mais reverenciados da banda, conta com a seguinte formação do Renaissance: Annie Haslam (vocal), Rave Tesar (teclados), Tom Brislin (teclados e voz), Mark Lambert (guitarra e vocais), Frank Pagano (bateria, percussão e vocais) e Leo Traversa (baixo e vocais). As apresentações fazem parte da Top Cat Series, sequência de shows internacionais promovida pela Top Cat Produções Artísticas.

SÃO PAULO
Data: 25 de maio de 2017
Local: Espaço das Américas
Endereço: R. Tagipuru, 795 - Barra Funda
Horário: 20h (Abertura da casa) / 22h (Início do show)
Ingressos:
SETOR PLATINUM - FILA 1 a 4: R$420 / R$210
SETOR AZUL PREMIUM - FILA 1 a 7: R$340 / R$ 170
SETOR AZUL - FILA 8 a 15: R$300 / R$150
SETOR A, B, C e D: R$260 / R$130
SETOR E, F, G e H: R$220 / R$110
SETOR I e J: R$220 / R$110
SETOR K e L: R$220 / R$110

RIO DE JANEIRO
Data: 26 de maio de 2017
Local: Vivo Rio 
Endereço: Av. Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo
Horário de início do Espetáculo: 22h
Abertura da casa: 20h
Censura: 16 anos
Ingressos:
Camarote A: R$320
Camarote B: R$280
Camarote C: R$200
Balcão: R$180
Frisa: R$190
Plateia 01: R$320
Plateia 02: R$280
Plateia 03: R$240
Plateia 04: R$200
Plateia 05: R$190

PORTO ALEGRE
Data: 27 de maio de 2017, Sábado
Local: Auditório Araújo Vianna
Endereço: Av. Osvaldo Aranha, 685
Horário: 21h
Ingressos:
Plateia Alta Lateral: R$210 / R$105
Plateia Baixa Lateral: R$270 / R$135
Plateia Alta Central: R$290 / R$145
Plateia Baixa Central: R$360 / R$180
Plateia Baixa GOLD: R$360 / R$180

BELO HORIZONTE
Data: 28 de maio, Domingo
Local: Palácio das Artes
Endereço: Av. Afonso Penas 1.537, Centro.
Horário: 19h
Classificação Livre
Plateia I: R$260 /R$300 (1o e 2o lotes inteira)
Plateia II: R$220 / R$260
Balcão: R$180 / R$220
Foto: Breno Galtier
Scalene prepara o lançamento de seu terceiro disco de inéditas
Por Bruno Eduardo

Após ser confirmado como uma das atrações do Rock in Rio, o Scalene segue se consolidando como um dos grandes nomes da nova geração. A banda é a única representante da nova safra a se apresentar no palco principal do festival e está prestes a lançar o seu terceiro disco de inéditas, que pela primeira vez sai bancado por um selo. O lançamento dos discos "Real / Surreal" e "Éter" e a aparição no programa Superstar da TV Globo ajudaram a criar uma enorme legião de seguidores em todos os cantos do país. Essa paixão dos fãs foi devidamente registrada no primeiro DVD ao vivo lançado pela banda no ano passado, e que fecha um ciclo de shows no próximo dia 18 de maio no Imperator, Rio de Janeiro. Para sentir melhor essa nova fase da banda, conversamos com o sempre simpático, Tomás Bertoni. O guitarrista falou sobre toda fase de gravação do disco e das influências sonoras que iremos encontrar no trabalho. Confira!

Vocês estão na fase final de produção do novo disco. Fale um pouco sobre o processo de gravação do álbum. 

Gravamos em São Paulo no Red Bull Studio [Red Bull Station] com o produtor Diego Marx, que também produziu os nossos dois primeiros discos. Foi uma experiência muito legal porque a gente nunca tinha gravado antes em um estúdio... Entre aspas... Profissional. Tanto o "Éter" quanto "Real / Surreal" foram gravados em Brasília, basicamente na casa do Diego e na minha casa. Pegando equipamento emprestado, alugado e montando um home studio, que também funciona muito bem. Porque é uma forma moderna, prática e econômica de gravar. Mas agora a gente conseguiu fazer diferente pois a Red Bull Station cede o estúdio e a gente só teve os custos de avião, de pagar o produtor e de ficar em São Paulo por 1 mês.

E como foi essa experiência?

Foi uma experiência muito boa. Acho que todo artista deve querer ter pelo menos uma vez na vida essa experiência de produzir um álbum num estúdio confortável, com sofás, equipamentos para a gente testar e escolher qual usar e que tenha toda uma vibe artística bem intensa. E foi legal sair Brasília e ir para São Paulo fazer isso. Porque se ficássemos em Brasília, a gente continuaria vivenciando as mesmas coisas do nosso dia a dia, como jantar com a família, sair para aniversários de parentes e etc. Então mudar para São Paulo nesse mês de gravação foi importante para que todos nós tivéssemos um maior foco e mentalidade 100% dentro do objetivo de fazer esse disco novo.

O que os fãs podem esperar deste novo disco, pegando os trabalhos anteriores como referência?

Geralmente quando nós terminamos o processo de um álbum novo, como composição, gravação, identidade visual e planejamento de lançamento é que a gente começa a sentir o que nós conseguimos fazer, os objetivos que foram alcançados, e com isso, já começam a surgir dentro da gente os desejos para os próximos trabalhos. E o Scalene é muito movido a explorar coisas novas e fazer coisas que nunca tinha feito antes. O "Éter" foi uma reação ao "Real/Surreal" e esse próximo álbum é uma reação ao "Éter". 

Em que sentido?

Quando eu digo reação é no sentido positivo mesmo. A música brasileira está num momento muito efervescente, de muita qualidade. E tocando pelo Brasil, conhecendo uma galera que a gente não conhecia antes, isso influenciou inevitavelmente nesse novo trabalho. Então fomos muito influenciados pela música brasileira em todas as suas formas nesses últimos dois anos e isso será perceptível no novo álbum. A partir do momento que você vai ficando bom em alguns aspectos, musicalmente falando, você passa a fazer isso de forma mais natural e automática e começa a se preocupar com novos detalhes e coisas diferentes. Então o foco nesse novo disco foi explorar ritmicamente mais, desde a composição dos ritmos, percussões e grooves, até a execução em si. Não só na bateria, mas em todos os instrumentos. E as letras desse álbum são as melhores que a gente já escreveu.

Essa influência da música brasileira vem dessa nova cena rock que surge em todos os cantos do país?

Na verdade não é só a cena. Eu não gosto muito dessa palavra "cena". É uma palavra muito desgastada e vem carregada por preconceitos e paradigmas que eu acho péssimo. Mas as influências são bem ilimitantes nesse novo disco, de toda a música brasileira, que não apenas rock. Dentro do rock, todas as vertentes do rock. E também não é apenas na nossa geração. Apesar de sermos de uma geração que vem tendo bastante evidência e orgulho do que estamos fazendo, é tudo muito conectado. O Brasil está num momento bom com vários festivais que tem como agregar tudo isso.

Para situar melhor, teria como citar alguns nomes desses artistas que vocês andam escutando?

Caetano e Lenine são os dois favoritos da banda, numa média das opiniões de cada um. E de coisas novas, acho que Metá Metá é uma dessas boas influências. Particularmente falando, o Kiko Dinucci é o meu guitarrista favorito no momento. Acho que o último CD da Elza Soares também foi meio que uma unanimidade, assim como o da Maria Gadú. E tivemos o privilégio de tocar com a Nação Zumbi umas seis ou sete vezes. O show deles foi nos conquistando e o disco "Fome de Tudo" também é um dos que temos ouvido bastante. Uma coisa que foi legal nesse processo, é que nossos pais sempre ouviram muito MPB e bossa nova e nós fizemos um resgate disso. Nós sempre ouvimos por consequência deles e por gostar também, mas acabamos ficando muito tempo sem ouvir tanto e voltamos a fazer agora como músicos. Então foi interessante fazer esse resgate dos clássicos.

Qual a previsão de lançamento do disco? Vocês já podem dizer o título?

Não vamos divulgar o título ainda. Ele sai no início do segundo semestre. Nesse momento ele está no processo de pós-produção. E a partir de junho e julho começamos a ter novidades por aí.
Imagem Internet
Tomás Bertoni no estúdio gravando as guitarras do novo disco do Scalene
O disco sairá pela Slap, da Som Livre. Para uma banda que até ontem era totalmente independente, poder lançar seu disco por um selo nos dias de hoje é uma conquista?

O mercado da música é muito relativo. Não existe dentro do bom senso, um certo e errado. A minha opinião é a mesma desde sempre quanto a isso. Desde a nossa primeira conversa em 2013, que eu penso do mesmo jeito em relação a esse tema. Não é necessário você ser assinado com ninguém para se dar bem no mercado e conseguir se consolidar como artista. Tem banda que tem empresário mas não tem gravadora e bandas que possuem gravadora mas não possuem empresário. Tem banda que não tem nada. Depende da harmonização do que você faz e o que funciona melhor para cada uma. E depende muito também da relação que você tem com a gravadora. Que no nosso caso é a Slap / Som Livre. 

E no caso de vocês, como tem sido essa relação?

Eles tratam a gente como prioridade, como equipe. E é produtivo para os dois lados. Então é uma relação legal. Pode ser que daqui há um ano não seja mais algo tão produtivo, tanto para eles quanto para nós e o melhor seja seguir caminhos diferentes. Por isso, eu acho que cada artista precisa estabelecer sua relação de trabalho e de parceria da forma que acha melhor. Para nós está sendo bom pois a galera lá é ótima. Mas não necessariamente estar assinado com alguém é sinal de coisa boa. Cada artista tem que sentir o que é melhor para si.

Vocês estão confirmados para tocar no Rock in Rio. Como é representar essa nova geração de bandas no palco principal do festival?

O Rock in Rio tem o poder nas mãos de fortalecer essa renovação como ninguém mais. O mais legal é que a minha mãe foi no primeiro Rock in Rio com o meu tio e o fato de agora estarmos tocando... Até para ela tem sido uma coisa bem louca. O Rock in Rio tem dimensões que a gente vai sentir durante todo esse processo. Acho que podia até ter mais coisas novas de bandas brasileiras, mas sermos um desses nomes e levar essa bandeira de uma nova geração ao palco do Rock in Rio será uma grande honra.

E como vocês enxergam o trabalho da imprensa nos dias de hoje para as bandas novas?

Da mesma forma que a tecnologia e a internet democratizaram a música, democratizou-se também a imprensa. Então mesmo que não seja um veículo de grande alcance, tem bastante gente tentando dar essa evidência, fazendo resenhas, dando notícias e tal. Tudo isso é muito importante.

O último show da turnê será no Rio de Janeiro. Lá no Imperator. Vocês possuem uma relação muito forte com o público carioca...

O Imperator foi um dos melhores shows do ano passado. A galera do Rio é ensandecida e será o último show da turnê antes de lançarmos o disco novo. Então vai ser uma despedida marcante para nós.
Foto: Divulgação
The Maine falou com exclusividade sobre 'Love Little Lonely'
Por Bruno Eduardo

O sexto disco de estúdio do The Maine já está disponível em todas as plataformas digitais. No Brasil, 'Lovely Little Lonely' será lançado pela ForMusic. Formada em 2007 por John O'Callaghan, Pat Kirch, Jared Monaco, Garrett Nickelsen e Kennedy Brock, o The Maine é uma das bandas da nova geração que mais despertam paixão no Brasil. A sintonia com os fãs brasileiros é tão grande que o país já se tornou destino certo nas turnês. Para mostrar o novo disco, eles já agendaram sete datas em julho. A "Lovely Little Lonely 2017" vai passar pelas cidades de São Paulo no dia 15 de julho (Tropical Butantã), Limeira no dia 16 de julho (Bar da Montanha), Porto Alegre no dia 18 de julho (Teatro CIEE), Curitiba no dia 19 de julho (Local a confirmar), Brasília no dia 21 de julho (Atomic Music Festival), Belo Horizonte no dia 22 de julho (Teatro Bradesco) e Rio de Janeiro no dia 23 de julho (Circo Voador). Conversamos por telefone com o guitarrista Kennedy Brock, que contou para gente como foi o processo de gravação e composição do novo disco. Neste bate-papo, ele também falou sobre a relação com os fãs brasileiros e se disse ansioso por poder voltar outra vez. Confira abaixo a entrevista exclusiva com o guitarrista.

Oi Kennedy, como você está?

Oi Bruno, estou bem e você?

Na última vez que vocês vieram ao Brasil, nós conversamos aqui por telefone. Você lembra?

Oh, sim. Eu lembro. Estou feliz de falar com você de novo e muito animado por estar voltando ao Brasil.

Fale um pouco sobre o processo de gravação de "Lovely Little Lonely".

Bem, nós gravamos de uma maneira um pouco diferente dessa vez. Ou pelo menos no processo de escrita. Nós fizemos um pouco menos de jam sessions, de ficar tocando e tocando em um quarto até sair algo. Fizemos um pouco mais de... criar as músicas naturalmente, entende? Gravando coisas no computador, sabe? Isso nos levou a um processo de escrita ligeiramente diferente, que é algo que gostamos de tentar fazer, nos mantermos, você sabe... Fazendo algo novo, que nunca fizemos antes, e com isso eu acho que nós fomos capazes de criar um ambiente diferente. Acho que foi uma evolução para nós. 

Em que sentido?

Então... 'American Candy' foi como um rejuvenescimento para nós, enquanto 'Lovely Little Lonely' é como se nós fossemos direto ao ponto. Eu acho que todo o processo foi para criar algo que as pessoas serão capazes de tirar algo de cada música e de todo o álbum, sabe? Acredito que todo o álbum parece muito coeso, e nós estivemos muito envolvidos com o mundo emo ultimamente. E eu posso dizer que é algo que nos influenciou muito na nossa carreira e acho que nós não fugimos muito dessa influência nesse álbum. 

Após ouvir o disco, senti uma influência maior de rock alternativo neste novo trabalho. Estou certo?

Sim, sim, acho que sim. Acho que muitas vezes escrevemos músicas que são tipicamente pop, e a partir daí a gente disfarça e muda a aparência delas de diferentes formas. E acho que nesse álbum, está mais para o rock alternativo. Acredito eu, que está parecendo muito com as nossas influencias. Eu cresci nos anos 90, ouvindo rock alternativo, então acho que para nós esse álbum foi um meio de trazer nossas maiores e nostálgicas influências.

Para você, o quanto acha que vocês cresceram de 'American Candy' para 'Lovely Little Lonely'?

Sabe, acho que nós experimentamos nossa escrita num meio muito diferente. As pessoas realmente se conectaram com American Candy e nós fomos nos sentindo cada vez mais certos sobre para aonde a banda está caminhando e como conseguimos nos enxergar. Acho que no geral, nós estamos muito confortáveis com o que nós somos e muito confortáveis para expressar quem somos, de uma maneira muito natural agora.

Você conseguiria dizer qual é o maior desafio nessa caminhada como banda?

Cara, sempre existem desafios. Eu não sei se é necessariamente o maior deles, mas sabe, é sempre um desafio tentar se reinventar. Porque na musica em geral, não estamos recriando. Os maior desafio realmente é ter que se manter focado, porque para nós, muito dos nossos parceiros não estão realmente envolvidos em todo o processo. Acho que esse tem sido o nosso maior desafio ao longo dos anos. Nós amamos ser controladores, amamos saber exatamente como tudo vai ser construído e visto. É mais do que somente a música, é com o que a banda se depara, que tipo de pessoas nos vamos nos deparar. Então acho que para nós, tem sido um desafio tentar balancear o quanto nós mesmos queremos controlar, e o quanto que realmente nós podemos controlar num ambiente saudável. Então eu acho que o maior de todos os desafios é tentar entender como funciona controlar o negócio da banda, acho. 

O The Maine lançou quatro dos seus seis álbuns de forma independente. Existe algum segredo para ser uma banda independente de sucesso?

Para nós, ser uma banda independente foi a escolha certa. Um dos desafios que nós encontramos era que nós não entendemos de primeira que precisávamos estar sozinhos desse jeito. Para algumas pessoas, um selo funciona perfeitamente bem, não ficando frente a frente com alguém que está envolvido no processo. Então, nós fizemos de um jeito que nós mesmos podemos fazer tudo. Se você quer algo bem feito, faça você mesmo. Eu sei que isso é uma frase antiga, mas faz sentido para nós.

Vocês são muito queridos aqui no Brasil. É realmente tão diferente a relação com os fãs brasileiros em comparação aos outros países?

Sim! O povo brasileiro é muito amável, então acho que nós fomos bem recebidos antes mesmo de chegarmos no Brasil. Isso foi umas das coisas mais legais para mim. Eu posso dizer com 100% de certeza que esse amor é recíproco. Eu amo o Brasil, amo o povo, amo tentar falar português. É uma coisa tão boa... Nossos fãs nos dão um apoio incrível no Brasil. Eles fizeram com que fosse possível a gente conseguir tocar aí. Muitas bandas dizem isso, muitas pessoas dizem coisas assim, mas, vocês são o motivo pelo qual a gente existe. Mas para a nossa banda, sendo independente, nossos fãs são realmente o único meio pelo qual nós podemos fazer algo assim, e o apoio que nós recebemos do Brasil é o motivo pelo qual estamos aqui, e é o motivo pelo qual nos amamos tanto voltar.

Na última vez que conversamos, você disse que estava praticando a língua portuguesa. E aí?

(risos). A única coisa que eu posso dizer é ... "eu não lembro de palavras, quando eu preciso" (ele falou essa frase em português).

Kennedy, obrigado pela entrevista. Um prazer conversarmos de novo e fico feliz que vocês estejam de volta.

Cara, eu estou tão animado para estar no Brasil outra vez e poder tocar em todos esses lugares. E é tão legal poder ir a novos lugares também, como Brasília e outras cidades que ainda não fomos. É muito empolgante para mim. Estou muito feliz de poder voltar.

É um prazer tê-los de volta. Nos vemos no Rio de Janeiro em breve! 

Com certeza! Se cuida aí. Tchau.
Foto: Daniel Moura
Bratislava se apresenta no segundo dia de Lollapalooza Brasil
Por Bruno Eduardo

Quem for ao Lollapalooza Brasil neste domingo (26) vai ter a chance de conferir mais um novo nome, que enfim começa a despontar na cena nacional. Trata-se da banda Bratislava, que em 2015 lançou o instigante "Um Pouco Mais de Silêncio", disco que chamou a atenção da mídia pela mistura de referências em sua proposta. Em exclusiva ao Rock On Board, o vocalista Victor Meira falou um pouco sobre essa fase de valorização que a banda vive no momento - cristalizada principalmente pela oportunidade de tocar nesse que é um dos maiores festivais do mundo. Ele explica:  

É uma coisa muito massa que está acontecendo com a banda. Acho que ganhamos um novo respeito com essa chance. O festival é muito grande e acaba valorizando o nosso passe. As pessoas acabam escutando as nossas músicas com mais respeito e admiração.
Mas o efeito Lollapalooza não atingiu só as pessoas que ouvem a banda. O convite para o festival também ajudou a dar um novo gás ao Bratislava. O disco novo, que estava previsto para 2018, já está no forno e deve ser lançado em junho deste ano. Victor tem noção do impacto que um grande festival pode ter na carreira de uma banda independente, principalmente no Brasil. E diz esperar que esse show do Lolla possa abrir portas para que a banda entre no circuito de outros grandes festivais como o Do Sol, Bananada e o Vaca Amarela (os três citados pela banda).

Formada em 2010 na cidade de São Paulo, o grupo demorou quatro anos para conseguir achar sua forma ideal. Para o vocalista, a banda nasceu de verdade em 2014, quando fechou a formação que dura até hoje. Além de Victor, o Bratislava segue firme com Lucas Felipe Franco (bateria), Sandro Cobeleanschi (baixo) e Alexandre Meira (guitarra / vocais). Musicalmente falando, o Bratislava é conhecido pela diversidade sonora, que em muitas vezes pode integrar uma mesma canção - passeando pelo rock, psicodélico e flertando com influências de gêneros menos ortodoxos. 

A gente não busca referências óbvias na hora de compor alguma canção. Nós escutamos coisas diferentes. Soul, rap, jazz, samba, pop, rock... Eu gosto de Hanson, por exemplo. O nosso som é um puta caldeirão malucaço! 

Confiantes que estão vivendo um momento especial, a banda vai mais segura de sua proposta para o seu novo disco e promete a mesma personalidade que marca a caminhada do Bratislava. No entanto, Victor afirma que ele será um pouco mais pesado e com maior presença das guitarras. "Ele também vai ser mais mais curto que o anterior", afirma o vocalista. Aliás, a banda pretende apresentar algumas dessas novas canções para o público que for ao Lolla. Fãs confessos do Lollapalooza, os integrantes do Bratislava são frequentadores assíduos do festival. O vocalista diz que foi em todas as edições após a mudança para o Autódromo de Interlagos e garante que estaria no evento mesmo que não fosse tocar. Inclusive, faz questão de relembrar alguns shows memoráveis.

O show no Nine Inch Nails em 2014 foi maravilhoso. Foi um dos shows mais bonitos que eu vi na vida. Nesse mesmo ano eu vi também um show da Lorde, que eu pirei. O do Alabama Shakes também foi inesquecível. O Sandro, nosso baixista, é outro que vai todo ano no festival. Inclusive na época que o Lolla era no Jockey. Mesmo que a gente não fosse tocar, certamente iríamos para assistir. 
Entre os shows que eles pretendem assistir nessa edição, eles citam The Outs, Céu, Haikaiss, Glass Animals, MØ, Metallica e Silversun Pickups. O Bratislava sobe ao Palco Ônix por volta de 12h25 e vai aquecer o público para alguns nomes já consagrados - entre eles: The Strokes e Duran Duran. No entanto, quem acompanha os passos da banda pelo Brasil (e agora pelo mundo), sabe que eles têm tudo para conquistar novos fãs. Então, cheguem cedo e comprovem!

LOLLAPALOOZA BRASIL 2017
Datas: 25 e 26 de março de 2017
Local: Autódromo de Interlagos
Endereço: Avenida Senador Teotônio Vilela, 261 – Interlagos
Classificação etária: Crianças com menos de 05 anos - não será permitida a entrada. De 05 a 14 anos: Permitida a entrada acompanhado por pais ou responsáveis. A partir de 15 anos: Permitida a entrada desacompanhados.
Ingressos: 
Lolla Pass - 1º Lote: R$800 / R$400 (meia) ESGOTADO
Lolla Pass - 2º Lote: R$920 / R$460 (meia)
Lolla Day - 1º Lote: R$540 / R$270 (meia)
Lolla Day - 2º Lote: R$590 / R$295 (meia)
Venda pela internet AQUI
Foto: Divulgação
Neste sábado, o The Baggios vai estrear no Palco do Circo Voador
Por Bruno Eduardo

Do menor estado do Brasil para um dos palcos mais famosos do rock nacional. Com mais de dez anos de estrada, os sergipanos do The Baggios estarão concretizando mais um sonho na carreira quando entrarem no palco do Circo Voador na noite deste sábado (18). O grupo não esconde a ansiedade de poder conhecer um dos redutos sagrados do rock nacional. "Já passamos na frente algumas vezes e ficamos ali paquerando", diz Julio Andrade, guitarrista e vocalista do Baggios, em participação no programa de rádio Arariboia Rock News. Para ele, a noite será mais especial ainda por tudo o que está envolvido. "Além de ser a nossa primeira vez, estaremos abrindo para o Camisa de Vênus tocando Raulzito. Imagina isso?", orgulha-se.


Vai ser um dia especial porque o Raul Seixas é uma grande referência para nossa música. E tocar ao lado de Marcelo Nova, que foi parceiro do Raul é uma honra. (Julio Andrade)

O The Baggios chega ao Rio de Janeiro para lançar o seu novo e elogiadíssimo disco, Brutown [leia resenha do disco AQUI]. Produzido no estúdio carioca Toca do Bandido, pelo produtor Felipe Rodarte, o álbum figurou na maioria das grandes listas de melhores do ano passado. "Eu acho que foram mais de trinta listas. Ver o nosso disco em melhores do ano dos principais veículos do país, e ao lado de outros artistas que são referências para o nosso som, nos deixa muito orgulhosos", afirma o baterista Gabriel. 
Foto: Amanda Respício
Julio Andrade em entrevista no programa Arariboia Rock News
Quem for ao Circo Voador neste sábado vai poder encontrar "Brutown" nos formatos CD e LP, além disso, a banda deve disponibilizar um merchan com outros utensílios, como camisetas com a arte da turnê. Depois desse show no Rio, o The Baggios segue com a turnê para o Nordeste, mas antes fazem uma parada em São Paulo para a cerimônia do Prêmio Bravo, onde concorrem como melhor disco de 2016.

Quem quiser conferir a entrevista completa com o The Baggios, que aconteceu no programa de rádio Arariboia Rock News, basta clicar AQUI.

CAMISA DE VÊNUS + THE BAGGIOS NO CIRCO VOADOR
Data: 18 de março de 2017, sábado
Local: Circo Voador
Abertura da casa: 22h
Classificação:18 anos (de 14 à 17 anos somente acompanhado do responsável).
Pista 1º lote: R$100 / R$50 (meia / promocional*)
*Estudantes, menores de 21 anos, maiores de 60 anos, clientes odeon e quem levar 1kg de alimento terão direito ao ingresso promocional 
Ponto de venda: bilheteria do Circo Voador
Venda online AQUI
Foto: Murilo Amancio
Far From Alaska já iniciou a pré-venda de seu novo disco, "Unlikely"
Por Bruno Eduardo

Com 'Mode Human', lançado em 2014, o Far From Alaska encabeçou a lista das mais originais bandas de rock surgidas nesta última década - com direito a prêmio na França e aparições em grandes festivais como Planeta Terra, Lollapalooza Brasil e Maximus Festival. Após quase três anos de estrada, a banda resolveu se concentrar no próximo passo, que é o lançamento de seu segundo disco de estúdio. Para isso, o grupo potiguar passou três semanas em Ashland (EUA) com a renomada produtora Sylvia Massy, que coleciona em seu currículo, nomes como System Of A Down, Red Hot Chili Peppers, R.E.M. e Foo Fighters. O resultado desse processo é 'Unlikely', que já está em pré-venda e pode ser adquirido AQUI. A banda criou um projeto de crowdfunding e vai presentear os fãs que incentivarem o álbum. Quem comprar 'Unlikely' na pré-venda, terá a opção de escolher alguns brindes legais, como o próprio álbum autografado pela banda e utensílios, como moletons, camisetas e bonés.  

Para saber mais detalhes sobre um dos discos mais esperados do ano, conversamos com a simpática Cris Botarelli, que concedeu essa exclusiva ao Rock On Board. Para ela, 'Unlikely' é um disco menos tímido e sério que seu antecessor, 'Mode Human'. "É a cara da banda!", afirma. O ano de 2017 ainda reserva outros vôos para o grupo. Além do novo disco, o Far From Alaska também está confirmado no conceituado Download Festival, que acontece em Paris no mês de junho, que nessa edição vai reunir nomes como System Of A Down, Linkin Park, Mastodon, Green Day, entre outros. 

Sobre o novo disco: quando é pra ser pesado, é muito pesado. Quando é música de cantar junto, é música de cantar de olho fechado. E quando é dançante, é tipo balada. (Cris Botarelli) 

E aí, já terminaram a gravação do novo disco?

Já terminamos sim! Terminamos lá mesmo em Ashland (EUA) e já começamos a receber as primeiras mixagens prontas. Na verdade, foi tudo muito rápido. Vinte dias pra produzir e gravar tudo.

Vocês gravaram quantas músicas?

Gravamos 12 músicas. 

Como chegaram nessa decisão de gravar o disco nos Estados Unidos?

Nós gravamos o primeiro disco aqui no Brasil, no estúdio Tambor, da Deck. Esse primeiro disco foi produzido por nós mesmos, então pra esse segundo álbum nós queríamos experimentar o fato de sermos produzidos por alguém. E aí começamos uma busca de nomes que achávamos que se encaixariam na nossa "vibe" de banda. Foi quando surgiu o nome da Sylvia Massy e foi paixão à primeira vista.
Foto: Murilo Amancio
Far From Alaska com a produtora Sylvia Massy (centro) 
Aqui no Brasil nós não temos muitas produtoras mulheres. O fato da Sylvia ser um nome de muita representatividade na área, sendo uma influência feminina pesou muito nessa escolha?

Sim. O lance da representatividade é muito importante! Desde a adolescência eu admiro o trabalho dos produtores musicais. Sempre foi uma coisa que gostaria de fazer, mas nunca tive um modelo feminino pra me espelhar, por exemplo. Isso é provavelmente bem comum em várias outras meninas que, como eu, eram adolescentes nos anos 2000. Hoje é mais fácil o acesso, com tantos fóruns e comunidades na internet, etc. Por essas e outras é que foi muito importante pra gente a escolha da Sylvia. Além disso, vem, por óbvio, o fato de que ela é absolutamente incrível no que faz.

E como vocês conseguiram chegar até ela?


A gente chegou no nome dela através de um amigo do nosso empresário, que é engenheiro de som e trabalha com ela. Ele soube que estávamos à procura de um produtor pra o nosso próximo disco e mostrou o som pra ela (antes mesmo de falar conosco). Ela curtiu o nosso trabalho ao ponto de ser uma banda com a qual ela trabalharia. Ela é bem criteriosa nas bandas que escolhe pra trabalhar, nega muitos trabalhos, então isso também foi outra coisa muito legal pra gente. Ficamos muito honrados!

E qual foi a contribuição dela no processo de criação do disco? 

Cara, ela é realmente um gênio. Gosta muito de experimentação e de fazer coisas não convencionais na hora da gravação, o que é muito nossa cara! (risos)
Foto: Murilo Amancio 
Banda no estúdio com Sylvia Massy, gravando o novo disco, "Unlikely"
O que você poderia falar do resultado desse disco?

Nós estamos muito, muito, muito felizes com o resultado desse disco! Ficou exatamente como gostaríamos e acho que finalmente conseguimos chegar num som que é a nossa cara tanto como banda quanto como indivíduos que gostam de coisas bem diferentes. Isso é realmente o máximo! 

Para situar os fãs da banda, como você define Unlikely comparando ao primeiro disco de vocês, Mode Human?

Em relação ao disco anterior, acho que esse novo está bem menos sério, menos tímido. Quando é pra ser pesado é muito pesado, quando é música de cantar junto, é música de cantar junto de olho fechado, sabe? Quando é dançante, é tipo balada, e é isso aí. É o que é. Acho que a galera vai curtir muito porque vai conseguir sentir a gente de verdade! Bem, pelo menos é isso que espero que aconteça.

E por que 'Unlikely'?

Tem a ver com a nossa história. O fato de tocar rock no Brasil, no Nordeste, em Natal. O fato de não gostarmos das mesmas músicas, mas mesmo assim conseguirmos nos entender na hora de compor. Por outro lado, o disco em si é tudo o que inclui na campanha dele, que vamos começar e que vai ter seus motivos para ser "unlikely". Aguardem!

Foto: Divulgação
Supla se apresenta neste sábado no Circo Voador junto com os Titãs
Por Bruno Eduardo

O título do novo disco não foi por acaso. Comemorando 30 anos de carreira, Supla é daqueles que tem orgulho de poder expressar seu direito de opinião. A ideologia punk, que ele faz questão de mostrar desde os tempos de roqueiro juvenil, quando surgiu aos 18 anos de idade à frente da cultuada Tokyo, continua presente nas letras de seu décimo quarto trabalho de estúdio, 'Diga O Que Você Pensa'. O álbum, primeiro solo em dez anos, chega como atestado de que o artista não perdeu a coerência com sua origem. "Acho que fui bastante honesto com o que quis passar nesse disco. As músicas tem esse pé nos anos oitenta, e eu acho que tenho autoridade quando o assunto é rock oitentista, porque eu estive lá, eu vivi isso de verdade", disse por telefone, em exclusiva ao Rock On Board. 

O fato é que além de contar com uma coesão musical que perpassa todo o álbum, em todas as faixas do disco há alguma abordagem específica sobre temas que vivem sendo discutidos na nossa sociedade. Para dar mais ênfase às mensagens, Supla decidiu apostar nos vídeo clipes. Até agora, já foram cinco vídeos lançados e há mais dois chegando - "Um já está pronto!", confidencia. 


Todos os vídeos tentam transmitir de uma forma bem clara as minhas opiniões e críticas. Por isso, eu sempre peço para que as pessoas assistam também

Nem o atual presidente dos Estados Unidos escapou da mira do cantor em "Trump! Trump! Trump!". No entanto ele lamenta ter errado na previsão. "Eu escrevi essa música muito antes dele ser eleito. Inclusive eu teria até que mudar a letra, já que eu começo a música afirmando que ele nunca iria morar na Casa Branca, o que infelizmente acabou acontecendo".

Foto: Reprodução Youtube
O presidente Donald Trump também ganhou "homenagem" do cantor
Há ainda a diversidade de gêneros em "Amor Entre Dois Diferentes", que conta com a participação de Isa Salles, que venceu um concurso para poder cantar essa música com o Supla. "Parça da Erva" é mais polêmica e fala da legalização da maconha. Ele explica: "Como posso escutar um cara [político] falar de lei, de proibição e outras coisas, se nem ele respeita a lei e está aí roubando e cheio de acusações e metido em corrupção?". Já "Anarquia Style" é sobre levar uma vida de anarquia, que segundo ele, é talvez a única forma de escapar desses tempos de trevas políticas e sociais. Esta canção também faz parte do documentário 'Sad Vacation: The Last Days Of Sid And Nancy', produzido por Dany Garcia e que fala sobre o líder do Sex Pistols em seus últimos dias de vida. 

É lógico que não vou ser ingênuo de dizer que vou viver uma vida anarquista, pois antes de tudo quero honrar meus compromissos e pagar minhas contas, mas para quem não sabe, anarquia é antes de qualquer coisa respeitar os outros 

Supla também falou sobre os 30 anos de carreira e relembrou a surpresa com o sucesso inesperado do disco 'Charada Brasileiro' em 2001 [que vendeu mais de 1 milhão de cópias num tempo em que o mercado já demonstrava declínio] e foi enfático ao falar dos 15 anos de lançamento do disco. "Bom, eu nem tinha me tocado sobre isso. Mas é sinal de que eu ainda estou vivo!". O saudosismo só transparece mesmo quando o assunto é a Psycho 69, banda formada em NY e que chegou a abrir para os Ramones no Brasil. "Essa banda estava muito à frente do tempo na época. Inclusive rolou a chance de sairmos em turnê com o Metallica mas não aconteceu". Ao analisar seu legado popular, o músico acredita que perdeu uma boa parte de seu público quando foi morar fora do país, mas que essa experiência de alguma forma também o ajudou a ganhar reconhecimento da mídia brasileira. "É incrível como nós [brasileiros] só damos valor ao que vem de fora. É ridículo pensar que eu e o João estávamos com o Brothers Of Brazil há um tempão tocando por aí mas a imprensa brasileira só foi nos descobrir quando ganhamos destaque no exterior".

Biografia e DVD ao Vivo

Toda a trajetória de Supla está devidamente relatada no livro "Crônicas e Fotos do Charada Brasileiro", uma espécie de biografia particular com muitas fotos raras [lançada recentemente pela Ideal]. "Fui eu mesmo quem escrevi o livro. Nele eu falo sobre vários capítulos da minha carreira. Tanto as coisas legais quanto as não tão legais assim. São vários acontecimentos contados na minha visão da situação". Mas a comemoração dos 30 anos de carreira ainda reserva o lançamento de um DVD que vai trazer o registro de uma apresentação ao vivo no Ibirapuera em São Paulo e que contou com algumas participações especiais, entre elas, Roger Moreira do Ultraje A Rigor. 

E esse apelido 'Papito'? "Cara, isso começou com o Marcos Mion na MTV mas ganhou força mesmo na Rede Globo, quando eu fiz uma participação na novela "Um Anjo Caiu do Céu", em que chamava geral de "Papito". Aí tu sabe né? Não dá para comparar a força de alcance popular que tinha uma novela da TV Globo com a MTV, que era um canal semiaberto".
Foto: Divulgação
The Outs se apresenta no dia 25 de março no Lollapalooza Brasil
Por Bruno Eduardo

Quem for ao Lollapalooza Brasil, que acontece nos dias 25 e 26 de março no Autódromo de Interlagos, vai ter um motivo especial para chegar cedo. Trata-se de uma das maiores revelações do cenário independente: a banda carioca The Outs - que acaba de lançar seu primeiro disco por uma gravadora (Deck) e primeiro também com canções em português. 'Percipere', lançado no ano passado, foi masterizado pelo australiano Rob Grant, que já trabalhou com Tame Impala e Lenny Kravitz, e entrou na lista de melhores do ano do site Rock On Board. Formada em 2012 por Tiago Carneiro (voz e baixo), Dennis Guedes (guitarra, baixo e backvocal), Vinícius Massolar (guitarra, teclado, baixo e backvocal) e Gabriel Politzer (bateria e percussão), a The Outs começou a chamar atenção da mídia após receber um elogio de ninguém menos do que Noel Gallagher do Oasis. O grupo também ficou na 2ª colocação no reality autoral Breakout Brasil, promovido pela Sony (que contou com mais de 6.000 bandas inscritas) e lançou o ótimo 'Marmalade Land' em 2015. Em exclusiva ao Rock On Board, Dennis Guedes falou sobre essa nova fase da banda e sobre a expectativa de tocar no Lollapalooza Brasil. No bate-papo, ele também mostrou uma visão particular do cenário roqueiro e acredita que o mercado passa por um momento de transformação. Resumindo: é o rock independente por ele mesmo. 

Como está a expectativa para o show do Lollapalooza Brasil?

Na verdade a ficha só começou a cair agora, pois estamos tendo que resolver algumas questões burocráticas envolvendo o festival. Com isso, a gente já começa a pensar no que vai ser o show e nas possibilidades da apresentação. Para nós é muito legal ser uma das bandas mais independentes do festival e estarmos representando essa leva.

E como surgiu o convite?

Na verdade está tudo muito linkado. Tem muito com o lançamento do nosso novo disco e por ele ter sido o nosso primeiro trabalho em português, o que acabou chamando a atenção do Rafael Ramos (Deck / Polysom). Com isso, conseguimos o contrato com a gravadora e a coisa foi abrindo a partir daí. Então fomos sugeridos para o Lolla e a produção veio conversar conosco. Foi uma coisa natural e que aconteceu como conseqüência do momento que a gente está vivendo.

Na minha opinião particular, nessa edição tivemos menos bandas da cena rock independente em comparação aos anos anteriores. Você também sentiu falta de bandas independentes que vivem no mesmo cenário rock que a The Outs?

Eu até acho que tem uma boa quantidade de artistas independentes nessa edição. Não tanto numa estrutura tão menor quanto a nossa. Mas é fato que não houveram muitas bandas de rock independentes esse ano. Eu acredito que é uma coisa aleatória e que ao mesmo tempo não é. No meu ponto de vista isso é um reflexo do que tem se tornado o nosso mercado, que é essa coisa de mesclar bastantes ritmos. Você vê o Jaloo, Baiana System, o próprio Criolo. Não são artistas de rock, embora peguem resquícios, mas são de certa forma consideradas alternativas e que estão lá. Mas do nosso tamanho, realmente a gente vê em menor proporção esse ano. Mas de qualquer forma, estamos muito felizes de sermos uma das bandas que podem representar esse cenário na edição deste ano do festival.

E como vocês avaliam a importância desses festivais para bandas de menor porte, que ainda lutam para sobreviver no cenário nacional de rock independente?

É muito importante bandas como a nossa poderem transitar em festivais desse tamanho com bandas maiores, até mesmo para entender como funciona. Porque a gente tem vários festivais que acontecem no Brasil o ano inteiro e nem sempre a gente consegue circular. Embora o The Outs esteja tocando no Lolla, não é em todo festival aqui no Brasil que a gente tem essa facilidade de conseguir tocar. Parece que cada coisa é um círculo que você precisa ir penetrando até eles aceitarem e entenderem que você é uma banda realmente promissora. É uma coisa que não dá para definir. Acredito ser uma conseqüência de como as coisas estão caminhando por aqui, já que o rock está numa baixa no Brasil e está tendo que se reinventar. Então enquanto não acharmos um meio termo entre a galera que procura outras coisas e o público roqueiro, a coisa vai ficar desse jeito.

Ainda não recebemos a programação dos shows, mas provavelmente vocês devem ser a primeira banda do festival, já que tocam no primeiro dia... 

Na verdade a gente não vai ser a primeira do festival. A gente abre o palco dois, que é o Palco Ônix. Acho que antes de nós, quem abre é a Doctor Pheabes no palco 1, e quase no mesmo horário que a gente vai rolar o show do Baiana System.

Palco Ônix? Vocês vão tocar no palco mais distante. No entanto é o que tem uma das melhores vistas do palco por ser numa espécie de ladeira...

Eu nunca fui no Lolla, mas realmente, ele é o mais distante. Só que eu acho que como a gente não vai começar o festival, isso vai ficar bem equilibrado, pois a primeira banda toca no palco próximo aos portões e a dinâmica deve facilitar para a galera depois ir ver a gente.

E quem vocês gostariam de assistir nessa edição do Lollapalooza Brasil

No nosso dia vai ter o Glass Animals, que é uma banda que realmente quero ver. Também tem o Jaloo e o Suricato, que tocam um pouco depois do nosso show, então não sei se conseguiremos ver, mas que eu estou querendo muito. Os shows do Cage The Elephant, Criolo, The XX eu também pretendo poder assistir.

Falando agora sobre o novo disco de vocês. Como surgiu a ideia de gravar em português?

A gente já vinha gravando coisas em português. Na verdade, foi no Breakout Brasil que compomos a primeira música em português, que foi "Ainda me Lembro", que acabou sendo o primeiro single do disco. Depois disso a gente começou a escrever bastante coisa, tanto em português quanto em inglês, mas estávamos na pilha de mesclar as coisas que a gente vinha fazendo com letras em português. Por isso também demoramos mais tempo para conseguir chegar a um resultado que representasse bem o que queríamos dizer. A notícia de que a gente estava gravando em português chegou ao ouvido do Rafael [Ramos] e ele ficou curioso.

E como foi esse contato com ele?

A gente já tinha feito um contato com ele há um tempo atrás. Ele ficou interessado na época, só que ele tem essa barreira com coisas cantadas em inglês. Mas quando mostramos coisas em português ele gostou da proposta. Nossa ideia era fazer apenas um mini álbum. Mas conversando com o Rafael, ele pediu para fazermos mais músicas e daí o trabalho acabou se tornando um álbum full, meio que sem querer.

Vocês sempre tiveram essa sonoridade meio psicodélica. Como foi definir o que fazer após saberem que iriam escrever as letras em português? Teve alguma influência do Rafael na produção desse disco?

A gente já estava gravando antes de decidirmos isso. Já tínhamos um conceito do que seria o trabalho. O Rafael acompanhou o processo depois de um tempo, mas foi um trabalho que nós produzimos em nossos home studios, seguindo a mesma lógica dos outros discos. Então não teve um grande envolvimento do Rafael e da Deck nesse disco na questão de produção. 

E como você vê essa questão de bandas independentes lançarem discos por selos e gravadoras em tempos de streaming? Nos anos oitenta e noventa as bandas precisavam correr atrás das gravadoras para conseguir lançar seus trabalhos e alcançar um grande público. Como você vê isso hoje?

Eu não acho que as bandas devam ficar correndo atrás de gravadoras de forma desesperada. Quando acontece, deve ser mutuamente. No caso da Deck, por ela ser uma gravadora independente, ela trabalha muito em conjunto com o artista. Então o que rola é uma ajuda mútua. Nós também poderíamos ter lançado o disco por conta própria, mas achamos mais vantajoso nesse momento fazer essa troca, já que foi uma coisa que simplesmente aconteceu. Hoje em dia o streaming tem se tornado a forma padrão de se consumir música. Já vi alguns teorizando inclusive de que as playlists substituem as rádios nos tempos atuais. Então é importante estarmos todos alinhados com essas plataformas para poder alcançar o máximo de pessoas que pudermos.

E o retorno financeiro dos streamings para bandas independentes? Grandes artistas reclamam muito ainda desse formato de repasse monetário. O que você pode falar sobre isso? Compensa?

O retorno financeiro nesse meio de internet é uma coisa ainda muito vaga. Ainda é uma coisa que não é suficiente para o artista conseguir sobreviver. Mas as coisas estão tendendo a se organizar por aí. Então se em algum momento isso vier funcionar, é bom que o artista já esteja usando o formato. Porque mal ou bem é um meio de construir público. O retorno financeiro às vezes acontece. Já aconteceu de salvar um mês nosso de poucos shows, e o dinheiro veio para ajudar a banda a continuar trabalhando. Vai de como cada um organiza esse retorno. Principalmente os artistas pequenos, que não conseguem fazer muito volume de dinheiro. Porque para você fazer um volume você precisa ter muito público. Então isso é que tem que ser acertado, pois ela precisa favorecer também quem é pequeno. Então ele vai funcionar quando isso for justo para todos que estão nessa cadeia, com os nicho pequenos alcançando bons retornos também.

Para finalizar, fale um pouco dessa polêmica de faltar rock e rádios rock nas FMs, principalmente no Rio, onde vocês moram.

É bem chato ver rádios como a Cidade sumirem da FM. Mas acho que também tem o problema da falta de espaço que essas próprias rádios proporcionam às bandas independentes. Rola um saudosismo muito grande dentro do rock. Uma mentalidade errada já que o rock também se atualiza e tem novidades acontecendo. O rock não morreu mas está num processo de renovação tanto para quem curte quanto para as próprias bandas. Hoje o público de rock está mais ligado na internet do que nas rádios, mas é muito importante estar nas FMs para alcançar um outro público que não seja especificamente o público roqueiro. Não é porque você faz rock que tem que ser escutado apenas por roqueiros. O Brasil é um país muito eclético onde as pessoas curtem muitos estilos diferentes. O problema é se atualizar dentro do próprio rock. Porque para um público geral, o rock meio que se tachou. Temos é que mudar essa ideia de que o rock é exclusivo para roqueiros e que as pessoas para achar algo sobre o gênero precisem ir buscar em locais específicos.

LOLLAPALOOZA BRASIL 2017
Datas: 25 e 26 de março de 2017
Local: Autódromo de Interlagos
Endereço: Avenida Senador Teotônio Vilela, 261 – Interlagos
Classificação etária: Crianças com menos de 05 anos - não será permitida a entrada. De 05 a 14 anos: Permitida a entrada acompanhado por pais ou responsáveis. A partir de 15 anos: Permitida a entrada desacompanhados.
Ingressos: 
Lolla Pass - 1º Lote: R$800 / R$400 (meia) ESGOTADO
Lolla Pass - 2º Lote: R$920 / R$460 (meia)
Lolla Day - 1º Lote: R$540 / R$270 (meia)
Lolla Day - 2º Lote: R$590 / R$295 (meia)
Venda pela internet AQUI