ROCKONBOARD NEWS

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Foto: Alessandra Tolc/ARTS Live Frames
Rodrigo Lima do Dead Fish sobe na grade que separa o público do palco
Por Rom Jom

Mesclando do Punk ao Metal a segunda edição do Maximus Festival foi novamente um sucesso. A escolha das bandas, que mais uma vez foge do convencional de bandas mainstream de festivais, conseguiu juntar um público bem heterogêneo no imenso Autódromo de Interlagos que pode não só curtir diversos estilos de música mas como a estrutura que contou com muitas lojas, food trucks, workshop de instrumentos (alguns disponíveis para o público tocar), muitas estruturas metálicas com o tema do festival para foto (algumas contavam com modelos vestidos ao estilo “Mad Max”), os horários dos shows podiam ser gravado no corpo como uma tatuagem temporária, decorações sombrias (sinistras até) que lembravam artes de cds de metal da década de 80 bem sombrios e até um cemitério dos rockers no caminho do palco Thunderdome com cruzes trazendo o nome de artistas mortos como os Ramones, Amy, Lemmy, David Bowie dentre outros. Apesar de toda a estrutura um problema ainda persiste desde a edição anterior (que foi relatado aqui na primeira edição) sobre os banheiros químicos, o feminino em especial, onde se formam filas imensas por conta do número bem reduzido e o festival possuir apenas uma entrada/saída bem distante dos palcos principais causando congestionamento as vezes na circulação do público. Porém este não abona o fato do festival ter sido excelente e funcional. Mas o que rolou foi muito som bom! Vamos contar um pouco do que vimos:
Foto: Alessandra Tolc/ARTS Live Frames
Pennywise fez um show concorrido no Palco secundário do Maximus Festival
O festival possui três palcos Maximus e Rockatansky (que ficam lado a lado) e Thunderdome que fica um pouco mais afastado dos gigantes principais – lembrando que todos os shows foram pontualíssimos. Este último trouxe um “mundo a parte” abrigando, como muitos disseram, um Festival de Punk e Hardcore particular – muitos presentes vieram somente para este palco - com bandas como os capixabas do Deadfish – que como sempre comandaram muitas farpas políticas com sons já conhecidos como “Proprietários do Terceiro Mundo”, “Afasia” e “Sonho Médio”, o punk rock melódico dos canadenses do The Flatliners, os já conhecidos em terras Brasileiras, Pennywise que fez um verdadeiro show de punk com todos seus clássicos (que tambem teve até espaço para uma homenagem aos Ramones com “Blitzkrieg Bop”) que incluíram “Wouldn,t It Be Nice”, “Peaceful Day”, “Alien” e finalizaram ao som do coro de “Bro Hymn”. E fechando os trabalhos deste palco tivemos a apresentação enérgica (e que energia) do Rise Against que não pouparam esforço com músicas que não davam descanso em momento algum. Exemplo disso temos as “Ready to Fall”, o momento do Tim vocalista solto sem guitarras na porrada “Give It All” e o sucesso “Savior” para tirar o último suspiro.
Foto: Alessandra Tolc/ARTS Live Frames
Red Fang agradou o público que ainda chegava no Autódromo
O público ainda estava chegando ao evento embaixo de um sol bem quente quando o Red Fang abriu o palco Maximus com seu stone rock pesado quebrando um jejum de 2 anos após sua última vinda a capital Paulista. Apesar de um repertório enxuto, porém de extremo bom gosto, de sete músicas que incluíram faixas de todos os seus trabalhos como a abertura arrebatadora com "Blood Like Cream" do álbum “Whales and Leeches’’ de 2013, que fez muitos correrem para conferir o show que acabava de começar, “Malverde” do álbum “Murder the Mountains de 2011 e "Crows in Swine" sequenciaram este inicio de forma forte. As músicas possuem uma atmosfera que foi criada para lugares menores, porém, preenchem o lugar de uma forma única. As guitarras de Bryan Giles (e seus bons vocais) e David Sullivan possuem uma pressão absurda enquanto Aaron Beam com seu baixo faz uma cozinha ótima com John Sherman na bateria. O público que a banda adquiriu com seus álbuns e shows por aqui chamam a atenção; todos cantam as músicas. “Flies” do seu último álbum lançado no final do ano passado, “Only Ghost”, também marcou presença no repertório e empolgou bastante. A banda finalizou com “Prehistoric Dog”, que possui uma entrada com guitarras tão boas que ficam melhores do que em estúdio. Bryan disse para este site em uma entrevista na semana passada que queria angariar novos fãs com este show. Este objetivo foi alcançado.
Foto: Alessandra Tolc/ARTS Live Frames
Hatebreed fez um dos melhroes shows do Maximus Festival
O Hatebreed subiu ao palco para fazer um verdadeiro show de hardcore para ninguém colocar defeito. Jamey Jasta e seus amigos de banda provocaram o caos e esquentaram ainda mais o público que já sofria do calor do sol naquela hora. E ninguém se importou. O início arrebatador de “To The Threshold” com a violenta e “Destroy Everything” assinou o que seria a apresentação. O show não dava descanso. As músicas não tinham intervalo e o vocalista comanda uma sucessão de rodas, palmas e gritos. A galera conhecia tudo inclusive as músicas do seu último trabalho “The Concrete Confessional” de 2016 como foi o caso de “Looking Down the Barrel of Today” “Tudo bem São Paulo? Agora é a hora da verdadeira Moshpit” disse antes de anunciar a música. Músicas como “Last Breath” e “I Will Be Heard” deixa bem claro as suas influencias que passam do Metal Extremo ao Hardcore. A banda com um pouco mais de 20 anos de estrada e dez álbuns de estúdio se fortalece a cada show por aqui, arrematando cada vez mais fãs e seguidores. Que show!
Foto: Alessandra Tolc/ARTS Live Frames
Pouco conhecida por aqui, Böhse Onkelz não despertou o interesse do público geral
Em seguida a banda alemã Böhse Onkelz, não tão conhecida por aqui, apresentou seu som de punk rock oitentista com algumas influencias ainda do rock alemão, assim digamos. A banda nascida nos anos 80 tinha interrompido suas atividades por nove anos até que em 2014 voltaram para uma série de shows. A banda não atraiu muito a atenção do público, já que o festival tinha muitos outros bons nomes pela frente.
Foto: Alessandra Tolc/ARTS Live Frames
Ghost apresentou aos fãs uma nova faceta de seu metal "do mal"
O Ghost deixou toda a teatralidade das suas últimas apresentações por aqui. O clima sombrio esteve presente apenas em suas músicas, pois, o sol ainda estava a forte quando a banda subiu ao palco. E além disso os integrantes parecem estarem mais soltos, principalmente os guitarristas que batem cabeça e tocam com mais clamor, e isso não se restringe apenas para eles; a banda inteira parece interagir mais. O que antes tínhamos a atenção voltada somente para o então “Papa Emeritus” e sua vestimenta acompanhada pelos demais, hoje, a banda se firma pela força das suas canções. E ótimas por sinal. Com o repertório praticamente baseado em seu último trabalho “Meliora” de 2016 tivemos as belíssimas “Square Hammer”, com vocais excepcionais, e “From The Pinnacle To the Pit”, com aquele baixo marcante do início, “Cirice”, que possui um início quase fúnebre mas ganha uma energia surreal quando a canção progride, e anunciada como “Vocês querem uma música realmente pesada?”  “Mummy Dust” que na opinião de quem escreve, foi a melhor canção do show pela interpretação vocal e guitarras. A música realmente merece uma atenção de quem ainda não a conhece. E ainda tiveram as canções mais antigas como a clássica “Ritual” e “Year Zero. Os suecos saíram do palco distribuindo beijos ao público. E a recíproca foi ainda maior dele para a banda. Tenha certeza.
Foto: Alessandra Tolc/ARTS Live Frames
De volta ao Brasil, Rob Zombie fez show mediano no Maximus Festival
O metal industrial do Rob Zombie e sua trupe subiram ao palco embaixo do sol forte. Isso estragou todos os efeitos visuais que o artista possui para completar seu som. Rob subiu entusiasmado como de costume vestindo uma roupa que mais parecia um zombie cowboy platinado, e suas colegas quase na mesma vibe; mascaras e roupas de horror (horrendas). O show não empolgou tanto de início e o cantor e sua banda suaram para conseguir fazer o público se mexer. As primeiras faixas que incluíram “Dead City Radio and the New Gods of Supertown” e “In the Age of the Consecrated Vampire We All Get High” do último trabalho 'The Electric Warlock Acid Witch Satanic Orgy Celebration Dispenser' de 2016 soaram muito fracas para um início que deveria ser bombástico (ou a intenção). Até quando “Living Dead Girl” – antológica do álbum de estréia “Hellbilly Deluxe” de 98 - foi tocada não teve tanto efeito. Mas depois de muito esforço, até mesmo do performático guitarrista John 5, a banda conseguiu “salvar” o show com clássicos como “More Human Than human”, “Thunder Kiss ‘65” que teve um medley com “School’s out” da sua grande influência Alice Cooper, e a finalização com sua mais famosa faixa “Dragula”.
Foto: Alessandra Tolc/ARTS Live Frames
O vocalista Ivan Moody comandou a galera no bom show do Five Finger Death Punch
A apresentação do Five Finger Death Punch foi uma das mais concorridas no Maximus Festival. A banda, que se apresentou dias antes no Rio e BH, entrou no palco ao som de "Mad As Hell" e começou a pancadaria com "Lift Me Up". Logo na primeira música já era possível ouvir todos cantando junto com o vocalista Ivan Moody e as rodas de pogo tomaram conta do local. Além de pancadas de álbuns mais antigos, como "Never Enough", do primeiro disco 'The Way of the Fist' (que completa uma década de lançamento)-, ainda rolou o já esperado cover de Bad Company. O show só esfriou um pouco em "Remember Everything", que foi apresentada em formato acústico, mas teve o coro da galera cantando juntinho na grade. Durante todo o show, os integrantes interagiram com o público fazendo piadas e incentivando o pogo nas rodas. De resto foi uma sessão de catarse coletiva que chegou ao fim na trinca poderosa "Coming Down", "Under And Over it" e, lógico, "The Bleeding". A banda deixou o palco aclamada pelos fãs ao som de "The House Of the Rising Sun".
Foto: Alessandra Tolc/ARTS Live Frames 
Dupla pesada: Gary Holt e Kerry King em ação no Maximus
Brutal. Violento. Agressivo. Pesado. Faltam adjetivos para descrever o que foi o Slayer. O lugar era tomado de blusas pretas da banda por todo o dia. A espera pelo show era bem grande. E o que falar da banda de thrash metal mais pesada do planeta? Nada. Decanos de palco Tom Araya comandou o verdadeiro inferno no Maximus. A banda pouco falou com o público, na realidade, nem precisou. A escolha do repertório foi perfeita para saciar os fãs que tanto esperaram. A abertura violenta de “Repentless”, “Discipline” e “Postmortem” do albúm que é uma lenda do metal mundial 'Reign in Blood' de 1986 do não deixou pó sobre pó das inúmeras rodas de pogo que se formaram. Kerry King e Gary Holt possuem uma sinergia brutal absurda inigualável! O que pode ser dito da abertura de “Dead Skin Mask” e os riffs de “War Ensemble”? Novamente: nada. A dimensão da agressividade não é medida com tantas músicas que parecem que foram escolhidas a dedo para o evento: “Mandatory Suicide”, “Seasons in the Abyss” com todos cantando em coro e “Hell Waits” que pareceu ainda mais pesada ao vivo fechou a primeira parte do show. O bis não poderia ser mais aclamado e violento com “South of Haven” tirando berros da multidão em transe, “Raining Blood” fez do lugar uma única roda de pogo que os de fora só tinham como bater cabeça bem espremidos quando ainda teve “Black Magic” e a finalização com nada mais que “Angel of Death”. Mais perfeito, impossível.
Foto: Alessandra Tolc/ARTS Live Frames
Tom Morello fez todo mundo pular com sons do Rage Against The Machine
O Prophets of Rage finaliza sua turnê em grande estilo em solo nacional. A banda já tinha tocado em São Paulo e no Rio de Janeiro na última semana, porém, não em um festival. O supergrupo não apresentou novidades quanto ao repertório, mas isso não quer dizer que não foi uma grande apresentação. Foi uma apresentação surreal! Tom Morelo e seus companheiros de RATM com DJ Lord e o rapper Chuck D (Public Enemy)  e o rapper B-Real (Cypress Hill) renasceram os clássicos das bandas que fizeram parte, em especial, do RATM. Tom, como sempre, esteve presente com seus atos politizados, desta vez, usou o boné do MST e para enfatizar mais o “Fora Temer” atrás de sua guitarra foi exibido por algumas vezes levantando o coro em som uníssono. As músicas marcantes do festival se deram ao som de “Testify” do albúm “The Batlle of Los Angeles” de 1999 do RATM, que do mesmo álbum, ainda saíram “Guerrilla Radio”, com uma potência extrema com o público e “Sleep Now in the Fire” que possui uma catarse incrível com o tema e a atualidade política do Brasil. “People of the Sun” e “Bullet in the Head” fixam ainda mais a fúria das músicas do RATM quanto a expectativa do público em ouvi-las. E não tão distantes de deixar o público satisfeito, as rappers ainda animaram com medley de suas antigas bandas que incluiu trechos de “Hand on the Pump/Can’t Truss It/Insane in the Brain/Bring the Noise/I Ain’t Goin’ Out Like That/Welcome to the Terrordome/Jump Around” bem perto da galera, sim, na grade cumprimentando todos os próximos. Por ser uma banda que entrou em uma causa política não tiveram tempo em estúdio para gravar um trabalho, mas mesmo em turnê já toca suas músicas novas como foi o caso de “Unfuck the World”, super bem recebida pela plateia que se batia a cada música tocada. O fim se deu com “Bulls on Parade” do “Evil Empire” de 1996 (importante enfatizar que algumas músicas pedem aquele vocal de Jack. E este é o caso) e a matadora “Killing in the Name” que saciou a todos os presentes com um verdadeiro tributo político e ao RATM.
Foto: Alessandra Tolc/ARTS Live Frames
Chester Bennington comanda o Linkin Park com a bandeira do Brasil no fundo
O Linkin Park não é mais aquela banda de 20 anos atrás. Se reinventou. E isso ficou bem claro nesta noite. Os antigos fãs com certeza estranharam o que aconteceu neste show. Claro que podemos dizer que a banda se encontra na sua melhor fase sonora, até porque, a maturidade leva a isso, muitos dizem. Mas está além do que podemos ver. Em uma entrevista recente a este site o guitarrista da banda afirmou que o último disco da banda, que será lançado na próxima semana, é algo pessoal; que vem do coração. Sabendo disso, posso revelar que não foi só no CD que o coração foi sugado em forma de inspiração. Alguns dirão que a banda fez a parte inicial do show de forma branda, sem sal ou sem graça com faixas como “The Catalyst” e “Westelands”. Lembre-se: o frenesi adolescente foi diminuindo ao longo dos anos em seus álbuns, mas não a capacidade musical dos caras. Podemos reparar os vocais, ainda mais evoluídos de Chester em músicas clássicas como “Crawling” em uma versão linda somente com órgão, onde se destaca ainda mais sua capacidade vocal, e seu parceiro Mike Shinoda também não fica atrás com seus versos lançados em forma de rap como em “In the End” e “Burn it Down”. As novas músicas desfilam um tanto quanto só dentro do repertório, mas agrada uma boa parte dos presentes. “Good Goodbye” do novo álbum “One Step Closer” fica um pouco “fora” do contexto utilizado no repertorio pela banda. Talvez por ter uma falta absurda de guitarras e explosões pós refrão muito utilizado pela banda como faz em “Breaking in the Rabbit” bem próximo da execução da faixa. Ainda que o inicio do show não tenha sido impactante, o final da apresentação fez todos pularem bastante com “Faint”, “Numb” e Papercut” - uma sequência que só foi esfriada com o novo som “Heavy”, que como Mike disse “não estranhem, mas essa música não tem peso como o nome, mas é uma bela música nova”. Mesmo reinventado e tentando novos rumos em seu som o Linkin Park fez um show digno e que talvez não tenha agradado todos - principalmente aqueles que não entenderam que o tempo passa.
Foto: Divulgação
Formação do Dead Cross com Patton, Crain, Lombardo e Pearson
Mike Patton e Dave Lombardo estão juntos em nova parceria. A banda leva o nome de Dead Cross, e conta também com o baixista Justin Pearson e o guitarrista Michael Crain, ambos do grupo Retox. Essa é a segunda vez que Patton e Lombardo assinam um mesmo projeto. Em 1999 eles se juntaram para formar o Fantômas, banda de grindcore / experimental que também contava com Buzz Osborne do Melvins. Lombardo, que esteve no Brasil recentemente como baterista da nova turnê do Suicidal Tendencies, lançou 4 álbuns com o Fantômas antes de retornar ao Slayer. Desta vez, foi o baterista que convidou Patton a se juntar ao projeto, que inclusive, será lançado pelo selo Ipecac Recordings, dirigido pelo vocalista do Faith No More. Em entrevista ao site Rolling Stone, Patton disse ter sido pego de surpresa pelo convite, mas não pensou em recusar. Para o vocalista, o debut do Dead Cross é um disco de hardcore tradicional, que ele realmente gostaria de poder cantar. Ele completa:
É muito apontado, direto e visceral. De certa forma, isso me lembra coisas que nós todos amávamos quando éramos adolescentes. Tipo bandas como Accüsed, Deep Wound ou Siege, coisas que eram apenas brutais, intransigentes e diretas ao ponto.
Oficialmente, o disco de estreia do Dead Cross tem data de lançamento prevista para o dia 4 de agosto. Ele foi produzido pelo renomado Ross Robinson e o título do disco é homônimo. Para ajudar na divulgação, a Ipecac liberou a inédita "Grave Slave" - que pode ser ouvida AQUI.
Foto: Rodrigo Simas/ARTS Live Frames
Mike Muir mandou recado aos políticos brasileiros em noite inesquecível no Rio
Por Rom Jom

Quem compareceu ao Imperator na última quinta-feira para assistir um verdadeiro show de hardcore skate protagonizado por nada mais do que Suicidal Tendencies teve o que procurava. A casa não se encontrava tão cheia, porém, contava com a verdadeira “suicidal family” no qual atingia todas as gerações. E a noite prometia ser uma grande surpresa para todos.

Sem delongas, Mike Muir entrou no palco acompanhando dos seus amigos de banda e executou sem dó a acelerada - e forte - “You Can’t Brig Me Down”. O público reagiu com uma roda de pogo que tomava a maior parte da pista. Não podemos deixar de registrar também, que quem acompanha a banda na bateria nesta turnê é Dave Lombardo, um dos fundadores do Slayer. A técnica de Lombardo se encaixa perfeitamente à rapidez das músicas do Suicidal. Isso ficou nítido em “Freedumb”, por exemplo, onde teve até espaço para uma parada com pedal duplo. Evidente que não o crossover do ST não tem nada a ver com o thrash metal que ele segurou por anos no Slayer ou o grindcore apresentado em bandas como Fantômas (que ele é o baterista original), mas o crescimento sonoro imposto pelo baterista veio forte na rapidez de “I Shot Reagan” e na dobradinha feroz de “War Inside my Head” / “Subliminal”. O público pôde sentir este feeling contagiante por toda a apresentação que teve o conjunto de guitarras pesadas da dupla Dean Pleasants e Jeff Pogan e o groove de Ra Diaz no baixo - o chileno tentou interagir com o público em vários momentos utilizando um “portunhol”.
Foto: Rodrigo Simas/ARTS Live Frames
Dave Lombardo (fundo) comandou a locomotiva sonora do Suicidal Tendencies
Mike, o único membro original da banda, comanda como ninguém a animação e o discurso político. Sim, teve até um recado para os políticos brasileiros: “Vocês merecem ter um país digno e com políticos melhores! Não devem ser famosos somente por ser o país das olimpíadas ou copa do Mundo”, disse antes de “Clap Like Ozzy”, faixa do último, e bom CD: 'World Gone Mad', lançado no ano passado.

Em “I Saw Your Mommy” o público é convidado a subir no palco e tudo o que acontecia no chão foi para o palco - incluindo uma roda de pogo. Um momento marcante para muitos que puderam assistir Mike ao lado de Dave descendo a mão na bateria. Após o fim todo mundo retornou aos seus lugares e ainda foram presenteados com “Cyco Vision” – muito mais rápida que a versão original. Ainda teve a antológica “How Will Laught Tomorrow” antes de “Pledge Your Allegiance” finalizar a apresentação onde o público mais um a vez foi convidado ao palco para ficar com a banda, desta vez até o show ser finalizado.

Depois de toda essa festa foi bem fácil ver a satisfação do público. Não importa quantas vezes alguém já viu uma apresentação do Suicidal Tendencies, porque, por experiência, eles sempre irão surpreender. 
Foto: Camila Cara
Estrutura de 2016 com palcos lado a lado será mantida
O Maximus Festival 2017 acaba de fechar seu line up ao confirmar mais seis bandas que se apresentarão em Interlagos, no dia 13 de maio. Na segunda edição do Maximus Festival, você poderá assistir aos ícones do rock alemão Böhse Onkelz, no palco Maximus; a banda americana Hatebreed e a brasileira Nem Liminha Ouviu, no palco Rockatansky, e também The Flatliners junto aos brasileiros Dead Fish e Oitão, no palco Thunderdome.

O festival já havia confirmado outras nove atrações: no palco Maximus, o headliner Linkin Park, Slayer, Rob Zombie e Red Fang; no palco Rockatansky, o headliner Prophets of Rage, Five Finger Death Punch e Ghost; e no palco Thunderdome, o headliner Rise Against e também Pennywise.

Em 2016, no dia 07 de setembro, São Paulo sediou a primeira edição do Maximus Festival [saiba como foi AQUI], que nasceu com o propósito de se tornar uma referência para os novos cenários do rock mundial. Os 25 mil fãs presentes viveram a incrível experiência de estar em um festival de padrão internacional, com quase 12 horas de som, 11 bandas internacionais e quatro nacionais que se revezaram nos três palcos, além de aproveitarem as opções de entretenimento, gastronomia e diversão montadas em uma área de 200 mil metros quadrados em Interlagos.

A nova edição do Maximus Festival repetirá a configuração do evento de 2016, com os palcos Maximus e Rockatansky, montados lado a lado, estrutura que foi completamente aprovada pelo público. Também retorna o sistema de pagamento Cashless, que eliminou as filas, dando mais conforto aos consumidores. Uma grande novidade na edição 2017 será a escalação das bandas que se apresentarão no palco Thunderdome, que será inteiramente dedicado ao hardcore.

Seguindo a tradição de grandes festivais como o Wacken e o Hellfest, a Move Concerts e as 2,5 mil pessoas que trabalharam na organização da primeira edição do Maximus Festival apostam suas fichas na qualidade e na construção lenta e cuidadosa do evento para que se torne o “irmão” sul-americano desses festivais poderosos, o melhor festival de hard rock em nosso continente, mas com as cores e os temperos latinos.

No sábado, dia 13 de maio de 2017, um novo capítulo desta história será escrito, com a realização da segunda edição do Maximus Festival. Tudo embalado pelo mesmo cuidado com as atrações especiais de gastronomia, entretenimento e diversão que transformaram em um enorme sucesso a primeira edição do evento.

Ainda existem ingressos à venda no site Livepass.com.br. Os valores iniciais vão de R$ 220 a R$ 800 reais. O festival conta com o patrocínio da SKY e da BUDWEISER e apoio do MONSTER energético. Confira mais informações no serviço abaixo.
Foto: Divulgação
Slayer volta ao Brasil em 2017 para o Maximus Festival
Com uma carreira que abrange mais de três décadas, a icônica banda Slayer está confirmada para se apresentar no palco Maximus, assim como os conterrâneos norte-americanos: o músico, diretor de cinema, roteirista e produtor de filmes, Rob Zombie, e a banda de heavy metal, de Portland, Red Fang. Papa Emeritus e a banda sueca de heavy metal Ghost também estão confirmados e subirão ao palco Rockatansky. Os punk rockers californianos do Pennywise se apresentarão no palco Thunderdome. Anteriormente, o festival já tinha anunciado as bandas Linkin Park, Prophets Of Rage, Five Fingers Death Punch e Rise Against para a edição de 2017.

A primeira edição do Maximus Festival aconteceu este ano, no dia 07 de setembro em São Paulo. 25 mil pessoas estiveram no Autódromo de Interlagos para curtir quase 12 horas de som, 11 bandas internacionais e quatro nacionais que se  revezaram em três palcos [saiba como foi AQUI]. A próxima edição do festival está marcada para o dia 17 de maio de 2017, no mesmo local.

Os ingressos começam a ser vendidos no dia 19 de dezembro, às 10 horas, no site Livepass.com.br. Os valores iniciais vão de 220 a 800 reais. O festival conta com o patrocínio da SKY e da BUDWEISER.

Mais informações em breve!

SLAYER

Repentless

Nuclear Blast; 2015

Por Lucas Scaliza


Qual é o disco do Slayer que vem a sua mente quando a banda é citada? Reign of Blood, com certeza. O álbum é um top of mind do thrash metal mundial, e nada mudará isso. Mas aqueles dias de 1986, em que o álbum foi lançado e parecia violento, pesado e inovador já é história. 

Já fazem seis anos desde que o Slayer mostrou o seu último - e bom - disco, World Painted Blood, e a expectativa por um novo trabalho de inéditas era grande. Ainda mais porque Repentless marca a discografia da banda por ser o primeiro registro sem o guitarrista Jeff Hanneman, falecido em 2013. Ele foi substituído por Gary Holt, do Exodus. Já o monstro das baquetas, Dave Lombardo, deu lugar a Paul Bostaph - um velho conhecido da banda.

Pelo que se mostra neste novo trabalho, a banda de Tom Araya e Kerry King ainda tem muita coisa para apresentar e não dão indícios de que este será um disco de encerramento - como a banda chegou a dizer em 2008. Mesmo assim, é sempre bom constar que estamos presenciando a primeira geração do thrash chegar a uma idade considerável, e o caso de Lemmy Kilmister liga um sinal de alerta para a turma veterana que roda o mundo destilando peso. Seja como for, Repentless precisa ter um sucessor. Ele é forte, pesadão e tem uma capa profana que de forma alguma anuncia o final de um grupo que criou um estilo de metal junto do Metallica, do Anthrax e do Megadeth.

Repentless” é a faixa previsível e acelerada de sempre, com uma boa parte melódica. O nível extremo de palhetada dá as caras em “Take Control”, com o característico zumbido belzebuíno dos pedais de distorção. “Vices”, cuja mixagem está bem seca, demonstra o poderio de Bostaph para arranjar. “Cast The First Stone” é o Slayer criando uma atmosfera 'metaleira' das boas antes de despejar riffs e porradas nervosas feito um boxeador. “When The Stillness Comes” é a faixa lenta do álbum que muitos fãs gostam de criticar, mas é preciso ver além do óbvio: ela permite arranjos mais sombrios e o andamento lento soa ameaçador e sorrateiro, permitindo que a faixa seja menos linear que as demais do álbum. Além disso, é Kerry King tocando as partes mais melódicas e trabalhadas, uma função que anteriormente foi feita por Hanneman, deixando só o peso para King. “Chasing Death” pode ser até uma das mais lineares aqui, mas ficou boa. “You Against You” é a faixa com as loucuras de que King gosta, com uma guitarra cheia de desvios e de efeitos de expressão que distorcem ainda mais as notas.

Diferente do Lamb of God - que tem um approach mais moderno do metal -, o Slayer sempre optou por se manter bastante ligado às raízes do estilo, e Araya, apesar da raiva e da performance toda ao vivo, sabe cantar rasgado e de forma bem crua, mas sem precisar distorcer a voz ou usar vocais guturais. Sua voz continua clara como sempre foi para todas as letras violentas que canta, o que significa que ouvimos perfeitamente e sem sombra de dúvida os palavrões, críticas e blasfêmias que fazem parte das composições da banda.

Piano Wire” e “Atrocity Vendor” colocam uma secura quase punk no metal do Slayer, faixas perfeitas para uma execução ao vivo direta e cheia de energia. E antes que os riffs supergraves de “Pride In Prejudice” dominem a faixa, é Bostaph quem brilha mais uma vez. A forma como a bateria improvisa fraseados neste e em outras faixas constitui vários dos melhores momentos do álbum.

Se com Hanneman a gente já esperava um típico Slayer em ação, sem ele ficou improvável que a banda traria alguma diferença estilística mais marcante. O trabalho poderia ser melhorado em vários aspectos, sobretudo na produção, que parece um pouco crua demais, como se a mixagem final tivesse sido apressada e um pouco descuidada. Com tudo, o efeito final é mais cru, e ressalta o peso e o jeitão old school da banda.

Uma das melhores coisas de Repentless é sua capa: no primeiro plano, o rosto de um Jesus Cristo derretendo em lava e enxofre. A seu lado, um demônio caçando outro demônio. Atrás dele, notamos um pentagrama invertido. Um homem crucificado à esquerda, uma cruz invertida à direita. O criador dessa capa é o brasileiro Marcelo Vasco, fã do Slayer. Ele é experimentado nas artes metaleiras e já fez capas para discos do Dimmu Borgir, Obituary, Cavalera Conspiracy, Dark Funeral, Soulfly, Machine Head, entre outras.
Foto: Dave Lombardo

"Fui Maltratado no Slayer!"


Por Bruno Eduardo


Dave Lombardo, o eterno baterista do Slayer, chega ao Brasil para uma série de dez apresentaçõesAtualmente ele é integrante da banda Philm, que tem um novo disco na praça, e ensaia uma volta aos palcos com o Fantômas - que vem sendo sondado por produtoras da América do Sul. Em exclusiva ao Rock On Board, Dave falou sobre sua carreira, sobre os show no Brasil, e como é ser considerado um dos maiores bateristas de todos os tempos.


Dave, fale sobre os workshows você vai apresentar no Brasil. Como surgiu a idéia? 


Fui contactado pelo Felipe Mascarenhas (Rock Free Day) para fazer uma turnê clínica no Brasil. Eu fiquei muito animado com a oportunidade, porque eu vou poder passar mais tempo do que o normal no país. Eu sempre tive um grande apoio dos fãs no Brasil, e ter a capacidade de passar um tempo com eles compartilhando conhecimento é algo incrível na minha vida. Os workshows possuem um formato muito aberto e espontâneo. Vou tocar algumas músicas, fazer alguns solos e, em seguida, abrir espaço para um Q & A ... e depois tocar um pouco mais. Vai ser um grande momento! 


Na minha opinião, esses eventos são uma maneira muito imediata para os fãs poderem interagir com seus ídolos - mesmo que a acessibilidade às mídias sociais como Facebook, Twitter, etc tenham ajudado a diminuir esse distanciamento. Isso ainda se faz importante para você? 


Sim, é muito importante. Os fãs têm me permitido ganhar a vida fazendo o que eu mais amo. É uma sensação incrível poder passar um tempo com eles e tirar suas dúvidas. Eu amaria poder ter essa chance de um dia ter testemunhado alguma clínica dos meus bateristas favoritos, ou por ter tido a chance de me comunicar com eles, mesmo que online. Ter estas diferentes plataformas de conhecer alguém que te inspira não é apenas emocionante, mas oferece um pouco de clareza sobre quem eles realmente são. 


Você é grande referência para bateristas consagrados como Iggor Cavalera e Joey Jordison. Como você lida com isso hoje? 


Eu sei tanto de Igor e Joey ... ambos são muito talentosos bateristas. Sou honrado por ser considerado uma referência para eles. Para lidar com isso, eu me comprometi a continuar melhorando sempre. Eu fico mais criativo possível e estou sempre em atividade. Espero poder continuar a ser uma forte referência para muitos anos vindouros. 


Como você vê essa nova geração de bateristas? 


Bem, há definitivamente alguns bateristas qualificados lá fora. Mas no estilo que eu sou mais conhecido, há poucos que se mantém fiel no que eu considero ser o melhor para a arte. Os computadores assumiram. Gostaria que mais bateristas aprendessem da mesma maneira que eu... pelo jeito difícil. Você tinha que manter o tempo natural, tinha que ser realmente conciso. Os Bells e assobios definitivamente vêm a calhar, mas as drum machines não têm alma. 


Não podemos fazer uma entrevista como esta sem falar sobre Slayer, podemos?


Claro que podemos! (Risos)


Falando especialmente sobre a sua súbita 'partida' da banda no ano passado, e aproveitando que agora a poeira baixou um pouco, como você diria que Dave Lombardo foi tratado nesse caso? 


Diria que ele foi maltratado durante todo o período que esteve de volta à banda! Mas nós não podemos voltar atrás, então por que olhar para trás? 


E qual é o status do Fantômas hoje? Ouvi rumores de que a banda pode tocar na América do Sul este ano.  


Eu ouvi esses mesmos rumores. Eu adoraria que isso acontecesse. Até onde eu sei, nada está confirmado na América do Sul ainda. Falei com Mike Patton recentemente, mas não temos nada agendado para a banda até o momento. 


Por falar em Fantômas, em uma entrevista antiga, Mike Patton disse que o álbum Suspended Animation é extremamente difícil de ser tocado ao vivo por qualquer banda. Você acha que, de todos os álbuns que você gravou na sua carreira, este é o mais difícil de tocar ao vivo? 


É absolutamente o mais difícil! Concordo plenamente com Mike. E aproveito para dizer que eu amo esse álbum. 


Gostaria que você falasse da experiência em tocar no PHILM. Como é um projeto tão diferente do que você fazia em outras bandas, podemos dizer que ele representa todos os desafios específicos que você procura na carreira? 


Cada projeto é extremamente diferente, e me desafia de alguma forma nova e interessante. PHILM é um projeto muito agradável para mim. É algo que vem rolando na minha cabeça por anos. Há uma liberdade com esta banda. Não temos regras ou limites. Nós escrevemos o que sentimos sem levar em conta o que é popular ou esperado. O maior desafio é encontrar um público que ouve com a esperança de descobrir algo novo e inovador. Não apenas aqueles que querem apenas encontrar mais uma banda de trash metal. Quando eu ouço novas bandas, a maneira mais rápida de me desligar é tocar algo familiar.


Inclusive há um segundo álbum, não é isso? O que você pode dizer de "Fire From The Evening Sun"? 


Fire From The Evening Sun é um álbum muito emocionante. Ele tem 12 músicas. Não há muitas improvisações como em nosso primeiro álbum. Ele tem uma sensação mais estruturada. Nós exploramos muitos estilos musicais de Thrash, Funk, Punk, e vários outros. É um álbum muito pesado tanto melodicamente quanto liricamente. É um trabalho único, mas que ao mesmo tempo soa muito familiar. Fãs de Thrash vão ouvir o que eles perderam de mim, mas aqueles que procuram algo diferente, poderão apreciar os riscos que corremos. 


E como Dave Lombardo faz dele mesmo um um baterista melhor? 


Estou constantemente aprendendo. Lanço-me em novas oportunidades todos os dias. Eu me desafio constantemente. Eu acredito que é assim que você se torna melhor; Nunca tornar-se complacente. 



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Dave Lombardo, um dos bateristas mais conceituados do rock, estará no Brasil entre agosto e setembro promovendo workshops. A Rádio Rock Freeday anunciou que ainda há 8 datas a serem preenchidas entre o fim de agosto e o início de setembro, e que os produtores interessados podem entrar em contato com Felipe Mascarenhas e Alexandre Afonso (ver contatos abaixo). Dave Lombardo é conhecido por ter feito parte do Slayer, e por ser baterista oficial do Fantômas (projeto paralelo de Mike Patton). Cubano de nascença, Dave migrou para os Estados Unidos, onde fez parte do Slayer - ele saiu da banda em 2013. Atualmente ele é integrante da banda Philm.
Contatos:
Alexandre Afonso
contato@rockfreeday.com.br / rockfreeday@gmail.com
Tels: 55 71 8874 7900 / 55 71 9295 9471