ROCKONBOARD NEWS

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Foto: Divulgação
Lenda do rock, Lemmy sai de cena mas deixa um legado intacto
Por Ricardo Cachorrão Flávio

O cancelamento da apresentação do Motörhead no festival Monsters Of Rock em São Paulo, no início do ano, soou como um sinal de alerta aos fãs. Naquele momento ficou mais do que evidente a dura batalha que Lemmy travava nos bastidores de sua vida regada a aventuras cósmicas no universo do rock and roll. Mesmo assim, ele decidiu não voltar para casa. Gravou um vídeo pedindo desculpas aos fãs e três dias depois fez questão de se apresentar em Curitiba e seguir cumprindo a agenda. Isso era Lemmy - um dos deuses imortais do rock. Infelizmente, a odisséia de Ian Frazier Kilmister, ou simplesmente, Lemmy do Motörhead, durou exatos 70 anos completos na Terra.

Falar sobre o velho Lemmy é como falar daquele amigo mais velho que te ensinou muita malandragem, aquele cara mal encarado que representa medo, e referência. De todo modo, é legal também assistir o outro lado da moeda no documentário Lemmy: 49% Motherf**ker, 51% Son Of A Bitch, que apresenta uma figura tranquila, caseira e em plano de descanso. Um Lemmy às avessas.

No entanto, este senhor conseguiu a proeza da unanimidade entre punks, bangers e rock’n’rollers das mais diversas tribos. Todos o adoravam, todos o respeitavam.

Lemmy, apelido adquirido na infância, iniciou sua trajetória no rock and roll ainda na adolescência, quando viu os Beatles ao vivo no Cavern Club! Daí em diante, aprendeu a tocar guitarra ouvindo o primeiro disco dos meninos de Liverpool, foi roadie de ninguém menos que Jimi Hendrix, participou de bandas de pouca expressão, como o Rockin’ Vickers e o Sam Gopal, até arrumar emprego como roadie do Hawkwind, e ter a chance de substituir o baixista da banda que deu o cano em um show, tomou seu lugar até ser expulso por ter sido preso com posse de drogas no Canadá.

Depois disso, chegou a vez de se tornar uma divindade, formou sua própria banda, primeiro chamada “Bastards”, que em pouco tempo se tornou MOTÖRHEAD, uma das mais influentes entidades da história da música pesada!

2015 termina com a morte de um DEUS do rock. Lemmy perdeu a batalha contra o câncer. Mesmo assim, não desistiu da estrada, não deixou de gravar discos e manteve seu legado inabalável. Esteja onde estiver agora, Lemmy certamente estará sendo reverenciado como uma entidade máxima de um universo próprio - cheio de barulho e diversão.

Deuses não morrem.
Foto: Divulgação

Depois da barbárie em Paris, principalmente no Bataclan, durante o show do grupo Eagles of Death Metal, que acabou sendo o principal alvo dos atentados terroristas, outras bandas de rock acabaram desistindo de realizar suas apresentações na cidade. 

O primeiro a tomar essa decisão foi o U2, que supostamente iria tocar na capital francesa no sábado passado. No entanto, a banda irlandesa foi até o memorial instalado perto do Bataclan para prestar homenagem às vítimas do massacre. Mesmo com o cancelamento, o vocalista e ativista de direitos humanos, Bono Vox, declarou estar ansioso para voltar a tocar em Paris.

O Foo Fighters decidiu não só cancelar sua visita à França, mas todos os shows de sua turnê europeia, justificando a tomada de posição “à luz desta violência sem sentido”. Já o grupo Motörhead, que iria atuar em Paris este mês, decidiu reagendar a apresentação para janeiro de 2016.

No caso dos Deftones, o cancelamento foi automático, já que o show estava marcado para o mesmo Bataclan. Inclusive, o grupo americano já se encontrava em Paris quando os ataques terroristas ocorreram. Eles tinham duas datas reservadas.

MOTÖRHEAD

Bad Magic

UDR; 2015

Por Lucas Scaliza



Não faz muito tempo, Lemmy Kilmister precisou cancelar uma turnê. O médico disse que estava na hora de ele parar de viver a vida heavy metal que levava. Ele disse que ia pensar. Este ano, no Brasil, durante o festival Monsters of Rock, Lemmy não pôde se apresentar por motivos de saúde. Sofreu distúrbio gástrico e desidratação [leia a resenha do festival AQUI]. Agora ele usa um desfibrilador no peito para manter o batimento cardíaco regular. E este ano, no Glastonbury, a banda terminou de tocar “Ace of Spades” e iniciou “Overkill”, mas ele continuou cantando a primeira. Foi um lapso, ele justificou depois. Estaria este distinto dinossauro do rock com seus dias contados? Ou pelo menos com a carreira perto do fim, obrigado a se aposentar compulsoriamente?

Pelo jeito, Lemmy Kilmister está em um carro com motor envenenado dirigindo por uma planície. Ele sabe que lá na frente há um precipício, mas ele não se importa. Assim como sua banda é famosa por tocar alto, sempre alto, ele pisa fundo no acelerador. Se é assim, que assim seja, ele pensa. Vai ser rock’n’roll até o fim, não vai arrefecer e nem mudar seu estilo de vida.

Pelo menos, é isso que parece que Lemmy está fazendo ao ouvirmos Bad Magic, o novo disco do Motörhead, que está empolgante e bad ass como sempre, divertido e forte. A voz de Lemmy, rouca, é a única coisa que nos lembra a idade do vocalista. De resto, nenhuma das faixas do álbum deixa entrever problemas de saúde ou preocupações com o fim – seja da vida ou da carreira.

Em dezembro, um dia antes do Natal, ele vai completar 70 anos. Embora o Motörhead comemore 40 anos de existência em 2015, a carreira musical de Lemmy chega aos 50, se contarmos o lançamento do primeiro LP de sete polegadas de sua primeira banda, The Rockin’ Vickers. Bad Magic é o 22º álbum da banda que é conhecida principalmente pelo clássico “Ace of Spades”, mas que tem muito mais o que mostrar. O novo álbum, aliás, não reinventa o heavy metal, não traz flertes com o eletrônico, não muda nada no som de uma banda que não é conhecida exatamente por ser inovadora. Mas mesmo assim, o que o Motörhead entrega são 13 ótimas músicas, 13 razões para ouvir o trabalho do começo ao fim repetidas vezes, 13 poderosos lembretes de que Lemmy está vivendo agora sua melhor fase na música.

Se você já conhece o Motörhead, já sabe o que vai encontrar em Bad Magic. Se não conhece, saiba que não falta energia, distorção e vigor na banda. O baixo Rickenbacker de Lemmy continua fazendo as bases competentes de sempre. O guitarrista Phil Wizzö Campbell mais uma vez destila power chords cheios de grave, riffs bem diretos e um bom senso absurdo para solar. O sueco Mikey Dee, na bateria, é um monstro do ritmo e nunca baixa a guarda, fazendo você até querer dançar.

Por isso, nem é preciso descrever as músicas neste texto. Vamos apenas dizer que um senhor cool como Lemmy faz músicas tão empolgantes quanto o Foo Fighters, sem firulas e com a força de um Black Sabbath. Os temas também são aqueles velhos conhecidos do rock setentista e oitentista, já anunciados nos nomes das faixas: “Victory or Die”, “Thunder & Lightining”, “The Devil”, “Evil Eye”, “Teach Them How to Bleed”, “Tell Me Who to Kill”, “Choking on your Screm” e a ótima “When the Sky Comes Looking For You”.

A surpresa do Motörhead fica por conta do cover para “Symphathy for the Devil”, dos Rolling Stones. Mickey Dee recria a percussão tribal e Wizzö coloca mais distorção na guitarra. A voz de Lemmy cai muito bem à faixa e, apesar de soar mais agressiva do que a original, ainda é muito fiel a ela.

O que o Motörhead mantém firme é, sobretudo, sua pegada. As músicas soam como rock clássico, mas anabolizadas por captadores mais musculosos, pedais ruidosos e uma pose de rockstar motoqueiro que dão todo o ar metaleiro da banda. Não é a toa que o grupo era para ser o equivalente inglês, lá em 1975, dos MC5, a clássica banda de Detroit que também era pesada, distorcida e cheia de riffs poderosos. Bad Magic é só mais um capítulo disso. Lemmy é um sobrevivente dos excessos do rock, da mesma estirpe que Ozzy Osbourne e Keith Richards. E assim como esses dois, Lemmy diz que só a morte vai pará-lo e que não largará a música “contanto que possa andar do fundo à frente do palco sem uma bengala. Ou mesmo se eu tiver que usar bengala”, como o mesmo declarou ao Guardian. Só nos resta dizer "amém".
Foto: Vinicius Pereira
O mito de Ozzy Osboune reina absoluto no Monsters Of Rock
Os monstros do rock invadiram São Paulo neste fim de semana

Por Bruno Eduardo

A edição comemorativa de vinte anos do festival Monsters Of Rock reuniu neste fim de semana alguns dos maiores nomes do metal e do hard rock mundial. Recebendo um bom público - cerca de 65 mil pessoas - a Arena Anhembi cresceu bastante se comparada a última edição (2013). Esse ano, o evento ganhou até uma Área Gourmet - seria a gourmetização do metal? - e um shopping center para roqueiros ("Galpão do Rock"). Do line up, a ausência de bandas nacionais foi a única coisa realmente sentida pelo público. Entre Deuses do metal em cima do palco e cancelamentos em cima da hora, o Monsters Of Rock mantém a escrita como o mais tradicional festival dedicado ao público headbanger no Brasil. Confira abaixo alguns dos principais shows do festival.

KISS
Foto: Camila Cara
Kiss sendo Kiss: Gene e sua língua de fora
Até os mais fanáticos concordam: se você já viu um show do Kiss, certamente você já viu todos - o que não quer dizer que você não precisa ver de novo, e de novo, e de novo. Muito pelo contrário. Afinal, só o Kiss é capaz de fazer você reconsiderar o termo "show de rock" pelo menos uma vez na vida.
  
É ridículo pensar que após quatro décadas, tudo continua funcionando de forma magistral. Afinal, todo mundo sabe dos manjados - e igualmente indispensáveis - elementos tradicionais para um show do grupo: fogos de artifício, luzes de palco impressionantes, foguetes sendo disparados da guitarra de Tommy Thayer, e os vôos sobre a platéia

O mesmo se aplica ao repertório. Com a inclusão de uma ou outra música mais atual ("Hell or Hallelujah"), a banda continua batendo nos clássicos. "Detroit Rock City", "Creatures Of The Night" e "War Machine" são algumas das pedradas iniciais. Já em "Do You Love Me", o telão mostra fãs debulhados em lágrimas. O falante Paul, joga para a plateia em diversos momentos - inclusive rasgando elogios a uma de nossas paixões nacionais: "adoro bundas brasileiras", diz. Em um domingo dedicado ao metal, o grupo acertou em cheio ao priorizar as versões robustas de "Psycho Circus", "Lick it Up" e "I Love it Loud" - com Gene Simmons babando sobre o público.

Antes de executar "God Of Thunder" às alturas, Gene promoveu seu freak show - cuspindo sangue e abusando de distorção e caretas. Já Paul Stanley - com a voz já bem desgastada - voou de um lado à outro do Anhembi, para cantar "Love Gun" e "Black Diamond" (em um pequeno palco improvisado). 

"I Was Made for Lovin' You" inicia a parte final do show, até que canhões criam uma atmosfera quase interminável de papéis picados para o refrão à plenos pulmões de "Rock And Roll All Nite". O som baixo de "God Gave Rock 'n' Roll to You II" (direto da mesa) continua sendo a trilha sonora perfeita para o encerramento de um grande show de rock.

"Você queria o melhor, você teve o melhor!"

OZZY OSBOURNE
Foto: Camila Cara
Figura de Ozzy Osbourne garante o resultado final 
Como avaliar uma figura mitológica? Há espaço para exigências? Essas duas perguntas martelaram minha cabeça durante uma hora e meia de catarse coletiva entre fiéis e o deus vivo do metal, Ozzy Osbourne. 

Pouco importa se ele vai tocar o mesmo repertório de um ano atrás. Importa menos ainda, se ele ignora clássicos como "No More Tears", "Perry Mason", "Mama I'm Coming Home", "Goodbye To Romance" e "Diary Of A Madman". Ao todo, nove das treze músicas presentes no setlist foram de canções do seu primeiro disco solo - o petardo Blizzard Of Oz - ou da fase Sabbath. Da fase Zakk Wylde então, apenas "Road To Nowhere" e "I Don't Wanna Change The World". Mas quem é Zakk Wylde? Estamos falando de mitos, não de reles mortais. 

E daí se a banda precisa baixar dois tons para que ele consiga cantar músicas como "Crazy Train", ou arrastem hinos como "Mr. Crowley" para que o vovô Ozzy possa acompanhar as letras com a ajuda de um teleprompter. O importante mesmo, é que ao invés de estar em casa gravando capítulos de reality shows, ele está em cima de um palco pulando, dando banho de água no público da primeira fila, fazendo piadas, e principalmente, dignificando a origem de um gênero - imortalizado pelo próprio - ao cantar canções como "War Pigs" ou "Iron Man". 

Essa é a segunda vez que Ozzy se apresenta no festival. A primeira, para quem não se lembra, foi em 1995 - quando estivera acompanhado de Geezer Butler. No entanto, a apresentação desta noite não chega perto da antológica performance de vinte anos atrás, mas é muito melhor do que a sua última passagem, em 2011. Aos 66 anos, a voz é a maior vítima da idade avançada. Mesmo assim, o cantor possui uma capacidade - messiânica - de entreter qualquer público no mundo. Seja ordenando um mar de mãos, ou utilizando as mesmas frases repetidas por décadas: "Eu não - fucking - consigo ouvir vocês!"

De sua "nova" banda de apoio, destaque para o super baterista Tommy Clufetos e o tecladista/guitarra base Adam Wakeman - ambos acompanharam o Black Sabbath na turnê de reunião em 2013. Já o guitarrista Gus G, é mais virtuoso que os anteriores de cargo, só que dificilmente entrará na lista dos consagrados Randy Rhoads, Zakk e Iommi. A maior prova disso, é que nos shows da atual turnê - assim como nesse do Monsters -, nada foi tocado do disco Scream, gravado por Gus. Mas... E daí? 

Cara, você não está entendendo. Aquele ali em cima do palco é o Ozzy Osbourne!

JUDAS PRIEST
Foto: Camila Cara
Judas Priest em dose dupla no Monsters Of Rock
Após uma notícia ruim (cancelamento do Motörhead), só mesmo o Judas Priest para lavar a alma dos bangers com uma verdadeira celebração ao metal. Tudo bem que não foi o tempo de apresentação prometido pela produção do evento - eles tocariam meia hora a mais para compensar o cancelamento do show anterior - mas serviu para que o grupo não precisasse limitar o repertório - repetindo assim, quase o mesmo número apresentado em shows solo [veja como foi no Rio]. 

O som baixo em "Dragonaut", música escolhida para abrir o show do Monsters, foi corrigido a tempo para que o grupo já enfileirasse alguns clássicos de várias fases da carreira, como "Metal Gods", "Victim Of Changes", e "Love Bites" - que fez a alegria da galera que curtiu a fase oitentista do grupo. Aliás, a camisa com o símbolo do disco Defenders Of The Faith foi maioria esmagadora entre os fãs da banda - seguida pela navalha clássica de British Steel.

Aos 63 anos de idade, Rob Halford ainda surpreende muitos com sua desenvoltura vocal. Desfilando uma vasta coleção de casacos de couro, Rob mantém a voz em alto nível - seja utilizando seus agudos característicos ou variando timbres em músicas do novo álbum, Redeemer Of Souls (lançado em 2014). Outro que roubou a cena foi o guitarrista Richie Faulkner. Incumbido de substituir o icônico K.K.Downing, o novato não deu chances para que os fãs sentissem saudades do integrante original. Dono da maioria dos solos principais, ele fritou a guitarra em canções consagradas como "Devil's Child" e "Breaking The Law" - deixando por muitas vezes, o veterano Glenn Tipton como mero coadjuvante. O momento pop do grupo apareceu forte em "Turbo Lover" - com refrão cantado por trinta mil pessoas - e no final com "Living After Midnight". Rolou ainda o passeio clássico de motocicleta em "Hell Bent for Leather", e a insuperável "Painkiller" - seria essa a maior introdução de bateria da história do heavy metal? Comentem! 

Após o show, ouvi de um colega ao lado: "Se isso é ruim, o bom definitivamente não existe". Definição perfeita para fechar essa resenha.

ACCEPT
Foto: Camila Cara
Accept volta ao Brasil com ótimo show
De volta à ativa desde 2009, o Accept mostrou no Monsters Of Rock que o retorno não foi um mero golpe de saudosismo. Da formação consagrada, apenas o guitarrista Wolf Hoffmann e o baixista Peter Baltes ainda continuam no grupo. Mesmo assim, o show deste domingo foi de uma potência sonora digna dos velhos tempos. O quinteto alemão iniciou a apresentação com duas músicas da fase atual - "Stampete" e "Stalingrad" - seguidas do clássico "London Leatherboys" - do consagrado Balls To the Wall. O repertório, embora bem mesclado, deu atenção especial ao quarto disco do grupo, Restless And Wild (1982) - com destaque para a execução concisa de "Fast As a Shark". Mark Tornillo nem parece que entrou na banda apenas em 2009. Com amplo domínio do palco, e uma voz marcante, ele segura canções como "Final Journey" e "Princess of the Dawn" na mesma desenvoltura técnica de Udo Dirkschneider. Já o guitarrista Wolf Hoffmann é quem dita as regras. Desfilando riffs e solos estonteantes, ele levou o público ao delírio em hinos consagrados da banda - como "Metal Heart", e a derradeira da noite, "Balls To The Wall".

RIVAL SONS
Foto: Camila Cara
Rival Sons sai como a grande revelação do Monsters Of  Rock
A grande revelação do dia foi a apresentação do grupo americano Rival Sons. Calcados no hard rock setentista de bandas como Led Zeppelin, e pisando no hippismo noventista dos Black Crowes, a banda fez um show de alto nível técnico e com o melhor som de guitarras do dia. "Estamos aqui para tocar rock and roll", resumiu o "descalçado" Jay Buchanan. O riff cortante da excelente "Eletric Man" deu números iniciais ao show, seguida da descompassada - no bom sentido - "Play The Fool", e do hard clássico de "Pressure in Time". Mas não só de guitarras cruas vive o Rival Sons. Eles ainda apresentaram uma balada "Where I've Been" - a única do grupo - repleta de melancolia e texturas blues. Mas logo voltaram à temperatura normal, com o riff levanta-defunto da elétrica "Get What's Coming" - onde o timbre de Jay lembra Robert Plant (fase Led Zeppelin IV). O detalhe é que o Rival Sons não precisou rebuscar modelos batidos para conseguir a simpatia do público - nada de afagos ao Brasil ou covers manjadas. A banda se garantiu apenas em um bom repertório - baseado no recente "Great Western Valkyrie" - e nos lampejos individuais de Scott Holiday e Jay Buchanan. O grupo encerrou a apresentação com "Keep On Swingging", deixando aquele gostinho de quero mais.

UNISONIC
Foto: Camila Cara
Unisonic não precisou se esforçar para ganhar a força do público
  O primeiro grupo a ser aclamado pelo público no domingo foi o Unisonic. Embora tenha faltado um pouco de pressão no início, o grupo alemão conseguiu equilibrar o problema técnico com uma presença destacada da dupla Kai Hansen (guitarrista) e Michael Kiske (vocalista) – que não se juntam desde o disco Keeper of the Seven Keys, Pt. 2. Com repertório calcado em seus dois álbuns de estúdio, o Unisonic promoveu uma ode ao power metal - com vocais agudos, bumbo duplo pulsante e solos ultra-rápidos. No setlist, o metal com pitadas de Marilion em "Your Time Has Come", e o vocal moderado de Kiske em "King For A Day". O grupo segue uma cartilha de metal mais enxuta do que era apresentada nos tempos áureos do Helloween. Com melodias abertas, e substituindo o peso da guitarra por alguns teclados bem tramados, o Unisonic mostra um caminho mais disposto ao público heterogêneo. Em um momento solo, Hansen levou os fãs ao delírio quando puxou a melodia de "Future World". Mas não demorou muito para que os fãs fossem brindados com o cálice da nostalgia. "Essa é da época que eu possuía cabelos longos", disse Kiske, antes do grupo executar o clássico do Helloween "March of Time", seguida da igualmente forte "I Want Out". Em suma, foi um show especial para novos e antigos fãs. 

BLACK VEIL BRIDES
Foto: Camila Cara
Andy Biersack sofreu com as vaias da galera em show confuso
Aguardados pelo público púbere, o Black Veil Brides teve que lidar primeiro com a desconfiança dos headbangers. Ansiosos - e não sabendo ainda do cancelamento do show -, os fãs de Motörhead gritavam o nome da banda no fim de cada música e ensaiavam algumas vaias. Em certo momento, o vocalista Andy Biersack perdeu a paciência e disparou: "Eu também gosto de Motörhead, mas agora somos nós no palco. Não vamos demorar muito". Um fato parecido aconteceu em 1996, quando o Skid Row foi expulso de palco no mesmo Monsters Of Rock, em noite que também dividiriam palco com o mesmo Motörhead. Talvez por fazer uma linha com visual mais afetado, a proposta do hard rock oitentista (o chamado glam) nunca convenceu os mais tradicionalistas. No caso do "novo hard rock americano" - que inclui bandas como o Living Dead Lights e o próprio BVB - as influências dos anos oitenta ficam apenas no visual (que remete às maquiagens de Mötley Crüe e Kiss). Sonoramente, o show do grupo no Monsters Of Rock foi uma junção das diversas referências dessa nova safra - como pudemos ver no metal sinfônico à la Nightwish em "Overture", ou no hard moderno de "Shadows Die". Adequados ao modelo estético que o estilo impõe, eles também foram os primeiros a utilizar os telões localizados no fundo do palco com imagens trabalhadas. Mas nada disso pareceu despertar o interesse do público, que comemorou quando a banda anunciou sua ultima canção do repertório. Nas mídias sociais, fãs e não-fãs declararam apoio ao grupo e repudiaram a atitude dos mais hostis.

DE LA TIERRA
Foto: Camila Cara
Supergrupo faz show curto mas poderoso
Por trazer em sua formação nomes como Andreas Kisser (Sepultura), Alex Gonzalez (Maná) e Andrés Giménez (A.N.I.M.A.L.), o De La Tierra é considerado por muitos como o maior supergrupo do metal sul-americano na atualidade. Apresentando músicas de seu único disco de estúdio, o quarteto deu conta do recado em uma apresentação para lá de convincente. O destaque ficou para a versão de "Polícia" dos Titãs - que também foi regravada pelo Sepultura, banda de Andreas Kisser, em 1993. Após meia hora de muita pancadaria, o vocalista Andrés Giménez finalizou o show junto a galera do gargarejo, e agradeceu o público por dar moral ao rock latino.

PRIMAL FEAR
Foto: Camila Cara
Mesmo tocando cedo, o Primal Fear fez um dos grandes shows do festival
Com quase duas décadas de estrada, o Primal Fear é uma das bandas que melhor representam a safra do power metal germânico - estilo que ganhou o mundo no fim dos anos noventa. Liderados pelo ex-Gamma Ray, Ralf Scheepers, e utilizando-se com muita qualidade de uma fórmula batida por bandas como Judas Priest e Iron Maiden - com guitarras em harmonia dobrada ("When Deaths Coming Knocking") e falsetes brilhantes ("Metal is Forever"), o quinteto não precisou se esforçar muito para ganhar o público presente no Anhebi. Na bateria, outro destaque: o brasileiro Aquiles Priester foi um show à parte. Famoso por ter integrado o Angra, hoje ele é o atual baterista do ótimo Noturnall, e do About2Crash (ambas confirmadas no Rock in Rio). O metal orgânico de "Angel in Black" e o flerte ao hard rock  de "Running in The Dust" foram alguns bons exemplos da boa desenvoltura de palco da banda, que saiu com público gritando o seu nome.

COAL CHAMBER
Foto: Camila Cara
A bela Nadja Peulen atraiu o público no show do Coal Chamber
O Coal Chamber foi a primeira banda que destoou um pouco da programação do Monsters - que dedicou o cast para bandas de hard e metal clássico. Na verdade, ficou a impressão de que eles chegaram ao festival com um atraso de dois anos - deveriam ter ter vindo na edição passada (2013), que teve um dia totalmente dedicado ao nu-metal. Mesmo assim, o grupo serviu de entretenimento a quem procurava agito. "Loco" promoveu um pula-pula geral, e "Drove" (do álbum Dark Days) foi responsável pela primeira roda de pogo do dia. Enquanto o vocalista Dez Fafara tentava injetar adrenalina na performance, a ruivinha Nadja Peulen  - com seu baixo no talo - chamava a atenção dos simpatizantes colados na grade. De todas as bandas do gênero, apenas Coal Chamber e Limp Bizkit nunca tentaram se desgarrar das origens, e talvez por isso, continuem soando honestos até quando não acertam. "Not Living", da fase inicial, é a conjectura perfeita do gênero - que hoje soa ultrapassado para maiores de quarenta. 

MOTÖRHEAD X SEPULTURA
Foto: Camila Cara
Motörhead cancelou o show mas ganhou força da galera do Sepultura
A pior notícia do dia ficou por conta do cancelamento de última hora da apresentação do Motörhead. Segundo um comunicado oficial, o líder do grupo Lemmy Kilmister estaria com problemas de saúde, e foi vetado pelos médicos para que pudesse se apresentar Monsters Of Rock. Na tentativa de diminuir a frustração dos fãs, que souberam da notícia poucos minutos antes do horário estipulado para a banda subir no palco, a produção promoveu um jam com integrantes do próprio Motörhead (Phil Campbell e Mikkey Dee) e do Sepultura (Andreas Kisser e Derrick Green). A união rendeu apenas três músicas: "Orgasmatron", "Ace Of Spades" e "Overkill".


Caso você esteja procurando as resenhas dos shows do MANOWAR, STEEL PANTHER, e YNGWIE MALMSTEEN, clique AQUI, e boa leitura.

A cidade de São Paulo vai tremer neste fim de semana! O festival Monsters of Rock acontece nos dias 25 e 26 de abril na Arena Anhembi e vai reunir nomes como Ozzy Osbourne, Kiss, Motörhead e Judas PriestRealizado no Brasil em 1994, 95, 96, 98 e 2013, a versão nacional do Monsters, criado originalmente na Inglaterra, já reuniu um público de mais de 300.000 pessoas em edições anteriores e trouxe ao país nomes como Black Sabbath, Slayer, Megadeth, Faith no More, Alice Cooper e Iron Maiden. O Monsters Of Rock é considerado o maior festival dedicado aos gêneros do heavy metal e hard rock no Brasil.

Responsável pela realização do evento desde sua primeira edição, a Mercury Concerts promete uma experiência mais do que especial em 2015. Além do line-up, a Arena Anhembi receberá um palco monumental, preparado para se adequar aos mega shows de algumas das maiores bandas do mundo, e toda uma estrutura de diversão e interação que será montada no local para atender ao público presente. Para quem não quer ficar de fora desse encontro histórico, uma boa notícia: ainda há ingressos à venda para os dois dias. Veja todas as informações no final desta nota. 



PROGRAMAÇÃO MONSTERS OF ROCK

25/04/2015 - Sábado


12h00 - De La Tierra

13h05 - Primal Fear
14h20 - Coal Chamber
15h50 - Rival Sons
17h20 - Black Veil Brides
18h50 - Motörhead
20h40 - Judas Priest
22h30 - Ozzy Osbourne 

26/04/2015 - Domingo


12h15 - Dr Phoebes

13h05 - Steel Panther
14h20 - Yngwie Malmsteen
15h50 - Unisonic
17h20 - Accept
18h50 - Manowar
20h40 - Judas Priest
22h30 - Kiss



Monsters Of Rock 2015 - Serviço


Arena Anhembi - Av. Olavo Fontoura, 1209
Horário: 10h00 (abertura de portas)
Ingressos: R$ 700,00 (Pacote para os dois dias, inteira), R$ R$ 400,00 (Ingresso para um dia, 3º lote, inteira).
Vendas online: www.ingressorapido.com.br
Ingresso Rápido: 4003-1212 de Segunda a Sexta das 9h00 às 22h00, e Sábado, Domingos e Feriados das 12h00 às 18h00.
Pontos de venda: www.ingressorapido.com.br/PontosVenda.aspx
Classificação etária: Menores de 16 anos poderão entrar no eventos acompanhados do pais ou dos responsáveis legais.
Informações: social@monstersofrock2015.com.br 

Já estão à venda os ingressos para o Monsters Of Rock 2015, que acontece nos dias 25 e 26 de abril, na Arena Anhembi, em São Paulo. Conforme havia prometido, a Mercury Concerts - produtora oficial do evento em todas as edições - reuniu um line up especial, com 13 atrações de peso. Confira o time: KISS, Ozzy Osbourne, Judas Priest, Motörhead, Manowar, Black Veil Brides, Rival Sons, Primal Fear, Coal Chamber, Accept, Unisonic, Yngwie Malmsteen e Steel Panther.



MONSTERS OF ROCK BRASIL 2015
Data: 25 e 26 de abril, sexta e sábado
Local: Arena Anhembi - Avenida Olavo Fontoura, 1209 – Santana – São Paulo
Abertura dos Portões: 10h
Horário: 13h (primeiro show)

Sábado – 25/04
Ozzy Osbourne, Judas Priest, Motorhead, Black Veil Brides, Rival Sons, Coal Chamber, Primal Fear

Domingo – 26/04
Kiss, Judas Priest, Manowar, Accept, Unisonic, Yngwie Malmsteen, Steel Panther

Ingressos:
Monsters Pass (Passaporte válido para os dois dias do festival) – INGRESSOS LIMITADOS
Inteira – R$ 620,00 (1o Lote)
Meia Entrada – R$ 310,00 (1o Lote)

Ingresso válido para apenas um dia do festival
Inteira – R$ 350,00 (1o Lote)
Meia entrada – R$ 175,00 (1o Lote)

Compra dos Ingressos:
Internet: Ingresso Rápido
Telefone: 4003-1212, de segunda a sexta, das 9h às 22h, e sábado, domingos e feriados, das 12h às 18h.

Ponto de Venda Sem Taxa de Conveniência:
Teatro Tuca
Rua Monte Alegre, 1.024 – Perdizes – ZONA OESTE - São Paulo /SP
Horário de Atendimento: Terça a Sábado das 14:00 às 19:00 / Domingo das 14:00 às 18:00
Formas de Pagamento: Amex, Aura, Diners, Dinheiro, Hipercard, Mastercard, Redeshop, Visa e Visa Electron.

De volta ao Brasil em 2015, um dos mais importantes festivais de rock do mundo, o Monsters of Rock, ocupa a Arena Anhembi, em São Paulo, dias 25 e 26 de abril. Em sua sexta edição no país, o festival trará para o Brasil KISS, Ozzy Osbourne, Judas Priest, e Motörhead

Realizado no Brasil em 1994, 95, 96, 98 e 2013, a versão nacional do Monsters, criado originalmente na Inglaterra, já reuniu um público de mais de 300.000 pessoas em edições anteriores e trouxe ao país nomes como Black SabbathSlayerMegadeth,Faith no MoreAlice CooperOzzy OsbourneIron Maiden Motorhead.

Responsável pela realização do evento desde sua primeira edição, a Mercury Concerts promete uma experiência mais do que especial em 2015. Além do line-up, a Arena Anhembi receberá um palco monumental, preparado para se adequar aos mega shows de algumas das maiores bandas do mundo, e toda uma estrutura de diversão e interação que será montada no local para atender ao público presente.


   MONSTERS OF ROCK 2015   
Data: 25 e 26 de abril, sexta e sábado
Local: Arena Anhembi - Avenida Olavo Fontoura, 1209 – Santana – São Paulo
Abertura dos Portões: 10h
Horário: 12h (primeiro show)

Sábado – 25/04
Ozzy Osbourne, Judas Priest, Motorhead, Black Veil Brides, Rival Sons, Coal Chamber, Primal Fear e De La Tierra

Domingo – 26/04
Kiss, Judas Priest, Manowar, Accept, Unisonic, Yngwie Malmsteen, Steel Panther e Doctor Pheabes

Ingressos:
Monsters Pass (Passaporte válido para os dois dias do festival)
Inteira (Lote 1) - ESGOTADO
Meia-entrada (Lote 1) - ESGOTADO
Inteira (Lote 2) - ESGOTADO
Meia-entrada (Lote 2) - ESGOTADO
Inteira (Lote 3) – R$ 700,00
Meia-entrada (Lote 3) – R$ 350,00

Ingresso válido para apenas um dia do festival
Inteira (Lote 1) – R$ 350,00 - ESGOTADO
Meia-entrada (Lote 1) – R$ 175,00 - ESGOTADO
Inteira (Lote 2) – R$ 380,00 - ESGOTADO
Meia-entrada (Lote 2) – R$ 190,00 - ESGOTADO
Inteira (Lote 3) – R$ 400,00
Meia-entrada (Lote 3) – R$ 200,00


Compra dos Ingressos:
Internet: Ingresso Rápido
Telefone: 4003-1212, de segunda a sexta, das 9h às 22h, e sábado, domingos e feriados, das 12h às 18h.

Ponto de Venda Sem Taxa de Conveniência:
Teatro Tuca
Rua Monte Alegre, 1.024 – Perdizes – ZONA OESTE - São Paulo /SP
Horário de Atendimento: Terça a Sábado das 14:00 às 19:00 / Domingo das 14:00 às 18:00
Formas de Pagamento: Amex, Aura, Diners, Dinheiro, Hipercard, Mastercard, Redeshop, Visa e Visa Electron.