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Foto: Murilo Amancio
Far From Alaska já iniciou a pré-venda de seu novo disco, "Unlikely"
Por Bruno Eduardo

Com 'Mode Human', lançado em 2014, o Far From Alaska encabeçou a lista das mais originais bandas de rock surgidas nesta última década - com direito a prêmio na França e aparições em grandes festivais como Planeta Terra, Lollapalooza Brasil e Maximus Festival. Após quase três anos de estrada, a banda resolveu se concentrar no próximo passo, que é o lançamento de seu segundo disco de estúdio. Para isso, o grupo potiguar passou três semanas em Ashland (EUA) com a renomada produtora Sylvia Massy, que coleciona em seu currículo, nomes como System Of A Down, Red Hot Chili Peppers, R.E.M. e Foo Fighters. O resultado desse processo é 'Unlikely', que já está em pré-venda e pode ser adquirido AQUI. A banda criou um projeto de crowdfunding e vai presentear os fãs que incentivarem o álbum. Quem comprar 'Unlikely' na pré-venda, terá a opção de escolher alguns brindes legais, como o próprio álbum autografado pela banda e utensílios, como moletons, camisetas e bonés.  

Para saber mais detalhes sobre um dos discos mais esperados do ano, conversamos com a simpática Cris Botarelli, que concedeu essa exclusiva ao Rock On Board. Para ela, 'Unlikely' é um disco menos tímido e sério que seu antecessor, 'Mode Human'. "É a cara da banda!", afirma. O ano de 2017 ainda reserva outros vôos para o grupo. Além do novo disco, o Far From Alaska também está confirmado no conceituado Download Festival, que acontece em Paris no mês de junho, que nessa edição vai reunir nomes como System Of A Down, Linkin Park, Mastodon, Green Day, entre outros. 

Sobre o novo disco: quando é pra ser pesado, é muito pesado. Quando é música de cantar junto, é música de cantar de olho fechado. E quando é dançante, é tipo balada. (Cris Botarelli) 

E aí, já terminaram a gravação do novo disco?

Já terminamos sim! Terminamos lá mesmo em Ashland (EUA) e já começamos a receber as primeiras mixagens prontas. Na verdade, foi tudo muito rápido. Vinte dias pra produzir e gravar tudo.

Vocês gravaram quantas músicas?

Gravamos 12 músicas. 

Como chegaram nessa decisão de gravar o disco nos Estados Unidos?

Nós gravamos o primeiro disco aqui no Brasil, no estúdio Tambor, da Deck. Esse primeiro disco foi produzido por nós mesmos, então pra esse segundo álbum nós queríamos experimentar o fato de sermos produzidos por alguém. E aí começamos uma busca de nomes que achávamos que se encaixariam na nossa "vibe" de banda. Foi quando surgiu o nome da Sylvia Massy e foi paixão à primeira vista.
Foto: Murilo Amancio
Far From Alaska com a produtora Sylvia Massy (centro) 
Aqui no Brasil nós não temos muitas produtoras mulheres. O fato da Sylvia ser um nome de muita representatividade na área, sendo uma influência feminina pesou muito nessa escolha?

Sim. O lance da representatividade é muito importante! Desde a adolescência eu admiro o trabalho dos produtores musicais. Sempre foi uma coisa que gostaria de fazer, mas nunca tive um modelo feminino pra me espelhar, por exemplo. Isso é provavelmente bem comum em várias outras meninas que, como eu, eram adolescentes nos anos 2000. Hoje é mais fácil o acesso, com tantos fóruns e comunidades na internet, etc. Por essas e outras é que foi muito importante pra gente a escolha da Sylvia. Além disso, vem, por óbvio, o fato de que ela é absolutamente incrível no que faz.

E como vocês conseguiram chegar até ela?


A gente chegou no nome dela através de um amigo do nosso empresário, que é engenheiro de som e trabalha com ela. Ele soube que estávamos à procura de um produtor pra o nosso próximo disco e mostrou o som pra ela (antes mesmo de falar conosco). Ela curtiu o nosso trabalho ao ponto de ser uma banda com a qual ela trabalharia. Ela é bem criteriosa nas bandas que escolhe pra trabalhar, nega muitos trabalhos, então isso também foi outra coisa muito legal pra gente. Ficamos muito honrados!

E qual foi a contribuição dela no processo de criação do disco? 

Cara, ela é realmente um gênio. Gosta muito de experimentação e de fazer coisas não convencionais na hora da gravação, o que é muito nossa cara! (risos)
Foto: Murilo Amancio 
Banda no estúdio com Sylvia Massy, gravando o novo disco, "Unlikely"
O que você poderia falar do resultado desse disco?

Nós estamos muito, muito, muito felizes com o resultado desse disco! Ficou exatamente como gostaríamos e acho que finalmente conseguimos chegar num som que é a nossa cara tanto como banda quanto como indivíduos que gostam de coisas bem diferentes. Isso é realmente o máximo! 

Para situar os fãs da banda, como você define Unlikely comparando ao primeiro disco de vocês, Mode Human?

Em relação ao disco anterior, acho que esse novo está bem menos sério, menos tímido. Quando é pra ser pesado é muito pesado, quando é música de cantar junto, é música de cantar junto de olho fechado, sabe? Quando é dançante, é tipo balada, e é isso aí. É o que é. Acho que a galera vai curtir muito porque vai conseguir sentir a gente de verdade! Bem, pelo menos é isso que espero que aconteça.

E por que 'Unlikely'?

Tem a ver com a nossa história. O fato de tocar rock no Brasil, no Nordeste, em Natal. O fato de não gostarmos das mesmas músicas, mas mesmo assim conseguirmos nos entender na hora de compor. Por outro lado, o disco em si é tudo o que inclui na campanha dele, que vamos começar e que vai ter seus motivos para ser "unlikely". Aguardem!

Foto: Bruno Eduardo
Júlio Andrade com The Baggios no Rio Novo Rock
Na próxima sexta-feira (23) sai o novo disco do The Baggios, Brutown, pelo selo Toca Discos. O álbum foi gravado no estúdio Toca do Bandido e produzido por Felipe Rodarte (Folks, Canto Cego, Facção Caipira). Para adiantar o lançamento deste trabalho, a banda sergipana disponibilizou para audição na internet, o primeiro single "Estigma", que conta com a participação de Emmily Barreto, vocalista do Far From Alaska. Quem ouvir a música vai notar novos elementos no som da banda, como por exemplo, a presença de metais. Para os fãs do Far From Alaska, a novidade é poder conferir Emmily cantando em português, num excelente dueto com Julio Andrade. O The Baggios está na estrada há mais de dez anos - inclusive lançou um DVD ao vivo comemorando uma década de carreira - e já lançou dois discos de estúdio. No início do ano, a banda se apresentou no Lollapalooza Brasil [eles concederam uma entrevista ao Rock On Board na época, leia] e lançou em seguida uma campanha na internet para financiar o novo disco. Ouça o novo single, "Estigma", AQUI.

Imagem do público chegando no Maximus Festival 2016
Por Bruno Eduardo

A primeira edição do Maximus Festival foi um verdadeiro sucesso. A começar pela escolha das bandas, fugindo da obviedade que assola a maioria dos festivais brasileiros. Ficou provado que não precisamos repetir os mesmos medalhões de sempre para que tenhamos um bom público presente. Também foi legal ver o gigante autódromo de Interlagos bem utilizado, com espaço reduzido, e todas as atrações destacadas. Como a próxima edição já foi confirmada para o dia 20 de maio de 2017, a produção poderia dar uma atenção especial a quantidade de banheiros químicos disponíveis - principalmente femininos, pois as filas eram intermináveis. Outra questão que pode ser levada em consideração, é a criação de uma nova saída para o público, de preferência perto ao local dos shows. De resto, foi tudo lindo e funcional. Mas vamos aos onze shows que conseguimos acompanhar nessa maratona de doze horas ininterruptas de muita música! 

Foto: Rom Jom
O country-rock do Steve 'N' Seagulls agradou o público que chegava em Interlagos
O grupo Steve 'N' Seagulls ficou conhecido na internet por fazer versões country para clássicos do rock e do metal. O sucesso foi tão grande que eles decidiram seguir em frente na empreitada e passaram a rodar o mundo apresentando esse formato. Com isso, a posição de abrir o festival acabou sendo perfeita para os caras, que mesmo não tocando músicas autorais, foram conquistando o público com versões rearranjadas de vários hinos do rock, com destaque para algumas já viralizadas na internet, como "The Trooper" do Iron Maiden e "Thunderstruck" do AC/DC.

Foto: Rom Jom
A cartilha rap-metal do Hollywood Undead passou batida no Maximus
Com mais de dois milhões de discos vendidos nos Estados Unidos, o Hollywood Undead apareceu como a nova revelação no cenário rap metal mundial. No entanto, em cima do palco, o que se viu foi um roteiro clonado de bandas como Limp Bizkit e - principalmente - Linkin Park. Talvez o maior problema do show é que sonoramente o grupo soa muito artificial ao vivo, e dá a impressão de que tudo ali não passa de bases sampleadas. O início até que foi instigante ao som da forte "Usual Suspects", que contou com muita energia de seus três (!!!) vocalistas - que se revezavam entre berros, vocais rap e falsetes. Só que com mais de quinze minutos de repetição deste mesmo roteiro, muita gente não pensou duas vezes em ir conferir o show do Far From Alaska, que tocava em um palco secundário.

Foto: Rom Jom
Far From Alaska mantém presença destacada em grandes festivais
Somos redundantes quando falamos dessa banda. É chover no molhado dizer que o Far From Alaska faz um dos melhores shows de rock disponíveis no Brasil. No entanto, vamos continuar batendo nessa tecla, já que eles teimam em nunca nos decepcionar. Contando com o mesmo repertório há quase dois anos, a banda potiguar reuniu um grande público no palco Thunder Dome, que ficava localizado ao lado da área de alimentação do festival. O show, lógico, contou com as indispensáveis "Politiks", "Thievery" e com as caretas e peripécias vocais de Emmily Barreto. Banda linda do meu Brasil.

Foto: Ricardo Matswaka / Veja
Brent Smith se joga no público mas Shinedown sofre com problemas no som
É até uma injustiça avaliar o show do grupo americano Shinedown. Desde os primeiros minutos a banda sofreu com diversos problemas técnicos do palco Rockatansky. Por mais de duas canções, o carismático Brent Smith teve que conviver com seu microfone praticamente mudo e com vários fãs fazendo sinal de negativo para ele, avisando que o som não estava bom. Quando a voz voltou a funcionar, ele perguntou: "E agora, vocês estão me ouvindo?". Uma pena que foi por pouco tempo. Restou ao vocalista apelar para o seu lado punch, e se jogou no meio da galera, ganhando de vez a simpatia do público. Mas a paciência da banda com o som do palco não foi a mesma e eles acabaram saindo de cena antes da hora.

Foto: Rom Jom
Chad Grey: sangue, suor e metal na veia durante show do Hellyeah
Já o Hellyeah contou com um som de palco tinindo para fazer um dos melhores shows do dia. A banda é uma verdadeira locomotiva dos infernos. Contando com o bumbo pesado do ex-Pantera Vinnie Paul e a voz monstruosa de Chad Gray (Mudvayne), eles maltrataram os tímpanos com uma ensurdecedora orquestra demoníaca. Tá certo que o nome da banda é uma piada de péssimo gosto, mas a proposta funciona de forma exata. Pancadas como "X", "Demons in The Dirt" e "Sangre Por Sangre" mantiveram os ouvidos zumbindo, tamanha era a violência sonora. Na tentativa de definir a banda, Chad Gray - que tomou uma cusparada de sangue (fake, lógico) no rosto - disse que embora ele não saiba falar português e nem muitos fãs entendam o seu inglês, todos falam a língua do metal, e essa, segundo ele, é a mais importante. O show do grupo no Maximus não deixou pó sobre pó. 

Foto: Rom Jom
Cartilha rock blues do BSC funcionou legal no Maximus
Muita gente estava na expectativa do Black Stone Cherry, já que eles lançaram três discos bastante comentados na década passada. A mistura do rock com blues, segue a mesma linha do ótimo grupo Rival Sons (que estarão no Brasil este ano abrindo para o Black Sabbath). E do mesmo jeito que acontece com o Rival, o som do BSC cresce muito ao vivo e funciona perfeitamente em grandes arenas. Quem resolveu assistir o show dos caras não se decepcionou. Embora o palco Rockatansky ainda demonstrasse alguns problemas técnicos, a apresentação não foi comprometida. Destaque para o baterista John Fred Young, que deu um show em canções como "Blind Man" e "Soul Machine".

Foto: Rom Jom
Sempre carismática, Lzzy Hale garante bom show do Halestorm
Pelo segundo ano consecutivo no Brasil, o Halestorm, da loiraça Lzzy Hale, seguiu a mesma linha de sua última passagem pelo país. Quem assistiu a banda na última edição do Rock in Rio, já sabia de cór e salteado que Lzzy iria chamar a responsabilidade que lhe cabe e levar sua banda nas costas - com um vozeirão que continua em dia e presença de palco imponente. Mais à vontade, ela conversou mais com o público, arriscou algumas piadas e declarou amor aos fãs brasileiros. Entre os destaques do repertório, os hards padrões "Love Bites", "Apocalyptic", e a preferida da casa, "I Miss The Misery".

Foto: Rom Jom
Matthew Tuck do Bullet For My Valentine arrastou uma legião de fãs a Interlagos
A primeira banda a contar de verdade com o apoio da galera foi o Bullet For My Valentine. Não é por menos que eles são considerados um dos principais nomes do novo metal mundial. O show do grupo no Maximus Festival foi o que melhor cumpriu a promessa de apresentar as novas tendências do gênero, já que além de possuir um repertório consistente, eles também evidenciam uma bela renovação no público - com muitos fãs uniformizados e participativos. "No Way Out", "You Want A Battle?" e "Venom" mantiveram a molecada batendo cabeça e pogando até o fim. 

Foto: Rom Jom
Disturbed faz boa apresentação mais exagera um pouco nas versões
O Disturbed é um grande exemplo de banda respeitada na Europa mas que - injustamente - não chega a alcançar a mesma força popular no Brasil. Para se ter uma noção dessa moral que o Disturbed tem lá fora, seus últimos cinco discos estrearam "apenas" na primeira colocação da Billboard. De qualquer forma, a banda do vocalista Drainman veio disposta a fazer de tudo para mudar isso. Além de mostrar algumas músicas mais recentes, o grupo decidiu apostar também em um conjunto de canções covers, que começou em Simon & Garfunkel (que não é surpresa para os fãs da banda) e terminou numa sequência de U2, The Who e Rage Against The Machine (tentativa de jogar para a plateia?). Não precisava, já que o grande momento do show aconteceu logo em seguida, quando eles tocaram as ótimas "Indestructible", "Voices" e "Down With The Sickness". 

Foto: Rom Jom
Marilyn Manson retorna com novo visual e abandona efeitos cenográficos
Marilyn Manson realmente não é mais aquela criatura bizarra que causava arrepios na espinha da molecada. Seus shows também não são mais os teatros do absurdo, que impactavam fãs em todos os cantos do planeta (quem testemunhou algum sabe do que estou falando). A apresentação no Maximus Festival está longe de ser um show ruim, mas reafirma a falta de interesse do artista em manter a sua imagem de "Anti-Cristo", que tanto o consagrou. No palco, são pouquíssimas as referências ao tema e não há quase nenhum grande efeito cenográfico. Até quando queima a bíblia durante o show desta noite, o faz de forma quase despretensiosa. No entanto, o grande problema desse novo Marilyn Manson está em assumir de vez a sua nova faceta - o que fica comprovado na escolha do repertório, que inclui apenas duas músicas de seu último - e ótimo - disco, The Pale Emperor. Afinal, todo mundo sabe que Manson está muito mais interessado nas levadas classudas de músicas como "Deep Six" - que funciona de forma magistral no show - do que na berraria desesperada de seu maior sucesso, "The Beautiful People". Então, para a coisa ficar boa de verdade, basta apenas ele entender que a mudança não tem que ser apenas nos figurinos, e sim no formato como um todo. Mesmo assim, teve muita gente que curtiu e dançou ao som de "mObscene", "Tourniquet", e "Sweet Dreams" - esta com direito a pernas mecânicas e muletas gigantes.

Foto: Bruno Eduardo
Till Lindermann num dos momentos mais esperados da noite
Massacre. O show do Rammstein no Maximus Festival foi impecável em todos os sentidos. Músicas como "Hallellujah", "Feuer Frei!" e o hit "Du Hast" serviram como trilha sonora para um espetáculo visual memorável e rico em detalhes. Entre fogos de artifício e labaredas gigantes, o vocalista Till Lindemann interpretou diversos personagens - o que ajudou a criar uma atmosfera teatral ao show. Já o repertório da banda foi baseado principalmente em seu terceiro disco, Mutter (lançado em 2001). No final, um dos momentos mais esperados da noite: a faixa "Engel", que reserva o voo de Till com sua asa gigante (veja na foto acima). Após esse show apoteótico do Rammstein no Maximus Festival, o que veio antes corre o risco de ser esquecido rapidamente pelo público. 
Foto: Amanda Respício
Rio Novo Rock promove noite de festa com bom público no Imperator
Por Bruno Eduardo

Todo ano é a mesma coisa. Desde que foi criado o 'dia mundial do rock', as redes sociais se dividem entre simpatizantes e detratores. "Dia do rock é todo dia!", dizem os hostis. Nem sempre é. Um dia dedicado ao rock abre diversos precedentes para disseminação do gênero. Só não vê quem não quer. Quando falamos em disseminação, falamos em oportunidades, publicidade, holofote. Ou seja, tudo o que o vem faltando para as novas cenas de rock espalhadas pelo país. Lógico, há muita gente que utiliza o dia do rock com muito mais adereço do que substância. Mas cabe aos que vivem disso saber tirar proveito. E para isso, precisamos apenas de boa vontade e perspicácia. Bom, é aí que entra o Rio Novo Rock.  

Aproveitando-se de um dia de celebração, o Rio Novo Rock cumpriu seu papel como principal fomentador da cena no Rio de Janeiro. Hoje, afirmo que é, inclusive, um dos mais importantes no país, já que bandas de outros estados começam a vislumbrar no palco do Imperator a chance de conquistar seu público no Rio. Com devidos exageros, é um vislumbre parecido com o que aconteceu no Circo Voador há mais de trinta anos. Agora, toda banda que quer tocar no Rio, quer tocar no Imperator. Mas o papel do Rio Novo Rock não está apenas relegado a dar espaço às bandas. Ele tem como objetivo primordial, juntar tribos, gerações e formar uma plateia. Nesta edição especial, foi muito legal ver o Imperator aproveitado de uma forma mais abrangente - e que deveria se tornar rotina - com espaços ocupados por banquinhas, parceiros, tatuagens, discos e também com uma incrível jukebox na entrada da casa. Tudo isso, só comprova o que foi dito anteriormente: o Rio Novo Rock segue comprovando sua relevância no que diz respeito à difusão do gênero na cidade.

Os Shows  

"Esse é o segundo melhor show da minha vida. O primeiro também foi aqui", disse Emmily Barreto, vocalista da Far From Alaska, no show de encerramento da noite. A afirmação soa honesta, longe de parecer aquele discurso de palco, que as grandes bandas levam em seus roteiros. Não mesmo. No Rio, o grupo potiguar é tratado como uma banda gringa. Por isso, mesmo com um atraso de aproximadamente uma hora, o público não arreda o pé. É uma quarta-feira, já passamos de meia-noite e meia, e ninguém parece se importar. A discotecagem da DJ Priscila Dau também ajuda, é verdade, mas é sempre uma noite diferente quando quem está atrás das cortinas é o pessoal do Far From Alaska.

Foto: Amanda Respício
Dueto de Emmily Barreto e Cris Botarelli no show do Far From Alaska
O show não tem muitas novidades, se comparado ao feito aqui, nesse mesmo palco, há um ano. Isso deve mudar na próxima visita, já que eles garantem voltar com o novo disco ainda este ano. A banda ainda se desculpou por não tocar o single "Chills", lançado durante uma turnê nos EUA. De acordo com a vocalista, eles ainda não tiveram tempo para ensaiar, e por isso, acharam melhor não arriscar. Sem contar com um 'novo riff' apresentado, talvez, a única mudança significativa é que as músicas parecem muito mais robustas dessa vez. Isso é reflexo de muitos shows na conta, e uma confiança que aumenta cada vez mais. Por exemplo, a versão de "Dino Vs Dino" é tão selvagem que parece ser outra canção. Outra preferida da casa, "Politiks" é outra que ganha um peso maior na parte final. Como sempre, o show do FFA é de um entorpecimento sonoro prazeroso. É forte, cheio de boas ideias e conta com a incrível capacidade individual de seus integrantes. Redundante ou não, difícil não falar da voz de Emmily. Que drive é esse que ela tem, meus amigos? A apresentação dura pouco mais de uma hora, mas não deixa de ser memorável para quem assistiu. 

Foto: Amanda Respício
Saulo Von Seehausen em ótimo show do Hover
Na abertura da noite, o Hover mostrou um pouco do seu novo - e ótimo - disco, 'Never Trust The Weather'. Calcado em uma apresentação orgânica e cheia de nuances, o grupo é certamente uma das coisas mais interessantes da nova cena carioca. Ao vivo, o som da banda é ainda mais atmosférico. Um exemplo disso, é a ótima "Hawkeyes", que soa muito mais space rock do que um conjunto de riffs poderosos, como pode ser conferida no disco. A faixa é quebrada e mostra a complexidade da proposta do quinteto, que tem como foco principal as texturas e passagens encorpadas. Uma das melhores da noite é "Teeth", que lembra um pouco a melhor fase dos Deftones - forte candidata também às melhores músicas do ano. Ou seja, é um ótimo show e que teve a participação do violinista Felipe Ventura, da banda Baleia. O Hover prende a atenção pelos detalhes de suas músicas, divididas em passagens distintas, que passa pelo metal, pelo psicodelismo, pela veia degradé Queen-Pink Floyd. Basta conferir a execução de "There's No Vampire In Antarctica, At Least For Six Months" e comprovar que o som da banda é algo que funde qualquer conceito pré-estabelecido. Ou seja, é para um público seleto e de extremo bom gosto. Muito bom!

Foto: Amanda Respício
Alexandre Rozemberg em atuação enérgica no palco do Imperator
O Stereophant segue consolidado como um dos principais nomes da cena independente. Com uma performance enérgica, a banda já entrou quente no palco. E contou com a força popular, já que todos pareciam conhecer a maioria das faixas de 'Correndo de Encontro a Tudo'. Inclusive, foi bem difícil ouvir a voz de Alexandre Rozemberg em algumas músicas - "Vermelha", por exemplo, foi cantada em alto volume pela galera; já "Insônia", contou com um coro afinado de "oh-oh-oh" na parte final. Outro fator que conta muito a favor do Stereophant é que as músicas ficam muito mais pesadas ao vivo, dando uma força descomunal ao número. O maior exemplo disso é "Toda Glória da Derrota", que acaba se tornando um hard robusto, com guitarras rasgadas. Já "Menina", música que abre o citado álbum, é executada na pressão - carregada essencialmente por seu riff à la Arctic Monkeys. O show também foi marcado por discursos contra o atual presidente Michel Temer, e contra o Impeachment - e foi comemorado pelo público presente.
Foto: Bruno Eduardo
Far From Alaska ao vivo no fatídico show do Rio Novo Rock 2015
O pessoal do Far From Alaska está empolgado para subir no palco do Imperator nesse dia mundial do rock. Isso, porque na opinião de todos os integrantes, foi lá que aconteceu um dos melhores shows da história do grupo potiguar. Pelo menos é que garantiu Cris Botarelli, por telefone, em exclusiva ao Rock On Board. 

"Essa foi uma noite considerada memorável por todos nós da banda. Foi um dos shows mais legais do Far From Alaska, e de fato, um dos shows inesquecíveis da nossa carreira até aqui. Esse show é sempre lembrado por todos da banda como um dos mais especiais que a gente fez", confidenciou.

Para Cris, tudo isso teve a ver com o público, que além de encher a casa, cantou todas as músicas do início ao fim. Segundo ela, tocar no Rio de Janeiro é sempre muito bom, e o grupo se sente honrado de poder voltar para se apresentar num dia tão significativo, que é o "Dia Mundial do Rock". Para quem espera por novidades, ela ainda falou sobre "disco novo" do Far From Alaska. 

Ficou curioso? Essa super exclusiva pode ser conferida na primeira edição de nossa revista, que ainda traz entrevistas com DeFalla, Red Hot Chili Peppers e Faith No More. Você pode garantir a sua revista AQUI.

RIO NOVO ROCK - DIA MUNDIAL DO ROCK
Bandas: FAR FROM ALASKA, STEREOPHANT e HOVER
Data: 13 de julho, quarta-feira
Local: Imperator – Centro Cultural João Nogueira
Endereço: Rua Dias da Cruz, 170 – Méier
Horário: 19h
Ingressos: 1º lote pista: R$40 (inteira) e R$20 (meia) / 2º lote pista: R$60 (inteira) e R$30 (meia)
*Meia-entrada válida também com 1kg de alimento.
Venda online
Classificação: 16 anos
Foto: Timmy Dust
Rammstein é uma das principais atrações do festival
Os ingressos para o Maximus Festival, que acontece no dia 07 de setembro em São Paulo, já estão à venda no site da Livepass. Serão duas categorias: Pista e Maximus Lounge, que terá open bar de cerveja, água, refrigerante, finger food e estacionamento incluídos no valor do ingresso. Os portões serão abertos às 11h e os shows acontecem entre 12h30 e 23h, para facilitar o acesso ao transporte público. A novidade do festival é o sistema cashless, utilizado por aqui no Tomorrowland Brasil. Funciona assim: dias antes do festival, por meio do site, é possível comprar créditos que serão depositados na pulseira de acesso ao evento. Sim, isso mesmo! Ao invés dos tradicionais bilhetes de entrada, o público receberá pulseiras para poder entrar no Autódromo de Interlagos. Com o item no pulso, o público consegue comprar bebidas e alimentos sem pegar fila ou levar dinheiro. Totens estarão disponíveis também no evento para carregar na hora. Os valores dos itens serão divulgados próximo à data do festival. 

Atrações

No palco Maximus se apresentarão o headliner Rammstein, o Disturbed, que volta ao Brasil no seu auge, e mais três bandas norte-americanas, todas expoentes contemporâneos do gênero: HellyeahHalestorm e Hollywood Undead.

No palco Rockatansky, o público irá conferir a performance de um dos maiores ícones do hard rock, o norte-americano Marilyn Manson e os galeses do Bullet for My Valentine. Completam o line up os norte-americanos Black Stone Cherry e Shinedown, a banda finlandesa Steve ‘n’ Seagulls, além da brasileira Doctor Pheabes. Os dois palcos terão shows intercalados, para que o público não perca nenhuma das atrações.

O terceiro palco, o Thunder Dome, receberá os ingleses do RavenEye, além de quatro bandas brasileiras: Project 46, Far From AlaskaWoslom e Ego Kill Talent.

MAXIMUS FESTIVAL
Data: 7 de setembro
Local: Autódromo de Interlagos 
Endereço: Av. Sen. Teotônio Vilela, 261, São Paulo - SP
Horário: Das 12h30 às 23h00
Abertura dos portões: 11h
Classificação: 16 anos. Menores de 16 anos somente acompanhados por pais e/ou responsáveis legais.
Ingressos:
Pista (Lote 1 / inteira) – R$ 420,00
Pista (Lote 1 / meia-entrada) – R$ 210,00
Maximus Lounge (com open bar de cerveja, água, refrigerante, finger food, estacionamento) – R$ 800,00
* Ingressos poderão ser parcelados em 3x sem juros.
Foto: Phil Cosores
Marilyn Manson volta ao Brasil como headliner do festival
Os ingressos para o Maximus Festival, que acontece no dia 07 de setembro em São Paulo, começam a ser vendidos no dia 23 de junho, quinta-feira, no site da Livepass. Serão duas categorias: Pista e Maximus Lounge, que terá open bar de cerveja, água, refrigerante, finger food e estacionamento incluídos no valor do ingresso. Os portões serão abertos às 11h e os shows acontecem entre 12h30 e 23h, para facilitar o acesso ao transporte público. Com a ideia de mostrar o mais novo cenário do rock mundial, o evento vai reunir nomes como Rammstein, Marilyn Manson, Black Stone Cherry, Disturbed entre outros. 

No palco Maximus se apresentarão o headliner Rammstein, o Disturbed, que volta ao Brasil no seu auge, e mais três bandas norte-americanas, todas expoentes contemporâneos do gênero: HellyeahHalestorm e Hollywood Undead.

No palco Rockatansky, o público irá conferir a performance de um dos maiores ícones do hard rock, o norte-americano Marilyn Manson e os galeses do Bullet for My Valentine. Completam o line up os norte-americanos Black Stone Cherry e Shinedown, a banda finlandesa Steve ‘n’ Seagulls, além da brasileira Doctor Pheabes. Os dois palcos terão shows intercalados, para que o público não perca nenhuma das atrações.

O terceiro palco, o Thunder Dome, receberá os ingleses do RavenEye, além de quatro bandas brasileiras: Project 46, Far From AlaskaWoslom e Ego Kill Talent.

MAXIMUS FESTIVAL
Data: 7 de setembro
Local: Autódromo de Interlagos 
Endereço: Av. Sen. Teotônio Vilela, 261, São Paulo - SP
Horário: Das 12h30 às 23h00
Abertura dos portões: 11h
Classificação: 16 anos. Menores de 16 anos somente acompanhados por pais e/ou responsáveis legais.
Ingressos:
Pista (Lote 1 / inteira) – R$ 420,00
Pista (Lote 1 / meia-entrada) – R$ 210,00
Maximus Lounge (com open bar de cerveja, água, refrigerante, finger food, estacionamento) – R$ 800,00
* Ingressos poderão ser parcelados em 3x sem juros.
Foto: Divulgação
Um dos maiores nomes do metal moderno, Marilyn Manson encabeça festival
No feriado do dia 07 de setembro, São Paulo irá sediar a primeira edição do Maximus Festival. Com a ideia de mostrar o mais novo cenário do rock mundial, o evento vai reunir nomes como Rammstein, Marilyn Manson, Black Stone Cherry, Disturbed entre outros. O Maximus Festival acontece em Interlagos, com 11 bandas internacionais e 5 nacionais se revezando em três palcos - além de incríveis opções de entretenimento, gastronomia e diversão. Ao todo, serão mais de 12 horas de muito rock e diversão.

No palco Maximus se apresentarão o headliner Rammstein, o Disturbed, que volta ao Brasil no seu auge, e mais três bandas norte-americanas, todas expoentes contemporâneos do gênero: Hellyeah, Halestorm e Hollywood Undead.

No palco Rockatansky, o público irá conferir a performance de um dos maiores ícones do hard rock, o norte-americano Marilyn Manson e os galeses do Bullet for My Valentine. Completam o line up os norte-americanos Black Stone Cherry e Shinedown, a banda finlandesa Steve ‘n’ Seagulls, além da brasileira Doctor Pheabes. Os dois palcos terão shows intercalados, para que o público não perca nenhuma das atrações.

O terceiro palco, o Thunder Dome, receberá os ingleses do RavenEye, além de quatro bandas brasileiras: Project 46, Far From Alaska, Woslom e Ego Kill Talent.

Além dos três palcos, Interlagos receberá toda uma estrutura jamais vista de praça de alimentação, serviços e produtos de merchandising. Mais informações sobre ingressos serão divulgadas em 27 de maio.

O festival conta com o patrocínio da SKY e Budweiser e tem como fornecedor oficial o Hospital Sancta Maggiore. Realizado pela Move Concerts, o Maximus Festival também acontecerá no dia 10 de setembro, na capital da Argentina, Buenos Aires.
Foto: Divulgação

Para comemorar a sua primeira turnê pelos Estados Unidos, o Far From Alaska decidiu lançar uma nova música. A banda, que é um dos nomes mais aclamados do cenário nacional, mantém o nível em "Chills". Cheio de riffs, sintetizadores pesados e com a voz marcante de Emmily Barreto, a canção já dá uma pista do que pode vir por no próximo disco da banda potiguar. Por enquanto, o grupo leva na bagagem seu ótimo disco de estreia, ModeHuman, além de apresentações em grandes festivais, como Planeta Terra e Lollapalooza Brasil. Recentemente, o Far From Alaska lançou uma parceria com o grupo Supercombo ("Surrendo") e fez uma antológica apresentação no Rio Novo Rock. Ouça AQUI a nova música, "Chills".
Foto: Divulgação

Considerado um dos mais importantes festivais independentes de rock do país, o Sampa Music Festival chega a sua 14ª edição em 2016 e promete continuar revelando artistas que se destacam no cenário. O evento acontece no dia 28 de fevereiro no Espaço Victory, em São Paulo, e vai reunir alguns dos principais nomes da cena nacional. O festival vai trazer dois palcos altamente equipados e cerca de 12h ininterruptas de música. Já estão confirmados as apresentações das bandas CPM 22, Project46, Far From Alaska, Esteban, Sala Espacial e Zander. De acordo com a produção, novas atrações serão reveladas nos próximos dias.

Os ingressos já estão à venda no site da Ticket Brasil, e em diversos pontos espalhados pelas cidades de São Paulo e região metropolitana. Os valores das entradas custam: R$40 (1° lote/pista comum) e R$ 100,00 (pista vip premium – apenas 100 ingressos).

Sampa Music Festival 14
Atrações confirmadas: CPM 22, Project46, Far From Alaska, Esteban, Sala Espacial e Zander
Data: 28 de fevereiro de 2015, domingo
Local: Espaço Victory
Endereço: Rua Major Ângelo Zanchi, 825 – Penha (ao lado do Metrô Penha)
Hora: das 10 às 23 horas
Classificação: Menores de 12 anos somente acompanhados do responsável
Abertura da casa: 1h antes do início do evento
Acesso para deficientes.
Ingressos: R$ 40,00 (1° lote/pista comum) | R$ 50,00 (2° lote/pista comum)| R$ 100,00 (pista vip premium – apenas 100 pessoas)
Ingresso online: www.ticketbrasil.com.br | www.sampamusicfestival.com.br
Foto: Bruno Eduardo
Emmily Barreto do Far From Alaska solta o vozeirão em ótimo show no Rio
Por Bruno Eduardo

Desde que surgiu, em julho de 2014, eu venho utilizando o adjetivo "sensacional" ao projeto Imperator Novo Rock. Antes de tudo, é bom deixar claro que não tenho nenhum vínculo com a casa, com a produção ou com qualquer outro meio de promoção do evento. Sempre achei sim, sensacional a iniciativa de abrir um espaço supostamente destinado ao mainstream para bandas independentes. Afinal, sou antes de tudo um defensor do rock. Vivo desse "corre" diariamente e acredito que uma das principais funções do jornalista "rock" é encontrar fagulha onde há escuridão e jogar combustível onde há brasa. E o Imperator Novo Rock é uma chama fundamental para a renovação do rock carioca. 

Na edição de um ano do projeto, a casa recebeu um grande público (maior que na maioria dos shows que eu presenciei após sua reabertura). No local, além de uma irada rampa de skate, era possível assistir imagens curtas de todas as bandas que tocaram nas edições anteriores em um projetor, e você eventualmente esbarrava com algum integrante dessas bandas no abarrotado local. Não faltaram também homenagens ao mentor dessa iniciativa, o incansável Paulo Lopez, e ao Imperator. Os nomes de muitas bandas também foram lembradas, e algumas aplaudidas quando exibidas em um clipe retrospectiva do evento. 

A primeira banda a subir no palco foi a Verbara, que venceu uma votação popular para conseguir participar dessa festa. O palco enfeitado com Lps de cantoras como Maria Bethania, Gal Costa e outros artefatos curiosos - como uma jarra de abacaxi piscante e uma garrafa de água posicionada ao lado de um cacto - mostrava de cara a proposta do grupo. Sonoramente o Verbara traz uma versão rock-MPB que fez sucesso há uma década na cartilha dos Los Hermanos. Com destaque para um trio de metais bastante afinado, a performance do grupo é dominada quase que exclusivamente pelo caricato Kadu Eduardo. Com óculos escuros, ele leva a apresentação como se tivesse se apresentando em rodas de poesia com versos prontos e rosas para a plateia - um misto de arte escancarada e breguice exagerada em iguais proporções. Além das canções de seu primeiro disco, eles apresentaram duas novas, com destaque para a quase marcha de "Sobrenatural" - que lembra o período de Arnaldo Antunes logo após deixou os Titãs. Mesmo que o grupo flerte muito pouco com o rock, o público entrou na dança, e eles saíram de palco aclamados.

Já a meninada do Hell Oh! é rock britânico dos bons. Chega a impressionar a maturidade musical desses garotos. Não é exagero. Você olha para o palco e se depara com um vocalista que deve ter seus vinte anos de idade no máximo, mas que perde a timidez quando empunha sua guitarra e tira sons que reverberam nos quatro cantos do Imperator. O som do grupo permeia por várias vertentes do chamado indie rock, mas ganha destaque em sonoridades mais moderninhas quando lembram Arctic Monkeys ("Hell Oh") e Strokes ("Flag"). Outro momento legal foi na canção "Out Of Nothing", que parece um surf music e termina numa guitarrada bem tramada. A apresentação desta noite comprovou de vez que estes meninos estão no caminho certo e se juntam ao time das bandas promissoras do estilo, como o já citado aqui no site, The Outs, por exemplo.

Fechando uma noite que pode ser considerada pontual para a história do rock independente carioca, o som atmosférico e cheio de robustez do Far From Alaska. Em pouco menos de uma hora em cima do palco, a banda potiguar entorpeceu os PA's da casa com sua máquina compressora de riffs, sintetizadores e vocais estrídulos. Já em "Thievery", é possível sentir a sintonia do público, que surpreende até mesmo o grupo, que parece não acreditar na quantidade de pessoas presentes. O show é baseado no sensacional ModeHuman, lançado no ano passado e executado de forma fidedigna e magistral pelo quinteto. A performance da banda é guiada na linha de frente pela dupla Emmily Barreto e Cris Botarelli, que fazem duetos vocais, batem cabeça ao mesmo tempo, e só saem de sintonia quando Cris decide atender ao pedido dos fãs e alterar a ordem das músicas no repertório. "O público quer 'Communication'. Eles é quem mandam", disse sorrindo. Outras que ganham força ao vivo, são "Politiks" - em qual Cris utiliza o som de uma slide guitar - e a pesadíssima "Mama". A voz de Emmily é algo que, embora tragar diversas referências tradicionais (Janis Joplin, por exemplo), apresenta uma peculiaridade rara nos vocais femininos (assim como  também vejo em Pin Bonner da Tipo Uísque). A diferença porém, é que a sua voz alterna momentos de potência cortante com drives inimagináveis. Quando usa efeitos, faz isso com sagacidade, e encerra a apresentação assolando o cérebro dos presentes com uma mensagem repetida em voz de robô - quase subliminar: "Nós somos o Far From Alaska! Nós Somos o Far From Alaska!". O único ponto baixo do show foi a invasão no palco de algumas pessoas na música Dino VsDino. Lógico que há tradição em alguns eventos e bandas que incentivam o mosh. Mas subir no palco para fazer selfie serve apenas como uma demonstração nefasta de nossa atual percepção social. Lembrando que palco é lugar sagrado do artista, e há equipamentos que podem ser danificados ou modificados por qualquer contato físico, levando o risco de influenciar negativamente na performance. Empolgação sim, mas com responsabilidade galera.

O sensacional "Imperator Novo Rock" comemora nesta quinta-feira (30) um ano de existência com shows das bandas Far From Alaska, Hell Oh e Verbara. Na verdade, o projeto pode - e deve - ser visto como uma prova de resistência e iniciativa cultural para o gênero. Quem for ao Imperator nesta quinta, vai poder conferir a partir das 20h algumas das melhores bandas do rock independente nacional. Direto de Natal (RN), o Far From Alaska é um dos nomes mais aclamados do cenário. O grupo traz na bagagem seu ótimo disco de estreia, ModeHuman, além de apresentações em grandes festivais, como Planeta Terra e Lollapalooza Brasil. Já as bandas Hell Oh e Verbara fazem parte do time promissor que vem movimentando a cena carioca. Conduzido uma vez por mês pela turma do incansável Paulo Lopez, o Imperator Novo Rock já se tornou o principal reduto do rock independente carioca. Desde a sua primeira edição, o público vem podendo conferir alguns dos principais expoentes da cena rock da cidade. Por lá passaram bandas como Drenna, Fuzzcas, Tipo Uísque, Folks, Melyra, Nove Zero Nove, Stereophant, Plastic Fire, entre muitos outros.

FAR FROM ALASKA


HELL OH!


VERBARA


Imperator Novo Rock
Data: 30 de julho (Quinta-feira)
Local: Imperator Centro Cultural João Nogueira
Endereço: Rua Dias da Cruz, 170 Méier
Horário: 20h 
Ingressos: R$ 10 (inteira) | R$ 5 (meia)*
Classificação: 16 anos

*Meia-entrada válida também com 1kg de alimento.
Foto: MRossi
Imagem aérea de um dos palcos do Lollapalooza no Autódromo de Interlagos
Um festival feito apenas para os 136 mil presentes

Por Bruno Eduardo

O Lollapalooza é um festival feito nos moldes de seu público. Ou seja: para gente jovem, disposta a aproveitar todas as aventuras e desventuras de um grande evento, e que não está nem aí se há mais dez bandas além daquelas suas preferidas. O importante mesmo é estar lá, ganhar brindes, fazer selfies, namorar, beber cerveja e, ainda assim, assistir algum bom show (que sempre acontece). Ano passado, já tinha sido diagnosticado que o importante mesmo era a expansão de entretenimento nos 600 mil metros quadrados do Autódromo de Interlagos. O que acontece no palco parece mais algo ilustrativo, como os telões de casas de shows e boates que rolam vídeos clipes enquanto todo mundo flerta, toma umas biritas e se diverte na balada. Não importa a cerveja cara, a comida cara e o principalmente o line up. Ainda mais sabendo que é impossível assistir mais de cinco shows por dia - na íntegra - com a devida atenção que eles possam merecer - ou não. O Lolla é um supra-sumo da juventude classe média, e isso é bom sim! - embora também seja ruim demais.


Estar no Lolla é como zapear canais na TV em busca de algo que te distraia, ou ouvir vários discos de vários artistas no random do seu aparelho de mp3. Nessa onda louca e modernosa, vamos de palco em palco, vendo um pedacinho de cada show, sem entender muito bem a proposta, mas que no fim das contas não importa muito, porque a maioria das bandas também não se importam com isso - e você sai de lá com a sensação de que curtiu tudo. Bem, mas essa é uma visão público-Lolla, não a de um jornalista que deveria estar lá buscando fazer seu trabalho, pautando o rock em todos os seus cantos. Muito menos será a visão de quem pensa que o festival se resume aquilo mostrado no canal Multishow.


Como esse ano eu acabei não entrando nessa aventura - a primeira vez em suas quatro edições - preferi nem assistir nada na TV para não me influenciar. Mesmo porque, eu que participei da cobertura de todas as outras três edições, aprendi que o festival não é feito para quem está em casa, sentado no sofá, comendo pipoca enquanto assiste a transmissão ao vivo. Não é. Ele não foi feito para esse público. E sabedor disso, preferi não cair nessa armadilha e estragar o meu fim de semana. 


Por tudo isso escrito acima, tratei de deixar para meu amigo Lucas Scaliza, a tarefa de trazer uma visão mais heterogênea e honesta, além de mais bem humorada - já que o festival, mesmo com todas as suas pisadas na bola, encanta pela beleza e pelo frescor da juventude - algo que eu, pela TV, não posso enxergar. Abaixo você pode conferir a cobertura do Lollapalooza Brasil 2015 por quem esteve lá - de verdade. 


Lollapalooza: Opinião de quem esteve lá - e não no sofá
Foto: Lucas Scaliza
No Lolla, o público pode ver os shows enquanto descansa no gramado
Por Lucas Scaliza

Antes de qualquer crítica ou avaliação isolada, é importante deixar registrado que organização do evento melhorou consideravelmente se comparada ao ano passado. Quem foi de trem até o Autódromo de Interlagos não teve problemas em chegar ao evento, pois haviam equipes sinalizando todo o percurso entre a estação e o autódromo - fazendo também os 4 portões de entrada funcionar para desafogar as grandes filas.


Utilizar os Lolla Mangos foi um jeito de maquiar o alto custo dos alimentos e bebidas dentro do evento. No entanto, realmente agilizou a compra dos produtos e diminuiu as filas. Mesmo a organização tendo avisado que todo mundo teria que ter seus Mangos para consumir no festival, era totalmente possível comprar com Reais. Dessa forma, a compra e a venda ficou ainda mais agilizada e não condicionada a disponibilidade ou só de dinheiro ou só de Mangos.


A circulação entre os palcos também ficou mais fácil. Entre um grande show e outro ainda era possível ver uma enorme massa de pessoas caminhando na mesma direção, mas a marcha não ficou tão prejudicada como em 2014. Os palcos Axe e Skol tinham um trânsito muito bom e não ficavam tão longe um do outro. Já o Onix demandava uma caminhada bem mais comprida e com diversos morros para subir e descer. Era o palco com o maior espaço para o público e com uma incrível visão panorâmica, mas também era o mais fora de mão.


Mais opções de comida ao longo de todo o espaço do evento conseguiu evitar filas e diversificou as opções. Além do Chef Stage que ficou maior, os food trucks espalhados tinham cardápios interessantes que parecem ter agradado ao pessoal. O preço, contudo, era salgado - R$12 um pequeno cone de batatas fritas, ou R$15 no hambúrguer mais simples de um determinado food, eram os alimentos mais em conta.


Este ano o Lollapalooza investiu na experiência, colocando muito mais pontos de lazer em Interlagos. Tinha desde uma nova área comercial para comprar desde chapéus e bijuterias até cabines fotográficas instantâneas, estande de massagens e lojas de roupas. Além de área para descanso com carregadores de celular ou com redes e muitas "atividades" ocorrendo o dia todo.


Dentre as atividades estava uma montanha-russa em espiral no alto do morro com vista privilegiada do palco Ônix, cuja fila era sempre longa. De frente para o palco Skol, a marca de cerveja fez um ótimo estande com chopp, cerveja, discos de vinil, espaços para fotos diferenciadas e um escorregador na saída. Haviam muitas outras atividades ocorrendo ao longo dos dois dias. Os interessados tinham que perder algum show e enfrentar filas, mas valia a pena, principalmente para quem queria curtir o festival como um todo, não somente cumprir sua agenda musical.


   :::SHOWS::: SÁBADO (28/3)   

No sábado, Plant e Jack White confirmam favoritismo em shows acima da média; Boogarins também se destaca

   JACK WHITE   
Foto: Vinicius Pereira
Jack White fez um dos melhores shows do Lolla
O público presente no Autódromo de Interlagos testemunhou um dos artistas mais interessantes da atualidade fundindo o que há de contemporâneo ao que há de tradicional no rock e no blues de uma forma orgânica e muito menos montada e produzida do que a maioria das grandes bandas que são headliner em festivais mundo afora.

O show de Jack White, grande headliner do sábado do Lollapalooza Brasil 2015, começa antes de ele entrar no palco. A montagem de sua cênica é curiosa. Para começar, seus roadies e sua equipe usam chapéus e calças com suspensórios. Alguns trabalham até mesmo de terno e gravata. A roupa sempre preta, a gravata era azul. O telão do palco Skol foi coberto por  grande e bonita cortina branca. Nas laterais, na frente, cortinas azuis menores. Os três retornos de White são cobertos por uma caixa de madeira branca. Todo o equipamento do palco é branco e/ou azul bebê. A iluminação eficiente é azul do começo ao fim, sem intercalar com outra cor.


Quando entrou no palco, mandando uma versão de "Icky Thump" cheia de improvisos e com participação entusiasmada do público, mostrou que seria uma noite de rock nervoso como o palco Skol ainda não tinha visto naquele dia. E não faltou guitarras distorcidas e solos estridentes carregados de fuzz durante a 1h45 de apresentação, sem falar na participação do baterista de White, que agitava o palco tanto quanto o guitarrista e vocalista.


Jack teve mais sorte que Plant. O público vibrou muito com as músicas do The White Stripes - como "Hotel Yorba", "Black math", "Fell in love with a girl", "We're Going to be Friends" e a sequência matadora de "Cannon/Dead Leaves and the Dirty Ground/Screwdriver". Os fãs também cantaram juntos as músicas da carreira solo. As animadas "High Ball Stepper", " Lazaretto", "Black Bat Licorice" e "Just One Drink"; e as mais  folks "Temporary Ground" e "Love Interruption", garantiram a diversão o público.


O show no Lollapalooza seguiu as características que Jack White sempre manteve ao longo da carreira. Em especial, agora que possui uma ótima banda de apoio, está o fator improviso. Ele sempre dá um jeito de tocar diferente músicas que já são velhas conhecidas do público, seja com solos, mudando partes, ritmos ou chamando alguém da banda para participar de alguma forma. É por isso que sua banda passa o show inteiro de olho em White, observando se ele vai seguir a canção original ou para saber quando ele vai intervir nela. Aceno de cabeça, diálogo, sinal com as mãos são algumas das deixas de White e banda para que todos saibam o que fazer e quando fazer. Por isso, os shows dele nunca são iguais, embora a base (banda e repertório) seja sempre a mesma.

White falou pouco diretamente com o público brasileiro, mas se manteve ativo o show inteiro, inclusive subindo nas caixas de retorno para solar. Em "Steady As She Goes", do Raconteurs, além de contar com um refrão ajudado pela plateia, pediu que o público respondesse "Are you steady now?" no final da música, e foi prontamente atendido.


A divertida "Three Women" foi um dos momentos mais épicos da apresentação em São Paulo. Para começar, White se dividiu entre piano e guitarra. Depois fez um longo e memorável solo no final da música usando energia estática, o que surpreendeu o público.

O bis com "Slowly Turning Into You", " Would You Fight For My Love" e a clássica "Seven Nation Army" fecharam o show primoroso do dono da Third Man Records

   ROBERT PLANT   
Foto: Vinicius Pereira
Plant voltou renovado e bem uma ótima banda de apoio
O palco Skol recebeu seu primeiro grande público do sábado - quando as pessoas já se apertavam desde cedo na espera de sir Robert Plant. Com estilo e acompanhado pela incrível The Sensational Space Shifters Band, Plant começou a apresentação levando o público ao delírio com "Baby, I'm Gonna Leave You", do Led Zeppelin - emendando na excelente "Rainbow", de seu novo disco solo, Lullaby and the Ceaseless Roar.

O restante do ótimo show teria alguns covers ("Spoonful" e "Fixin' to Die"), algumas poucas músicas de seu trabalho solo ("Turn it up" e "Little Maggie") e muitas de sua clássica banda Led Zeppelin. O público ia ao delírio cada vez que identificava canções como "Black Dog", "The Lemon Song", "Going to California", "Never Be", entre outras.


Sempre que possível, Plant expunha a versatilidade de sua banda propondo novos elementos em seu som, seja momentos com boa parte de seus músicos ajudando na percussão ou com a entrada de instrumentos africanos. Sem falar em seus dois guitarristas, excelentes em todos os aspectos e que fizeram o público do Lollapalooza experimentar a sensação de ver um real guitar-hero no palco.


Plant também contribuiu. Andava pelo palco, interagia com seus músicos e pedia para o público de São Paulo participar das músicas que não eram do Zeppelin. Também fez seus conhecidos fraseados vocais que depois tinham que ser repetidos pela plateia, algo que faz desde os tempos de Led. Ficou claro que os fãs e o público geral respeitaram muito o trabalho solo e os covers de Plant, mas não demonstraram muito entusiasmo com as novidades.


Toda a apresentação teve um quê de teatro, com Robert Plant costurando o repertório em torno da ideia de uma "baby" que esteve presente em diversos momentos, desse "Baby, I'm Gonna Leave You", passando por "Arbaden", "Little Maggie" e desembocando com toda a pompa em uma versão fantástica com laivos experimentais de "Whole Lotta Love". Para o bis, Plant e sua banda mandaram a já esperada "Rock and Roll", do Zeppelin, coroando uma apresentação que poderia durar mais uma hora e o público teria fôlego e empolgação para continuar a ver a lenda mais uma vez - mas só se o repertório do Zeppelin também fosse maior, apesar da qualidade do trabalho solo do cantor.


   ALT-J   
Foto: Vinicius Pereira
O público aprovou o som dançante do Alt-J
A banda inglesa Alt-J foi certamente a atração mais cult e alternativa do Lollapalooza 2015. Mesmo não sendo uma banda de performance marcante, eles colocaram o público para dançar ao som de um tipo de música que, para resumir e ser bem genérico, combina elementos de Sigur Rós, trip hop e a vertente mais viajante do Radiohead. Mesmo quem não conhecia o trabalho do grupo, curtiu a proposta indie party dos caras. No setlist, músicas de seus dois álbuns de estúdio - dando prioridade ao mais recente, This Is All Yours, que traz as canções mais conhecidas pelo público, como "Hunger of The Pine", "Left Hand Free", "Every Other Frickle" e "The Gospel of John Hurt". Do debut, o grupo se garantiu nos cinco singles, e foi recebido com entusiasmo pelos fãs.

O aspecto cult, no entanto, fala mais alto e o público releva a considerável imobilidade dos músicos no palco. O telão do evento deu mais destaque para Joe Newman (guitarra) e Gus Unger-Hamilton (teclado), mas o multi-instrumentista Cameron Knight e o versátil baterista Thom Green mereciam mais destaque, por completar com tanta competência o som da banda - principalmente Thom, que foi responsável pelos ritmos quebrados e bem feitos que renderam elogios ao grupo durante o show. Sem iluminação para complementar a cênica (ainda era dia) e sem utilizar o telão de fundo, foi um show despojado e de pouco movimento. Mas o público aprovou.


   BOOGARINS   
Foto: Adriano Vizoni
Dinho Almeida e seus solos viajantes no Lolla
Boogarins fez bom show muito psicodélico e viajante. Usaram muitos efeitos de guitarra e versos repetitivos para criar o efeito de viagem de ácido que pretendiam. Como tocaram muito cedo, tiveram que se apresentar para as poucas pessoas que estavam dispostas a conhecer a nova cena brasileira. Outro problema de tocar cedo e com um céu muito claro sobre São Paulo: não foi possível complementar a experiência com a iluminação condizente com o clima do show. A banda goiana teve uma performance exemplar. Apostaram em graves bonitos e que eram ouvidos de longe na área do palco Axe. Bons solos de guitarra e o vocal de Dinho Almeida era tão doce que só tornou tudo ainda mais psicodélico. Com empolgação e força, tentando conquistar quem ainda não os conhecia, o Boogarins deu um show de musicalidade.

   BANDA DO MAR   
Foto: Breno Galtier
Marcelo Camelo e Mallu Magalhães nos braços da galera
Tocar em festival indie é jogo ganho para a Banda do Mar. Tocaram no palco Skol, ao mesmo tempo que o Boogarins e tiveram mais público que o grupo goiano. No repertório, músicas animadas e ensolaradas da parceria entre Marcelo Camelo, Mallu Magalhães e Fred Ferreira, mas com espaço também para músicas do Los Hermanos ("Além do que se Vê" e "Morena"); da carreira solo de Mallu ("Velha e Louca", "Sambinha Bom" e "Olha só, Moreno") e solo do Camelo ("Janta"). Não foi um show forte em termos de impacto sonoro, mas teve o jeitinho do grupo. O público bastante jovem não parecia precisar ser conquistado pela Banda do Mar. Estavam empolgados e cantavam junto com os artistas como quem já os acompanham a algum tempo. Em suma, foi uma apresentação sem grandes desafios, já que o jogo já estava ganho desde o início.

   :::SHOWS::: DOMINGO (29/3)   

Nem a chuva esfriou o Lolla no domingo, que teve bons shows de Smashing Pumpkins, Interpol e Far From Alaska

   THE SMASHING PUMPKINS   
Foto: Junior Lago
Billy Corgan comanda o ótimo show do Smashing Pumpkins
Apesar de toda a lenda e de todo o culto por trás de Billy Corgan - único remanescente do Smashing Pumpkins original - era fato que esperava-se um público maior no palco Axe. O domingo foi realmente dominado pelos headliners mais pop, Calvin Harris no palco Onix e Pharrel Williams no palco Skol. Mas quem ficou para ver o rock alternativo da noite, que influenciou tanta gente e tantas bandas que passaram pela história do Lollapalooza, não deve ter se decepcionado.

A introdução foi de arrepiar fãs novos e das antigas. Todo o poder de “Cherub Rock”, em seguida a melodia e a beleza do clássico “Tonight, Tonight” e, para não restar dúvidas de que seria incrível, “Ava Adore”, outra das preferidas do grupo.


Em seguida, mandaram “Being Beige” e “Drum + Fife”, ótimas faixas do novo disco do Pumpkins, Monuments To an Elegy (2014). Da nova fase, tocara ainda “Monuments” e a roqueira “All and One (We are)”. A bonita “Pale Horse” foi a única música de executada de Oceania (2012).


Ninguém passou incólume pela força com que “1979” foi recebida. É, afinal, outra das obrigatórias do repertório da banda, vinda do clássico Mellon Collie And The Infinite Sadness (1995) que completa 20 anos em 2015. E “Disarm”, do disco Siamese Dream (1993), foi oferecida em homenagem a sua gata, que morreu enquanto Corgan tocava pela América do Sul nas últimas semanas - momento em que ele também lembrou que era aniversário de Perry Farrell (organizador do Lolla) e que seu próprio aniversário tinha ocorrido duas semanas antes (durante o show no Peru). Foi o momento de maior interação com o público.


Também do álbum de 1995, a banda mandou o petardo “Bullet With Butterfly Wings” para fechar com peso de sobra. Um fato engraçado: enquanto a banda aquecia para iniciar a canção, a atriz Daniele Suzuki (que apresentou o Lolla para a Globo/Multishow) passou correndo pelo corredor que separa a plateia em dois com um funcionário da Globo filmando sua trajetória com um celular. Billy viu a cena e assim que a atriz passou olhou para o outro guitarrista da banda com uma cara engraçado de quem não entendeu e se perguntava “Que diabos foi isso?”


Billy Corgan é o coração, a mente e a alma por trás do Smashing Pumpkins, uma banda que ainda tem repertório mas se resume a um homem só. Mesmo os músicos que o acompanham nessa turnê são convidados e possuem compromissos em seus outros grupos. Além disso, Corgan andou falando que não sabe mais qual seria a relevância dos Pumpkins daqui para frente. Mesmo assim, já que se propôs a sair em turnê, lançar disco novo e tocar em festival, fez valer a pena: além do ótimo setlist, fez solos memoráveis, teve seu momento noiser, tocou guitarra com a boca e separou um momento para ser performer, erguendo a guitarra e fazendo-a gemer com pesado distorção enquanto a agarrava com apenas uma mão.


Tudo isso fez o Smashing Pumpkins apresentar um show estridente e rock’n’roll que significou algo para o público. Por fim, ele voltou sozinho ao palco para o bis tocou “Today” no violão. Agradeceu ao público e saiu. Ficou a sensação de que aquele não podia ser o final, parecia que a banda ainda voltaria para tocar mais alguma canção especialmente escolhida para mandar todos felizes para casa. Mas era o final mesmo. Solitário, acústico e com jeito melancólico.

Com tantos sentimentos reais e pesados nas músicas de Corgan, a identificação do público aconteceu naturalmente. Não era preciso procurar muito para ver alguém cantando a plenos pulmões ou com lágrimas escorrendo. Pode não ter sido o maior público do festival, mas foi um dos momentos mais honestos.


   INTERPOL   
Foto: Divulgação/T4F
Paul Banks se comunicou pouco, mas não decepcionou os fãs
Nem a chuva fina fez a galera arredar o pé durante a apresentação do Interpol. Na verdade, o clima mais frio e nublado jogou a favor da banda, que pôde utilizar a iluminação do palco de forma adequada - com todos vestidos de preto, mantendo um clima para lá de melancólico. 

Liderados pelo tímido Paul Banks, o Interpol apresentou um repertório compactado, tocando menos tempo que no Lolla chileno, e focou em canções para agradar seu público, mostrando, no entanto, pouca confiança no bom material do disco mais recente, El Pintor. Deste, tocaram apenas “Anywhere”, “Everything is Wrong” e a ótima “All The Rage Back Home”. O resto foi apenas o que os fãs gostariam de ouvir, como “Say Hello to The Angels” - faixa do primeiro álbum do grupo, Turn On The Bright Lights (2002) - e “Leif Erikson” - recebida com igual entusiasmo. Outras que agitaram o público foram “Evil”, “Rest My Chemistry”, “NYC” e “Slow Hands” - que fechou a apresentação. 


Mesmo que alguns tenham reclamado que o grupo não interaja de forma mais afetiva com os fãs, musicalmente ninguém tem do que reclamar. Foi um bom show, que serviu para fazer um apanhado de toda carreira do Interpol. De negativo, apenas a falta de surpresas no repertório, que soou um pouco datado para quem acompanha de perto a agenda do grupo. 

   YOUNG THE GIANT   
Foto: Divulgação/T4F
Samer Gadhia foi puro carisma em ótima apresentação
Os californianos fizeram uma ótima apresentação. Entre o rock de Pitty e os clássicos do Smashing Pumpkins, o Young The Giant era o indie de nicho espremido entre duas forças maiores que eles no Brasil.

Quem foi vê-los pareceu curtir. O quinteto era naturalmente simpático. O vocalista Sameer Gadhia, que nas duas primeiras músicas se revezava entre três microfones, tinha um jeito bem despojado e expressões de cão-sem-dono, não deixando de interpretar cada canção. Não faltou comparações entre Jesus Cristo e o cabeludo e barbudo baixista Payam Doostzadeh. E os guitarristas Jacob Tilley e Eric Cannata dançavam de um jeito bastante peculiar com seus instrumentos em mãos. É a banda indie e hipster por excelência do festival.


Mas que a verdade seja dita: longe de ser um dos grupos mais conhecidos do festival ou uma das bandas com maior histórico e hits para mostrar (eles têm apenas dois discos de estúdio), o Young The Giant provou que entende de música. Várias levadas em 3/4, trocas de ritmo e acordes bem encaixados em suas harmonias, sem falar que em diversos momentos criavam contrapontos interessantes e camadas sonoras ricas, onde cada instrumento tinha seu papel. Como instrumentistas, eles realmente sabem fugir do esquema em que todos tocam as mesmas notas do mesmo jeito.


No repertório, as obrigatórias “Cough Syrup”, recebida com entusiasmo pelo público, e “My Body”, que terminou muito bem o show. Mas o grosso da apresentação era de canções de Mind Over Matter (2014), o álbum mais recente do grupo. “Slow dive”, “Anagram”, “It’s about time”, “Eros”, “Wave”, “Camera” e “Paralysis”.


O disco novo dos californianos chegou ao 6º lugar nas paradas alternativas dos EUA, o que explica a inclusão do grupo no Lollapalooza. No entanto, o público brasileiro em geral ainda não sabe quem são eles. Prova disso é que a plateia, mesmo na iminência de um Smashing Pumpkins logo depois, não foi muito maior que a da Pitty. Para piorar, tocaram no mesmo horário que o conhecido DJ Calvin Harris, este sim com hits bombando no país.
 

   THREE DAYS GRACE   
Foto: AGNews
Banda de Matt Waldst aqueceu a galera num domingo de muito frio
Os canadenses do Three Days Grace tocaram no palco Axe para um público consideravelmente pequeno, mas suficiente para acompanhar todo o barulho promovido pelo nu metal da banda. O vocalista Matt Waldst não poupou a garganta e fez tudo o que o horário (final de tarde, mas ainda longe de ver o sol de pôr) permitia para empolgar o público e ser um verdadeiro frontman.

Human, o novo disco do grupo, vazou na rede alguns dias antes do show em São Paulo. Dele, mandaram as três melhores: a climática “I Am Machine”, a pesada “Painkiller” e a ótima “Human Race”, com direito a um belo solo de guitarra de Barry Stock.


Para quem procurava peso, um prenúncio talvez do que seria o Smashing Pumpkins horas mais tarde. Foi uma porrada atrás da outra: “Pain”, “Home”, “Animal I Have Become” e a superconhecida “I Hate Everything About You”, do primeiro disco da banda, que fez todo mundo cantar junto.


É rock pesado, mas o som do Three Days Grace é pesado para uma plateia jovem. E esse tipo de som apareceu no palco certo e encontrou seu público no domingo. Quem estava atrás de um rock mais sofisticado ou mais maduro podia encontrar em outras bandas que se apresentaram no sábado ou mesmo no domingo, mas foi a escolha certa para quem prefere algo mais direto e reto.


Embora não seja uma grande banda com muitos diferenciais, o Three Days Grace cumpriu o que seu repertório prometia. Não deixou a desejar e esquentou o público com muitas batidas firmes na bateria, baixo bem alto e guitarradas carregadas de distorção. Para fechar, mandaram a power ballad “Never Too Late” e em seguida a nervosa “Riot”, ambos do álbum One-X (2006), o segundo disco do grupo. 


   PITTY   
Foto: Vinicius Pereira
Pitty mostrou confiança e ótimo repertório no Lolla
A baiana Pitty entrou no palco confiante. E seguiu assim até o fim de sua exitosa apresentação, planejada sob medida para funcionar em festivais. Mesmo quem nunca parou para ouvir nenhum dos discos inteiros de Pitty não teria dificuldade nenhuma em acompanhar o show. Foram vários hits radiofônicos e apenas duas ou três músicas que fugiam do esquema “aposte no familiar”.

Estratégias a parte, Pitty arrebatou a plateia. Sua expressão corporal, a liberdade como se dirigia ao público e como se movimentava de um lado para outro criaram uma cena interessante de acompanhar. Ela agachava para acionar efeitos de voz com as mãos, chutava o ar, dançava e até rodopiava o microfone segurando seu cabo – tudo devidamente acompanhando o nível de empolgação e de dinâmica de sua música.


Após abrir com “Setevidas”, do disco de mesmo nome lançado ano passado, foi mais uma que deu uma geral na carreira: “Admirável Chip Novo” e “Máscara” (ambas do debut), “Memórias” e “Na Sua Estante” (do segundo disco) e “Me Adora”, do terceiro. O público respondeu a todas as músicas mostrando que o rock’n’roll da baiana estava sendo bem recebido pelo ótimo público que ela conseguiu atrair no palco Axe.


Diferente da esmagadora maioria de outras bandas que passaram pelo festival, Pitty não se fez de rogada e apresentou, apesar dos hits, uma maioria de músicas novas do disco Setevidas (2014). “Um leão”, “Deixa ela entrar”, “Boca aberta”, “Pouco” e, para fechar, “Serpente”. Antes de terminar o show, ela disse que havia sobrado tempo e tocariam mais uma, mas seria um lado B. “Mantenham seus corações abertos”, ela pediu. E o público, é claro, correspondeu.


Entre os artistas nacionais que se apresentaram no Lollapalooza 2015, Pitty foi uma das que melhor usou o telão, sempre com alguma animação ou clipe pronto para ilustrar e acompanhar o desenvolvimento de cada faixa. Foi também a artistas brasileira que ganhou o melhor horário para se apresentar, quando já era noite, favorecendo toda a cênica e o jogo de luzes.


Tão logo Pitty deixou o palco, o espaço do palco Axe foi evacuado pela maioria do público que, ao que parece, tivera sua última dose de rock e ia procurar atração para fechar o dia com Calvin Harris e/ou Pharrel Williams.


   FAR FROM ALASKA   
Foto: AGNews
Emmily Barreto não poupou a voz e Far From Alaska levantou o público
Assim que cheguei ao Autódromo de Interlagos no domingo, saia que tinha um destino certeiro: o longínquo palco Onix, cuja primeira atração seria a banda Far From Alaska, revelação do hard rock do Rio Grande do Norte. A expectativa era grande, mas grande foi a dose de agressividade que a banda jogou para cima do público. E não eram nem 13h quando o Far From Alaska subiu no palco (mas deu tempo até dos músicos do Scalene, que tocaram antes no mesmo dia no palco Skol comparecerem).

Um show curto para um público relativamente pequeno que teve pique para chegar cedo e caminhar até o Onix. Mas quem ficou para ver se surpreendeu com a energia da banda. Com apenas 45 minutos para mandar seu recado, eles tocaram apenas composições próprias do disco modeHuman, lançado em 2014. “Thievery”, “Deadmen”, “Dino vs. Dino” e “Monochrome” mostraram que a banda não estava para brincadeira e agarrou a oportunidade de tocar no Lollapalooza com todo o corpo.


Emmily não poupou a garganta e cantou como nunca – ou com a mesma força que mostra no disco. Ou seja: cantou alto, cantou bem e com voz rasgada. Quem não esperava tanta energia saiu surpreso. Para a primeira banda do palco e com apenas um disco lançado, Emmily, Rafael Brasil (guitarra), Lauro Kirsch (bateria), Edu Filgueira (baixo) e Cris Botarelli (lap steel e sintetizador) tiveram performances surpreendentes. Se o Boogarins foi forte e viajante no dia anterior, o Far From Alaska foi direto no domingo, preparando o público para outras pedradas que viriam ao longo do dia.