ROCKONBOARD NEWS

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Foto: Divulgação
Led Zeppelin reunido em sua fase Physical Graffiti
Por Lucas Scaliza

Que o Led Zeppelin é considerado uma das maiores bandas de rock que o mundo já viu, é fato. Mas é incrível como eles ainda continuam influenciando gerações e gerações de artistas contemporâneos. Embora se comente muito sobre os quatro primeiros álbuns do grupo, é necessário olhar com mais cuidado para o que veio depois, especialmente para este Physical Graffiti, que completa quarenta anos de rock cósmico, habilidoso e transcendental.

Physical Graffiti pode não ser um trabalho conceitual, mas ele é chamado de “mãe” de todos os discos duplos que vieram em seguida, visto que não era muito comum lançar um álbum de inéditas assim tão longo (e tão caro de se produzir) naquela época. Mas a banda achou que seria um bom formato quando as oito novas músicas compostas ultrapassavam o tempo médio de um LP. Daí, juntaram estas a outras canções gravadas desde 1970 que acabaram não entrando em seus discos anteriores: uma de Led Zeppelin III (1970), três de Led Zeppelin IV (1971) e mais três de Houses of The Holy (1973). Ele pode não ser o trabalho mais repleto de clássicos da banda, porque essa não era a sua proposta. Mesmo assim, tem rock de sobra (“Custard Pie”, “The Rover”, “Houses of the Holy”, “Sick Again”), baladas (“Down By The Seaside”, “Ten Years Gone”), aquele rock clássico e divertido que você adora (“Boogie With Stu”, “Black Country Girl”), funk rock (“Trampled Under Foot”), sem falar nas épicas “Kashmir” e “In The Light” e na folk “Bron-Yr-Aur”.

Para quem não sabe, Robert Plant, Jimmy Page, John Paul Jones e John Bonham voltaram a Headley Grange, no interior da Inglaterra, para gravar este disco - o mesmo local que gravaram o lendário Led Zeppelin IV. Uma casa grande em que podiam morar por um tempo, tocar tudo o que quisessem, gravar com os equipamentos que já estavam por lá e não pagar por esse serviço em um estúdio. Livres para criar, o quarteto estava fazendo um disco ambicioso. 

“Estávamos forçando os limites da música e sabíamos disso. E nesse álbum […] a coisa toda está cheia de personalidade, tipos de afirmações sobre música, e alguns são realmente inovadores. Tem coisas que podem ser sensíveis e carinhosas e tem coisas que são pesadas e vão na sua direção”, disse Jimmy Page, guitarrista, produtor e grande mastermind do disco.

O nome foi dado também pelo guitarrista. Por volta de 1974, o grafite tinha começado a aparecer nos prédios da Inglaterra com citações do poeta e pintor inglês William Blake, de uma forma bem diferente ainda do que viria a ser quando integrado ao hip hop. No estúdio, Page pensou que gravar uma música em fita magnética é como grafitar também. “A música era uma manifestação física” desse processo, uma reação física.

Embora fossem os membros do Black Sabbath que ganharam fama como ocultistas, principalmente por causa da capa, das letras e do trítono de seu primeiro disco Black Sabbath (1970), o verdadeiro ocultista rockstar da época sempre fora Jimmy Page. Como preparação para o lançamento do disco, ele abriu uma livraria esotérica chamada Equinox, em Kensington. O nome é o mesmo da revista fundada pelo famoso ocultista Aleister Crowley em 1905. A loja vendia o tipo de livros que não eram encontrados nas livrarias normais. Em 1974, depois de terminar de gravar e mixar Physical Graffiti, Page mandou cartões de Natal para os amigos com “Cumprimentos Thelêmicos”, o que indicava sua proximidade com a Thelema, a filosofia de Crowley.

O baixista John Paul Jones foi o maior multi-instrumentista do disco, sendo responsável por executar órgãos, pianos, clavinete, mellotron, sintetizador, violão, bandolim e até fazer um arranjo de orquestra. “In The Light”, a faixa mais experimental e uma das melhores do álbum, é resultado do trabalho de Jones com o sintetizador.

Naquela época, o Zeppelin já era uma das maiores bandas do mundo – e o dinheiro trouxe algumas facilidades para o grupo. Para começar, puderam criar o próprio selo de gravação, Swan Song, do qual Physical Graffiti foi o primeiro lançamento, enquanto a distribuição ainda estava com a Atlantic, a gravadora gigante da época. Essa liberdade criativa permitiu que tivessem maior controle sobre o trabalho e facilitou o lançamento de um disco duplo. Quando a turnê pelos EUA começou em janeiro, ainda antes de o disco chegar às prateleiras, o Zeppelin mostrou a maior produção de palco já vista até então, o que incluía luzes laser e projeções do fundo do palco. Por volta da meia-noite do dia 8 de janeiro de 1975, cerca de 2 mil fãs da banda formaram uma fila para ver o novo show do grupo no Boston Gardens, obrigando a organização a começar a vender os ingressos às 2h30 da madrugada ao invés das 6 horas, como planejado.

Álbum que passa no teste do tempo

Tanto qualquer outro álbum do Zeppelin, Physical Graffiti mostra uma banda em forma, criativa e consciente de tudo o que poderia fazer em estúdio e fora dele. O próprio Jimmy Page diz que sabia o que a banda e o lugar escolhido para gravar o álbum, Headley Grange, poderia oferecer em termos de som naquele momento.

Kim Thayil, guitarrista do Soundgarden, cresceu ouvindo o álbum e soube definir bem o que havia sido a banda até ali. Para ele, o primeiro disco era mais blues, o segundo mais hard rock, o terceiro mais folk. Mas ele não acha Physical Graffiti diferente do resto da discografia ou do que eles fizeram até ali. De fato, não há uma quebra no estilo da banda. Eles continuam agregando influências e destilando o melhor hard rock e blues rock que podiam conceber ao mesmo tempo em que se abriam para as possibilidades criativas dos sintetizadores e colocavam arranjos orquestrais por cima de riffs monumentais. Aliás, por falar nisso, veja que até hoje é o riff de “Kashmir” e de várias outras músicas da banda ainda soam interessantes e modernos, nem um pouco datados.

Conforme o tempo passa para uma banda, é comum que os fãs e o público em geral se apegue mais aos primeiros anos de produção, uma mistura de saudosismo dos clássicos com um certo preciosismo. No caso do Led Zeppelin não é diferente, mas agora tudo o que eles produziram já assumiu um caráter clássico para o rock e para a música do século 20. Aliás, se vê muito da influência da banda até hoje, seja no Wolfmother, seja nos novatos dos Royal Blood, ou veteranos do rock como o Warren Haynes e o Gov’t Mule, os suecos do Graveyard ou em tantas outras bandas que estão por aí. Physical Graffiti é a obra em que eles resumem toda a carreira e ainda propõem coisas novas até hoje.
Foto: MRossi
Imagem aérea de um dos palcos do Lollapalooza no Autódromo de Interlagos
Um festival feito apenas para os 136 mil presentes

Por Bruno Eduardo

O Lollapalooza é um festival feito nos moldes de seu público. Ou seja: para gente jovem, disposta a aproveitar todas as aventuras e desventuras de um grande evento, e que não está nem aí se há mais dez bandas além daquelas suas preferidas. O importante mesmo é estar lá, ganhar brindes, fazer selfies, namorar, beber cerveja e, ainda assim, assistir algum bom show (que sempre acontece). Ano passado, já tinha sido diagnosticado que o importante mesmo era a expansão de entretenimento nos 600 mil metros quadrados do Autódromo de Interlagos. O que acontece no palco parece mais algo ilustrativo, como os telões de casas de shows e boates que rolam vídeos clipes enquanto todo mundo flerta, toma umas biritas e se diverte na balada. Não importa a cerveja cara, a comida cara e o principalmente o line up. Ainda mais sabendo que é impossível assistir mais de cinco shows por dia - na íntegra - com a devida atenção que eles possam merecer - ou não. O Lolla é um supra-sumo da juventude classe média, e isso é bom sim! - embora também seja ruim demais.


Estar no Lolla é como zapear canais na TV em busca de algo que te distraia, ou ouvir vários discos de vários artistas no random do seu aparelho de mp3. Nessa onda louca e modernosa, vamos de palco em palco, vendo um pedacinho de cada show, sem entender muito bem a proposta, mas que no fim das contas não importa muito, porque a maioria das bandas também não se importam com isso - e você sai de lá com a sensação de que curtiu tudo. Bem, mas essa é uma visão público-Lolla, não a de um jornalista que deveria estar lá buscando fazer seu trabalho, pautando o rock em todos os seus cantos. Muito menos será a visão de quem pensa que o festival se resume aquilo mostrado no canal Multishow.


Como esse ano eu acabei não entrando nessa aventura - a primeira vez em suas quatro edições - preferi nem assistir nada na TV para não me influenciar. Mesmo porque, eu que participei da cobertura de todas as outras três edições, aprendi que o festival não é feito para quem está em casa, sentado no sofá, comendo pipoca enquanto assiste a transmissão ao vivo. Não é. Ele não foi feito para esse público. E sabedor disso, preferi não cair nessa armadilha e estragar o meu fim de semana. 


Por tudo isso escrito acima, tratei de deixar para meu amigo Lucas Scaliza, a tarefa de trazer uma visão mais heterogênea e honesta, além de mais bem humorada - já que o festival, mesmo com todas as suas pisadas na bola, encanta pela beleza e pelo frescor da juventude - algo que eu, pela TV, não posso enxergar. Abaixo você pode conferir a cobertura do Lollapalooza Brasil 2015 por quem esteve lá - de verdade. 


Lollapalooza: Opinião de quem esteve lá - e não no sofá
Foto: Lucas Scaliza
No Lolla, o público pode ver os shows enquanto descansa no gramado
Por Lucas Scaliza

Antes de qualquer crítica ou avaliação isolada, é importante deixar registrado que organização do evento melhorou consideravelmente se comparada ao ano passado. Quem foi de trem até o Autódromo de Interlagos não teve problemas em chegar ao evento, pois haviam equipes sinalizando todo o percurso entre a estação e o autódromo - fazendo também os 4 portões de entrada funcionar para desafogar as grandes filas.


Utilizar os Lolla Mangos foi um jeito de maquiar o alto custo dos alimentos e bebidas dentro do evento. No entanto, realmente agilizou a compra dos produtos e diminuiu as filas. Mesmo a organização tendo avisado que todo mundo teria que ter seus Mangos para consumir no festival, era totalmente possível comprar com Reais. Dessa forma, a compra e a venda ficou ainda mais agilizada e não condicionada a disponibilidade ou só de dinheiro ou só de Mangos.


A circulação entre os palcos também ficou mais fácil. Entre um grande show e outro ainda era possível ver uma enorme massa de pessoas caminhando na mesma direção, mas a marcha não ficou tão prejudicada como em 2014. Os palcos Axe e Skol tinham um trânsito muito bom e não ficavam tão longe um do outro. Já o Onix demandava uma caminhada bem mais comprida e com diversos morros para subir e descer. Era o palco com o maior espaço para o público e com uma incrível visão panorâmica, mas também era o mais fora de mão.


Mais opções de comida ao longo de todo o espaço do evento conseguiu evitar filas e diversificou as opções. Além do Chef Stage que ficou maior, os food trucks espalhados tinham cardápios interessantes que parecem ter agradado ao pessoal. O preço, contudo, era salgado - R$12 um pequeno cone de batatas fritas, ou R$15 no hambúrguer mais simples de um determinado food, eram os alimentos mais em conta.


Este ano o Lollapalooza investiu na experiência, colocando muito mais pontos de lazer em Interlagos. Tinha desde uma nova área comercial para comprar desde chapéus e bijuterias até cabines fotográficas instantâneas, estande de massagens e lojas de roupas. Além de área para descanso com carregadores de celular ou com redes e muitas "atividades" ocorrendo o dia todo.


Dentre as atividades estava uma montanha-russa em espiral no alto do morro com vista privilegiada do palco Ônix, cuja fila era sempre longa. De frente para o palco Skol, a marca de cerveja fez um ótimo estande com chopp, cerveja, discos de vinil, espaços para fotos diferenciadas e um escorregador na saída. Haviam muitas outras atividades ocorrendo ao longo dos dois dias. Os interessados tinham que perder algum show e enfrentar filas, mas valia a pena, principalmente para quem queria curtir o festival como um todo, não somente cumprir sua agenda musical.


   :::SHOWS::: SÁBADO (28/3)   

No sábado, Plant e Jack White confirmam favoritismo em shows acima da média; Boogarins também se destaca

   JACK WHITE   
Foto: Vinicius Pereira
Jack White fez um dos melhores shows do Lolla
O público presente no Autódromo de Interlagos testemunhou um dos artistas mais interessantes da atualidade fundindo o que há de contemporâneo ao que há de tradicional no rock e no blues de uma forma orgânica e muito menos montada e produzida do que a maioria das grandes bandas que são headliner em festivais mundo afora.

O show de Jack White, grande headliner do sábado do Lollapalooza Brasil 2015, começa antes de ele entrar no palco. A montagem de sua cênica é curiosa. Para começar, seus roadies e sua equipe usam chapéus e calças com suspensórios. Alguns trabalham até mesmo de terno e gravata. A roupa sempre preta, a gravata era azul. O telão do palco Skol foi coberto por  grande e bonita cortina branca. Nas laterais, na frente, cortinas azuis menores. Os três retornos de White são cobertos por uma caixa de madeira branca. Todo o equipamento do palco é branco e/ou azul bebê. A iluminação eficiente é azul do começo ao fim, sem intercalar com outra cor.


Quando entrou no palco, mandando uma versão de "Icky Thump" cheia de improvisos e com participação entusiasmada do público, mostrou que seria uma noite de rock nervoso como o palco Skol ainda não tinha visto naquele dia. E não faltou guitarras distorcidas e solos estridentes carregados de fuzz durante a 1h45 de apresentação, sem falar na participação do baterista de White, que agitava o palco tanto quanto o guitarrista e vocalista.


Jack teve mais sorte que Plant. O público vibrou muito com as músicas do The White Stripes - como "Hotel Yorba", "Black math", "Fell in love with a girl", "We're Going to be Friends" e a sequência matadora de "Cannon/Dead Leaves and the Dirty Ground/Screwdriver". Os fãs também cantaram juntos as músicas da carreira solo. As animadas "High Ball Stepper", " Lazaretto", "Black Bat Licorice" e "Just One Drink"; e as mais  folks "Temporary Ground" e "Love Interruption", garantiram a diversão o público.


O show no Lollapalooza seguiu as características que Jack White sempre manteve ao longo da carreira. Em especial, agora que possui uma ótima banda de apoio, está o fator improviso. Ele sempre dá um jeito de tocar diferente músicas que já são velhas conhecidas do público, seja com solos, mudando partes, ritmos ou chamando alguém da banda para participar de alguma forma. É por isso que sua banda passa o show inteiro de olho em White, observando se ele vai seguir a canção original ou para saber quando ele vai intervir nela. Aceno de cabeça, diálogo, sinal com as mãos são algumas das deixas de White e banda para que todos saibam o que fazer e quando fazer. Por isso, os shows dele nunca são iguais, embora a base (banda e repertório) seja sempre a mesma.

White falou pouco diretamente com o público brasileiro, mas se manteve ativo o show inteiro, inclusive subindo nas caixas de retorno para solar. Em "Steady As She Goes", do Raconteurs, além de contar com um refrão ajudado pela plateia, pediu que o público respondesse "Are you steady now?" no final da música, e foi prontamente atendido.


A divertida "Three Women" foi um dos momentos mais épicos da apresentação em São Paulo. Para começar, White se dividiu entre piano e guitarra. Depois fez um longo e memorável solo no final da música usando energia estática, o que surpreendeu o público.

O bis com "Slowly Turning Into You", " Would You Fight For My Love" e a clássica "Seven Nation Army" fecharam o show primoroso do dono da Third Man Records

   ROBERT PLANT   
Foto: Vinicius Pereira
Plant voltou renovado e bem uma ótima banda de apoio
O palco Skol recebeu seu primeiro grande público do sábado - quando as pessoas já se apertavam desde cedo na espera de sir Robert Plant. Com estilo e acompanhado pela incrível The Sensational Space Shifters Band, Plant começou a apresentação levando o público ao delírio com "Baby, I'm Gonna Leave You", do Led Zeppelin - emendando na excelente "Rainbow", de seu novo disco solo, Lullaby and the Ceaseless Roar.

O restante do ótimo show teria alguns covers ("Spoonful" e "Fixin' to Die"), algumas poucas músicas de seu trabalho solo ("Turn it up" e "Little Maggie") e muitas de sua clássica banda Led Zeppelin. O público ia ao delírio cada vez que identificava canções como "Black Dog", "The Lemon Song", "Going to California", "Never Be", entre outras.


Sempre que possível, Plant expunha a versatilidade de sua banda propondo novos elementos em seu som, seja momentos com boa parte de seus músicos ajudando na percussão ou com a entrada de instrumentos africanos. Sem falar em seus dois guitarristas, excelentes em todos os aspectos e que fizeram o público do Lollapalooza experimentar a sensação de ver um real guitar-hero no palco.


Plant também contribuiu. Andava pelo palco, interagia com seus músicos e pedia para o público de São Paulo participar das músicas que não eram do Zeppelin. Também fez seus conhecidos fraseados vocais que depois tinham que ser repetidos pela plateia, algo que faz desde os tempos de Led. Ficou claro que os fãs e o público geral respeitaram muito o trabalho solo e os covers de Plant, mas não demonstraram muito entusiasmo com as novidades.


Toda a apresentação teve um quê de teatro, com Robert Plant costurando o repertório em torno da ideia de uma "baby" que esteve presente em diversos momentos, desse "Baby, I'm Gonna Leave You", passando por "Arbaden", "Little Maggie" e desembocando com toda a pompa em uma versão fantástica com laivos experimentais de "Whole Lotta Love". Para o bis, Plant e sua banda mandaram a já esperada "Rock and Roll", do Zeppelin, coroando uma apresentação que poderia durar mais uma hora e o público teria fôlego e empolgação para continuar a ver a lenda mais uma vez - mas só se o repertório do Zeppelin também fosse maior, apesar da qualidade do trabalho solo do cantor.


   ALT-J   
Foto: Vinicius Pereira
O público aprovou o som dançante do Alt-J
A banda inglesa Alt-J foi certamente a atração mais cult e alternativa do Lollapalooza 2015. Mesmo não sendo uma banda de performance marcante, eles colocaram o público para dançar ao som de um tipo de música que, para resumir e ser bem genérico, combina elementos de Sigur Rós, trip hop e a vertente mais viajante do Radiohead. Mesmo quem não conhecia o trabalho do grupo, curtiu a proposta indie party dos caras. No setlist, músicas de seus dois álbuns de estúdio - dando prioridade ao mais recente, This Is All Yours, que traz as canções mais conhecidas pelo público, como "Hunger of The Pine", "Left Hand Free", "Every Other Frickle" e "The Gospel of John Hurt". Do debut, o grupo se garantiu nos cinco singles, e foi recebido com entusiasmo pelos fãs.

O aspecto cult, no entanto, fala mais alto e o público releva a considerável imobilidade dos músicos no palco. O telão do evento deu mais destaque para Joe Newman (guitarra) e Gus Unger-Hamilton (teclado), mas o multi-instrumentista Cameron Knight e o versátil baterista Thom Green mereciam mais destaque, por completar com tanta competência o som da banda - principalmente Thom, que foi responsável pelos ritmos quebrados e bem feitos que renderam elogios ao grupo durante o show. Sem iluminação para complementar a cênica (ainda era dia) e sem utilizar o telão de fundo, foi um show despojado e de pouco movimento. Mas o público aprovou.


   BOOGARINS   
Foto: Adriano Vizoni
Dinho Almeida e seus solos viajantes no Lolla
Boogarins fez bom show muito psicodélico e viajante. Usaram muitos efeitos de guitarra e versos repetitivos para criar o efeito de viagem de ácido que pretendiam. Como tocaram muito cedo, tiveram que se apresentar para as poucas pessoas que estavam dispostas a conhecer a nova cena brasileira. Outro problema de tocar cedo e com um céu muito claro sobre São Paulo: não foi possível complementar a experiência com a iluminação condizente com o clima do show. A banda goiana teve uma performance exemplar. Apostaram em graves bonitos e que eram ouvidos de longe na área do palco Axe. Bons solos de guitarra e o vocal de Dinho Almeida era tão doce que só tornou tudo ainda mais psicodélico. Com empolgação e força, tentando conquistar quem ainda não os conhecia, o Boogarins deu um show de musicalidade.

   BANDA DO MAR   
Foto: Breno Galtier
Marcelo Camelo e Mallu Magalhães nos braços da galera
Tocar em festival indie é jogo ganho para a Banda do Mar. Tocaram no palco Skol, ao mesmo tempo que o Boogarins e tiveram mais público que o grupo goiano. No repertório, músicas animadas e ensolaradas da parceria entre Marcelo Camelo, Mallu Magalhães e Fred Ferreira, mas com espaço também para músicas do Los Hermanos ("Além do que se Vê" e "Morena"); da carreira solo de Mallu ("Velha e Louca", "Sambinha Bom" e "Olha só, Moreno") e solo do Camelo ("Janta"). Não foi um show forte em termos de impacto sonoro, mas teve o jeitinho do grupo. O público bastante jovem não parecia precisar ser conquistado pela Banda do Mar. Estavam empolgados e cantavam junto com os artistas como quem já os acompanham a algum tempo. Em suma, foi uma apresentação sem grandes desafios, já que o jogo já estava ganho desde o início.

   :::SHOWS::: DOMINGO (29/3)   

Nem a chuva esfriou o Lolla no domingo, que teve bons shows de Smashing Pumpkins, Interpol e Far From Alaska

   THE SMASHING PUMPKINS   
Foto: Junior Lago
Billy Corgan comanda o ótimo show do Smashing Pumpkins
Apesar de toda a lenda e de todo o culto por trás de Billy Corgan - único remanescente do Smashing Pumpkins original - era fato que esperava-se um público maior no palco Axe. O domingo foi realmente dominado pelos headliners mais pop, Calvin Harris no palco Onix e Pharrel Williams no palco Skol. Mas quem ficou para ver o rock alternativo da noite, que influenciou tanta gente e tantas bandas que passaram pela história do Lollapalooza, não deve ter se decepcionado.

A introdução foi de arrepiar fãs novos e das antigas. Todo o poder de “Cherub Rock”, em seguida a melodia e a beleza do clássico “Tonight, Tonight” e, para não restar dúvidas de que seria incrível, “Ava Adore”, outra das preferidas do grupo.


Em seguida, mandaram “Being Beige” e “Drum + Fife”, ótimas faixas do novo disco do Pumpkins, Monuments To an Elegy (2014). Da nova fase, tocara ainda “Monuments” e a roqueira “All and One (We are)”. A bonita “Pale Horse” foi a única música de executada de Oceania (2012).


Ninguém passou incólume pela força com que “1979” foi recebida. É, afinal, outra das obrigatórias do repertório da banda, vinda do clássico Mellon Collie And The Infinite Sadness (1995) que completa 20 anos em 2015. E “Disarm”, do disco Siamese Dream (1993), foi oferecida em homenagem a sua gata, que morreu enquanto Corgan tocava pela América do Sul nas últimas semanas - momento em que ele também lembrou que era aniversário de Perry Farrell (organizador do Lolla) e que seu próprio aniversário tinha ocorrido duas semanas antes (durante o show no Peru). Foi o momento de maior interação com o público.


Também do álbum de 1995, a banda mandou o petardo “Bullet With Butterfly Wings” para fechar com peso de sobra. Um fato engraçado: enquanto a banda aquecia para iniciar a canção, a atriz Daniele Suzuki (que apresentou o Lolla para a Globo/Multishow) passou correndo pelo corredor que separa a plateia em dois com um funcionário da Globo filmando sua trajetória com um celular. Billy viu a cena e assim que a atriz passou olhou para o outro guitarrista da banda com uma cara engraçado de quem não entendeu e se perguntava “Que diabos foi isso?”


Billy Corgan é o coração, a mente e a alma por trás do Smashing Pumpkins, uma banda que ainda tem repertório mas se resume a um homem só. Mesmo os músicos que o acompanham nessa turnê são convidados e possuem compromissos em seus outros grupos. Além disso, Corgan andou falando que não sabe mais qual seria a relevância dos Pumpkins daqui para frente. Mesmo assim, já que se propôs a sair em turnê, lançar disco novo e tocar em festival, fez valer a pena: além do ótimo setlist, fez solos memoráveis, teve seu momento noiser, tocou guitarra com a boca e separou um momento para ser performer, erguendo a guitarra e fazendo-a gemer com pesado distorção enquanto a agarrava com apenas uma mão.


Tudo isso fez o Smashing Pumpkins apresentar um show estridente e rock’n’roll que significou algo para o público. Por fim, ele voltou sozinho ao palco para o bis tocou “Today” no violão. Agradeceu ao público e saiu. Ficou a sensação de que aquele não podia ser o final, parecia que a banda ainda voltaria para tocar mais alguma canção especialmente escolhida para mandar todos felizes para casa. Mas era o final mesmo. Solitário, acústico e com jeito melancólico.

Com tantos sentimentos reais e pesados nas músicas de Corgan, a identificação do público aconteceu naturalmente. Não era preciso procurar muito para ver alguém cantando a plenos pulmões ou com lágrimas escorrendo. Pode não ter sido o maior público do festival, mas foi um dos momentos mais honestos.


   INTERPOL   
Foto: Divulgação/T4F
Paul Banks se comunicou pouco, mas não decepcionou os fãs
Nem a chuva fina fez a galera arredar o pé durante a apresentação do Interpol. Na verdade, o clima mais frio e nublado jogou a favor da banda, que pôde utilizar a iluminação do palco de forma adequada - com todos vestidos de preto, mantendo um clima para lá de melancólico. 

Liderados pelo tímido Paul Banks, o Interpol apresentou um repertório compactado, tocando menos tempo que no Lolla chileno, e focou em canções para agradar seu público, mostrando, no entanto, pouca confiança no bom material do disco mais recente, El Pintor. Deste, tocaram apenas “Anywhere”, “Everything is Wrong” e a ótima “All The Rage Back Home”. O resto foi apenas o que os fãs gostariam de ouvir, como “Say Hello to The Angels” - faixa do primeiro álbum do grupo, Turn On The Bright Lights (2002) - e “Leif Erikson” - recebida com igual entusiasmo. Outras que agitaram o público foram “Evil”, “Rest My Chemistry”, “NYC” e “Slow Hands” - que fechou a apresentação. 


Mesmo que alguns tenham reclamado que o grupo não interaja de forma mais afetiva com os fãs, musicalmente ninguém tem do que reclamar. Foi um bom show, que serviu para fazer um apanhado de toda carreira do Interpol. De negativo, apenas a falta de surpresas no repertório, que soou um pouco datado para quem acompanha de perto a agenda do grupo. 

   YOUNG THE GIANT   
Foto: Divulgação/T4F
Samer Gadhia foi puro carisma em ótima apresentação
Os californianos fizeram uma ótima apresentação. Entre o rock de Pitty e os clássicos do Smashing Pumpkins, o Young The Giant era o indie de nicho espremido entre duas forças maiores que eles no Brasil.

Quem foi vê-los pareceu curtir. O quinteto era naturalmente simpático. O vocalista Sameer Gadhia, que nas duas primeiras músicas se revezava entre três microfones, tinha um jeito bem despojado e expressões de cão-sem-dono, não deixando de interpretar cada canção. Não faltou comparações entre Jesus Cristo e o cabeludo e barbudo baixista Payam Doostzadeh. E os guitarristas Jacob Tilley e Eric Cannata dançavam de um jeito bastante peculiar com seus instrumentos em mãos. É a banda indie e hipster por excelência do festival.


Mas que a verdade seja dita: longe de ser um dos grupos mais conhecidos do festival ou uma das bandas com maior histórico e hits para mostrar (eles têm apenas dois discos de estúdio), o Young The Giant provou que entende de música. Várias levadas em 3/4, trocas de ritmo e acordes bem encaixados em suas harmonias, sem falar que em diversos momentos criavam contrapontos interessantes e camadas sonoras ricas, onde cada instrumento tinha seu papel. Como instrumentistas, eles realmente sabem fugir do esquema em que todos tocam as mesmas notas do mesmo jeito.


No repertório, as obrigatórias “Cough Syrup”, recebida com entusiasmo pelo público, e “My Body”, que terminou muito bem o show. Mas o grosso da apresentação era de canções de Mind Over Matter (2014), o álbum mais recente do grupo. “Slow dive”, “Anagram”, “It’s about time”, “Eros”, “Wave”, “Camera” e “Paralysis”.


O disco novo dos californianos chegou ao 6º lugar nas paradas alternativas dos EUA, o que explica a inclusão do grupo no Lollapalooza. No entanto, o público brasileiro em geral ainda não sabe quem são eles. Prova disso é que a plateia, mesmo na iminência de um Smashing Pumpkins logo depois, não foi muito maior que a da Pitty. Para piorar, tocaram no mesmo horário que o conhecido DJ Calvin Harris, este sim com hits bombando no país.
 

   THREE DAYS GRACE   
Foto: AGNews
Banda de Matt Waldst aqueceu a galera num domingo de muito frio
Os canadenses do Three Days Grace tocaram no palco Axe para um público consideravelmente pequeno, mas suficiente para acompanhar todo o barulho promovido pelo nu metal da banda. O vocalista Matt Waldst não poupou a garganta e fez tudo o que o horário (final de tarde, mas ainda longe de ver o sol de pôr) permitia para empolgar o público e ser um verdadeiro frontman.

Human, o novo disco do grupo, vazou na rede alguns dias antes do show em São Paulo. Dele, mandaram as três melhores: a climática “I Am Machine”, a pesada “Painkiller” e a ótima “Human Race”, com direito a um belo solo de guitarra de Barry Stock.


Para quem procurava peso, um prenúncio talvez do que seria o Smashing Pumpkins horas mais tarde. Foi uma porrada atrás da outra: “Pain”, “Home”, “Animal I Have Become” e a superconhecida “I Hate Everything About You”, do primeiro disco da banda, que fez todo mundo cantar junto.


É rock pesado, mas o som do Three Days Grace é pesado para uma plateia jovem. E esse tipo de som apareceu no palco certo e encontrou seu público no domingo. Quem estava atrás de um rock mais sofisticado ou mais maduro podia encontrar em outras bandas que se apresentaram no sábado ou mesmo no domingo, mas foi a escolha certa para quem prefere algo mais direto e reto.


Embora não seja uma grande banda com muitos diferenciais, o Three Days Grace cumpriu o que seu repertório prometia. Não deixou a desejar e esquentou o público com muitas batidas firmes na bateria, baixo bem alto e guitarradas carregadas de distorção. Para fechar, mandaram a power ballad “Never Too Late” e em seguida a nervosa “Riot”, ambos do álbum One-X (2006), o segundo disco do grupo. 


   PITTY   
Foto: Vinicius Pereira
Pitty mostrou confiança e ótimo repertório no Lolla
A baiana Pitty entrou no palco confiante. E seguiu assim até o fim de sua exitosa apresentação, planejada sob medida para funcionar em festivais. Mesmo quem nunca parou para ouvir nenhum dos discos inteiros de Pitty não teria dificuldade nenhuma em acompanhar o show. Foram vários hits radiofônicos e apenas duas ou três músicas que fugiam do esquema “aposte no familiar”.

Estratégias a parte, Pitty arrebatou a plateia. Sua expressão corporal, a liberdade como se dirigia ao público e como se movimentava de um lado para outro criaram uma cena interessante de acompanhar. Ela agachava para acionar efeitos de voz com as mãos, chutava o ar, dançava e até rodopiava o microfone segurando seu cabo – tudo devidamente acompanhando o nível de empolgação e de dinâmica de sua música.


Após abrir com “Setevidas”, do disco de mesmo nome lançado ano passado, foi mais uma que deu uma geral na carreira: “Admirável Chip Novo” e “Máscara” (ambas do debut), “Memórias” e “Na Sua Estante” (do segundo disco) e “Me Adora”, do terceiro. O público respondeu a todas as músicas mostrando que o rock’n’roll da baiana estava sendo bem recebido pelo ótimo público que ela conseguiu atrair no palco Axe.


Diferente da esmagadora maioria de outras bandas que passaram pelo festival, Pitty não se fez de rogada e apresentou, apesar dos hits, uma maioria de músicas novas do disco Setevidas (2014). “Um leão”, “Deixa ela entrar”, “Boca aberta”, “Pouco” e, para fechar, “Serpente”. Antes de terminar o show, ela disse que havia sobrado tempo e tocariam mais uma, mas seria um lado B. “Mantenham seus corações abertos”, ela pediu. E o público, é claro, correspondeu.


Entre os artistas nacionais que se apresentaram no Lollapalooza 2015, Pitty foi uma das que melhor usou o telão, sempre com alguma animação ou clipe pronto para ilustrar e acompanhar o desenvolvimento de cada faixa. Foi também a artistas brasileira que ganhou o melhor horário para se apresentar, quando já era noite, favorecendo toda a cênica e o jogo de luzes.


Tão logo Pitty deixou o palco, o espaço do palco Axe foi evacuado pela maioria do público que, ao que parece, tivera sua última dose de rock e ia procurar atração para fechar o dia com Calvin Harris e/ou Pharrel Williams.


   FAR FROM ALASKA   
Foto: AGNews
Emmily Barreto não poupou a voz e Far From Alaska levantou o público
Assim que cheguei ao Autódromo de Interlagos no domingo, saia que tinha um destino certeiro: o longínquo palco Onix, cuja primeira atração seria a banda Far From Alaska, revelação do hard rock do Rio Grande do Norte. A expectativa era grande, mas grande foi a dose de agressividade que a banda jogou para cima do público. E não eram nem 13h quando o Far From Alaska subiu no palco (mas deu tempo até dos músicos do Scalene, que tocaram antes no mesmo dia no palco Skol comparecerem).

Um show curto para um público relativamente pequeno que teve pique para chegar cedo e caminhar até o Onix. Mas quem ficou para ver se surpreendeu com a energia da banda. Com apenas 45 minutos para mandar seu recado, eles tocaram apenas composições próprias do disco modeHuman, lançado em 2014. “Thievery”, “Deadmen”, “Dino vs. Dino” e “Monochrome” mostraram que a banda não estava para brincadeira e agarrou a oportunidade de tocar no Lollapalooza com todo o corpo.


Emmily não poupou a garganta e cantou como nunca – ou com a mesma força que mostra no disco. Ou seja: cantou alto, cantou bem e com voz rasgada. Quem não esperava tanta energia saiu surpreso. Para a primeira banda do palco e com apenas um disco lançado, Emmily, Rafael Brasil (guitarra), Lauro Kirsch (bateria), Edu Filgueira (baixo) e Cris Botarelli (lap steel e sintetizador) tiveram performances surpreendentes. Se o Boogarins foi forte e viajante no dia anterior, o Far From Alaska foi direto no domingo, preparando o público para outras pedradas que viriam ao longo do dia.
Foto: Daniel Croce

Por Rafael Rodrigues

A alcunha de lenda do rock pode ser dada a poucos seres ainda vivos na atualidade. Robert Plant, no alto dos seus 66 anos, com certeza é uma dessas pessoas. 

Quem foi ao Citibank Hall e esperava ver um show repleto de clássicos do Led Zeppelin, de alguma forma, teve seu desejo satisfeito. Do setlist modesto de 12 músicas, 7 foram da lendária banda britânica. "No Quarter" abriu o viagem musical da noite, que seguiu com "Black Dog" e "Going to California", que talvez tenha sido a mais fiel à original, entre as cinco primeiras da noite. De alguma forma, a Sensational Space Shifters, banda que acompanha Plant, trouxe uma roupagem nova em alguns dos clássicos do Zeppelin, como "Black Dog", por exemplo. Embora o modelo seja o mesmo, o resultado é um pouco diferente do apresentado em sua última visita ao país, em 2012.

Tendo uma plateia formada basicamente por fãs do Led Zeppelin, é muito natural que quem não tenha tanto conhecimento da trajetória solo de Plant esperasse algo mais fiel à sua antiga banda. Mas musicalmente falando, o show trazido ao Rio foi uma experiência e tanto. Com bastantes elementos musicais africanos, uma marca do seu último - e ótimo - álbum, Lullaby and the Ceaseless Roar (2014), a apresentação teve uma atmosfera viajante. Em alguns momentos com a participação do músico de origem africana, Juldeh Camara, as músicas soavam como uma mistura heterogênea entre o hard rock clássico e pitadas de toda musicalidade adquirida por Plant durante sua carreira. 

O fato é que mesmo escolhendo um repertório baseado em sua obra com o Zeppelin, o modelo do show proposto por Plant tem caráter mais intimista - onde foge um pouco à regra, a execução catártica de "Rock And Roll", no fim. Talvez o seu grande desafio de Robert Plant seja manter o público - que tende a ser mais jovem e com a expectativa de ver um "cover" do Led Zeppelin - interessado durante 1h30 de apresentação. Aqui no Rio rolou. Agora vamos aguardar e ver até onde a lenda do rock e seus experimentos musicais podem chegar em um festival repleto de entretenimento e gente menos interessada nos stages, como o Lollapalooza Brasil.

St. Vincent

A vocal/guitarrista Annie Clark é uma artista e tanto. A favor de sua carreira tem nada mais, nada menos, o fato de ter cantado e tocado na única reunião do Nirvana após a morte de Kurt Cobain. Isso, por si só, já seria motivo para despertar a curiosidade de assistir a moça. Mas quem chegou mais cedo para o show de Plant foi preparado à altura para a viagem que estava por vir. o St. Vincent tem uma atmosfera oitentista, com sons eletrônicos, com pitadas, inclusive, de Depeche Mode. Guitarrista virtuosa, Annie mescla muito bem o passado e o futuro da música. Com solos fortes e marcantes, e coreografias (sim, coreografias), a banda conseguiu arrancar aplausos dos ansiosos fãs de Plant. Destaque para a bonita e bem executada "Cheerleader", que soa melhor na versão ao vivo do que de estúdio. Num show de pouco mais de meia hora, a banda não decepcionou, e parece ser uma atração mais  compatível com o Lollapalooza do que o próprio Robert Plant. 

Antes de chegar a São Paulo para se apresentar no Lollapalooza Brasil 2015, Robert Plant and The Sensational Space Shifters, The Smashing Pumpkins, St. Vincent, Bastille, Foster The People e Young The Giant desembarcam no Rio de Janeiro para performances exclusivas e mais intimistas no Citibank Hall, em março deste ano.

O frontman que marcou a história do Led Zeppelin e um dos headliners do primeiro dia do festival, faz única apresentação na Cidade Maravilhosa, no dia 24 de março, tendo a abertura de luxo de St. Vincent.

Já no dia seguinte (25/03), The Smashing Pumpkins e Young The Giant prometem estremecer a capital fluminense. Além disso, o público carioca também poderá conferir de perto a performance de outros dois grandes nomes da música atual: Bastille e Foster The People, em 27 de março.

Clientes dos cartões Citi e Diners Club contarão com pré-venda exclusiva entre os dias 14 e 20 de janeiro. A venda para o público em geral estará disponível a partir de 21 de janeiro. Os ingressos poderão ser adquiridos pela internet (www.ticketsforfun.com.br), nos pontos de venda espalhados pelo Brasil e na bilheteria do Citibank Hall. Os show são realizados pela TIME FOR FUN.

Além do Rio de Janeiro, outras atrações do Lollapalooza se apresentam também em Porto Alegre, Belo Horizonte e Brasília:


ROBERT PLANT  & ST. VINCENT

Data: Terça-feira, 24 de março de 2015
Local: Citibank Hall - Av. Ayrton Senna, 3000 - Shopping Via Parque - Barra da Tijuca.
Classificação etária: De 10 a 15 anos permitida a entrada acompanhado de responsável. A partir de 16 anos é permitida a entrada desacompanhado
Meio de Pagamento Preferencial: Citi
Copatrocínio: Budweiser

INGRESSOS

PISTA PREMIUM: R$480 / R$240
PISTA: R$250 / R$125
CAMAROTE: R$550 / R$275
POLTRONA: R$250 / R$125


SMASHING PUMPKINS &YOUNG THE GIANT

Data: Quarta-feira, 25 de março de 2015. Às 22h30
Local: Citibank Hall - Av. Ayrton Senna, 3000 - Shopping Via Parque - Barra da Tijuca
Classificação etária: De 12 a 15 anos permitida a entrada acompanhado de responsável. A partir de 16 anos é permitida a entrada desacompanhado
Meio de Pagamento Preferencial: Citi
Copatrocínio: Budweiser


INGRESSOS

PISTA PREMIUM: R$380 / R$190
PISTA: R$200 / R$100
CAMAROTE: R$450 / R$225
POLTRONA: R$250 / R$125


BASTILLE & FOSTER THE PEOPLE

Data: Sexta-feira, 27 de março de 2015
Local: Citibank Hall - Av. Ayrton Senna, 3000 - Shopping Via Parque - Barra da Tijuca
Classificação etária: De 10 a 15 anos permitida a entrada acompanhado de um responsável. A partir de 16 anos é permitida a entrada desacompanhado
Meio de Pagamento Preferencial: Citi
Copatrocínio: Budweiser


INGRESSOS

PISTA PREMIUM: R$380 / R$190
PISTA: R$200 / R$100
CAMAROTE: R$450 / R$225
POLTRONA: R$250 / R$125


Por Bruno Eduardo


Quem acompanha o vasto catálogo de Robert Plant, sabe que o cantor é um amante da musicalidade. A forma intimista que ele trata sua carreira solo, evidencia uma tentativa incansável de não soar datado. Entre o passado e o presente, entre o hard rock e a música universal (que ele propõe), Plant se encontra num peculiar estado intermediário - incapaz de esquecer, não querendo ressuscitar, e não-relutante para se dedicar a um gênero novo. Por isso, fizemos questão de relembrar os melhores momentos de sua vida pós-Zeppelin, em uma lista de discos essenciais -  comemorando os 66 anos desse monstro sagrado do rock.   



1-Mighty Rearranger (2005):  Um exercício ambicioso e sublimemente vulgar de como fazer um álbum de rock and roll maduro e totalmente irrestrito. Neste trabalho, Plant mantém os elementos originais, construindo paisagens sonoras encantadoras - agradando até os que ansiavam por mais elementos blues Zeppelinianos. "Mighty Rearranger" tem uma atmosfera orgânica - não fugindo de suas tendências ao Oriente Médio. Destaques: "Another Tribe", "Tin Pan Vale", "The Enchanter", "Dancing In Heaven".


2-Dreamland (2002): Esse foi o primeiro álbum solo do ex-vocalista do Led Zeppelin em quase 10 anos - e marcou a estreia de Plant com a banda Strange Sensation. O álbum é um misto de belas canções originais e algumas covers intimistas - incluindo a brilhante releitura para Bob Dylan em "One More Cup of Coffee" e uma versão histórica de Tim Buckley, na macia "Win My Train Fare Home". Obrigatório. 
3-Fate Of Nations (1993): Conhecido por muitos como o "álbum de consciência social" do cantor, Fate Of Nations é perfeito em todos os aspectos. Há um destaque grandioso ao lado compositor de Plant, com letras brilhantes e habilidade vocal renovada. O disco é uma das joias raras de sua coroa. Na verdade - e exagerando um pouco -, é tão bom quanto qualquer criação dele com o Zeppelin, desde Led Zeppelin II.
4-Band Of Joy (2010): Há quem enxergue o fantasma do Led Zeppelin rondando esse vibrante poema do século 19, que é Band Of Joy. São discos como esse que evidenciam o quanto Plant reluta contra glórias passadas e mantém pé firme em sua caminhada exótica. O disco é marcado pela emoção em explorar novos territórios ao revés de um prazer covarde em chafurdar nostalgias fakes: uma lição sobre o valor de não dar às pessoas o que elas querem.

5-Pictures At Eleven (1982)Lançado menos de dois anos após a morte de seu grande amigo John Bonham, o disco de estreia de sua carreira solo é um encontro particular entre gigantes da bateria: o eterno Genesis, Phil Collins, e o lendário Cozy Powell (ex-Rainbow) seguram a onda em um trabalho magnânimo. Recententemente, foi lançada uma versão remasterizada comemorativa aos 25 anos do disco, com bônus. Corra atrás!
6-Now And Zen (1988): Na maior parte deste seu quarto disco solo, Plant deu continuidade a sua visão de futuro - favorecendo teclados precisos e cantoria contida. Mas pela primeira vez, há um resgate heroico e um retorno inegável a sensação de majestade - principalmente pelas pinceladas guitarrísticas de Jimmi Page em "Heaven Knows" e "Tall Cool One". Dispensa qualquer comentário.
7-Maniac Nirvana (1990): Se há um disco que soa disperso de toda sua obra, este é Maniac Nirvana. O início dos anos noventa deu a Plant um single poderosamente pop: "Hurting Kind (I've Got My Eyes on You)". Aqui, o lendário cantor está completamente distanciado de qualquer viagem exótica e do intimismo exagerado que marcou sua carreira. Ouça também "Big Love".
8-The Principle Of Moments (1983): Mais um disco que conta com Phil Collins na bateria - além do ex-Jethro Tull, Barriemore Barlow, em duas faixas. Este é considerado por muitos como o disco mais hard rock de Plant desde o fim do Led Zeppelin. Duas faixas ganharam bastante na época: "Big Log" e "Other Arms". Também há uma versão remasterizada - com bônus - desse disco que pode ser encontrada por aí.