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Foto: Ilustrativa
A discografia do Led Zeppelin avaliada na série "Do Pior Ao Melhor"
Por Ricardo Cachorrão Flávio

Entrando no embalo do relançamento remasterizado em edições “deluxe” de toda a discografia da banda, iniciado no segundo semestre de 2014 e finalizado há alguns meses, é chegada a hora de dissecar o trabalho da - talvez e muito provavelmente - maior banda de rock and roll da história: o quarteto formado por Robert Plant, Jimmy Page, John Paul Jones e John Bonham. É óbvio que este é um trabalho absolutamente passional e sem qualquer isenção. O grande trabalho aqui é ordenar nove álbuns básicos da história do rock, quando se é fã de carteirinha. O nome desta seção pode mudar neste capítulo para: DO BOM AO SENSACIONAL!


 9 'In Through The Out Door' (1979)  
Esse é aquele disco lançado por uma banda que já ganhou tudo o que podia na carreira, que não precisava dar satisfações à gravadora - pois tinham a sua própria - e que passava por sérios problemas. É o disco marcado pelo quase fundo do poço do guitarrista Jimmy Page (de cabeça, corpo e alma na heroína). E que trazia o vocalista Robert Plant se recuperando da dor de perder seu então filho caçula, Karac, aos 5 anos, morto por infecção de um vírus não identificado. O disco trás John Paul Jones dando as cartas, graças aos problemas de Page com as drogas, e é repleto de teclados e sintetizadores, além de influências que os distanciaram do hard rock e do blues característicos, como na faixa “Hot Dog”, um animado country rock! E, mesmo com tanta adversidade, ainda saiu um dos grandes clássicos da banda, “All My Love”, homenagem de Plant ao filho que recém partiu.

 8 'Coda' (1982)  
Sim, esse é um álbum póstumo e cheio de sobras de estúdio. Agora eu pergunto: E DAÍ? Canções pontuais, do blues “I Can’t Quit You Baby”, de Willie Dixon, ao show de John Bonham em “Bonzo’s Montreaux”, tudo nesse disco é gostoso de ouvir, tem groove, tem suingue e tem guitarras, como em “Wearing and Tearing”, que encerra o álbum. Esteja onde estiver, Bonham certamente vibrou com a homenagem de seus amigos.


 7 'Presence' (1976)  
Subestimado. Definição perfeita para o disco de 1976. Pois bem, o Led Zeppelin era a maior banda de rock do sistema solar, vendia discos igual água, destruía hotéis em igual escala, tinha um avião particular, enfiavam pedaços de peixe dentro de groupies. Literalmente, “tocavam o puteiro” no mundo inteiro! Já eram donos de clássicos absolutos do rock, mas todos os seus discos tinham climas diversos, do blues de sempre, do folk e psicodelismo. Depois de Plant se recuperar de um grave acidente automobilístico na Grécia, o grupo decidiu retornar ao  puro hard rock, com muita guitarra e sem frescuras nesse álbum!

 6 'Led Zeppelin' (1969)  
Daqui em diante a coisa fica feia. É realmente impossível colocar numa ordem os seis primeiros álbuns do Led Zeppelin. O álbum de estreia fica nessa posição, única e exclusivamente por gosto pessoal, e por achar que mais de 10 minutos de blues me enchem o saco! Independente dos três blues que não me fazem muito a cabeça, o disco abre com uma cacetada que é “Good Times Bad Times”, e ainda traz a viagem “Dazed And Confused”, que Page ressuscitou de seus tempos de Yardbirds. Tem também a deliciosa baladinha “Your Time is Gonna Come” e a cacetada “Communication Breakdown”. Este é sem dúvidas um dos melhores discos de estreia de todos os tempos!

 5 'Led Zeppelin III' (1970)  
Este disco sucedeu um álbum bem característico de hard rock, que veremos mais à frente, e, surpreendeu público e crítica com uma sonoridade folk e canções esmeradas em sons acústicos. Já bem sucedidos, os quatro rapazes se deram ao luxo de se esconder numa casa no meio do nada, lá no País de Gales, onde puderam se dedicar inteiramente a composição deste trabalho, sem que sofressem qualquer interferência externa. De lá saíram algumas das canções mais belas da história da Zeppelin, como “Friends”, “Tangerine” ou o mais sublime blues de que tenho notícias, “Since I’ve Been loving You”. 

 4 'Led Zeppelin II' (1969)  
Bastaria apenas o riff de abertura do disco em “Whole Lotta Love” para que os fãs se dessem por satisfeitos. Mas não era o suficiente. Em seu segundo disco lançado no mesmo ano, o grupo ainda soltou pancadas como “Heartbreaker”e “Moby Dick”, mescladas com belas baladas, do quilate de “What Is And What Should Never Be” ou “Thank You”. Em seu segundo trabalho de carreira, Page, Plant, Jones e Bonham já davam indícios de que, com o fim dos Beatles se aproximando, o mundo teria outros donos em breve. Sensacional é o mínimo que se pode dizer deste álbum.

 3 'Physical Graffiti' (1975)  
Álbum duplo que foi o primeiro disco editado pelo selo Swan Song, de propriedade da banda. Impressiona desde a capa, de excelente trabalho gráfico, além de um som primoroso. Aproveitando canções que haviam sido deixadas de lado de álbuns anteriores, mescladas com faixas compostas para esse disco, “Physical Graffiti” mostra o ecletismo da banda em várias vertentes, de blues, folk, hard rock, baladas e pelo menos um épico, a monstruosidade que atende por “Kashmir”. Figura fácil em qualquer lista dos maiores discos de rock de todos os tempos.

 2 'Led Zeppelin IV' (1971)  
Disco sensacional de cabo a rabo. Quem não conhece (se mata, né?) pode achar que é uma coletânea. Pois bem, começa assim: “Rock and Roll”, “Black Dog”, “The Battle of Evermore” e “Stairway to Heaven”. Pausa para virar a bolacha. Aí no segundo tempo, vamos de “Misty Mountain Hop”, “Four Sticks”, “Going to California” e “When the levee Breaks”. Pronto, tenha ele sempre com você, não importa o que possam dizer.


 1 'Houses Of The Holy' (1973)  
Sou provavelmente o único cara do mundo a apontar “Houses of the Holy” como o melhor disco da carreira do Led Zeppelin, mas, existe uma explicação e, totalmente passional: o primeiro disco a gente nunca esquece, e foi esse, no distante ano de 1982, aos 10 anos de idade, o primeiro disco da banda que eu comprei. E lógico, foi amor a primeira ouvida. Da abertura com “The Song Remains the Same” ao encerramento com “The Ocean”, encontramos uma banda mais trabalhada e preocupada com a excelência instrumental do que nos primeiros álbuns. Aqui, além do blues e do hard rock já presente anteriormente, a banda ainda incorpora a sonoridade funk, em “The Crunge” e reggae, em “D’Yer Mak’er”. Ainda temos espaço para o épico, nas longas “Rain Song” e “No Quarter” - com destacado trabalho nos teclados e sintetizadores de John Paul Jones. Enfim, isso é um puta álbum!
Foto: Divulgação
Led Zeppelin reunido em sua fase Physical Graffiti
Por Lucas Scaliza

Que o Led Zeppelin é considerado uma das maiores bandas de rock que o mundo já viu, é fato. Mas é incrível como eles ainda continuam influenciando gerações e gerações de artistas contemporâneos. Embora se comente muito sobre os quatro primeiros álbuns do grupo, é necessário olhar com mais cuidado para o que veio depois, especialmente para este Physical Graffiti, que completa quarenta anos de rock cósmico, habilidoso e transcendental.

Physical Graffiti pode não ser um trabalho conceitual, mas ele é chamado de “mãe” de todos os discos duplos que vieram em seguida, visto que não era muito comum lançar um álbum de inéditas assim tão longo (e tão caro de se produzir) naquela época. Mas a banda achou que seria um bom formato quando as oito novas músicas compostas ultrapassavam o tempo médio de um LP. Daí, juntaram estas a outras canções gravadas desde 1970 que acabaram não entrando em seus discos anteriores: uma de Led Zeppelin III (1970), três de Led Zeppelin IV (1971) e mais três de Houses of The Holy (1973). Ele pode não ser o trabalho mais repleto de clássicos da banda, porque essa não era a sua proposta. Mesmo assim, tem rock de sobra (“Custard Pie”, “The Rover”, “Houses of the Holy”, “Sick Again”), baladas (“Down By The Seaside”, “Ten Years Gone”), aquele rock clássico e divertido que você adora (“Boogie With Stu”, “Black Country Girl”), funk rock (“Trampled Under Foot”), sem falar nas épicas “Kashmir” e “In The Light” e na folk “Bron-Yr-Aur”.

Para quem não sabe, Robert Plant, Jimmy Page, John Paul Jones e John Bonham voltaram a Headley Grange, no interior da Inglaterra, para gravar este disco - o mesmo local que gravaram o lendário Led Zeppelin IV. Uma casa grande em que podiam morar por um tempo, tocar tudo o que quisessem, gravar com os equipamentos que já estavam por lá e não pagar por esse serviço em um estúdio. Livres para criar, o quarteto estava fazendo um disco ambicioso. 

“Estávamos forçando os limites da música e sabíamos disso. E nesse álbum […] a coisa toda está cheia de personalidade, tipos de afirmações sobre música, e alguns são realmente inovadores. Tem coisas que podem ser sensíveis e carinhosas e tem coisas que são pesadas e vão na sua direção”, disse Jimmy Page, guitarrista, produtor e grande mastermind do disco.

O nome foi dado também pelo guitarrista. Por volta de 1974, o grafite tinha começado a aparecer nos prédios da Inglaterra com citações do poeta e pintor inglês William Blake, de uma forma bem diferente ainda do que viria a ser quando integrado ao hip hop. No estúdio, Page pensou que gravar uma música em fita magnética é como grafitar também. “A música era uma manifestação física” desse processo, uma reação física.

Embora fossem os membros do Black Sabbath que ganharam fama como ocultistas, principalmente por causa da capa, das letras e do trítono de seu primeiro disco Black Sabbath (1970), o verdadeiro ocultista rockstar da época sempre fora Jimmy Page. Como preparação para o lançamento do disco, ele abriu uma livraria esotérica chamada Equinox, em Kensington. O nome é o mesmo da revista fundada pelo famoso ocultista Aleister Crowley em 1905. A loja vendia o tipo de livros que não eram encontrados nas livrarias normais. Em 1974, depois de terminar de gravar e mixar Physical Graffiti, Page mandou cartões de Natal para os amigos com “Cumprimentos Thelêmicos”, o que indicava sua proximidade com a Thelema, a filosofia de Crowley.

O baixista John Paul Jones foi o maior multi-instrumentista do disco, sendo responsável por executar órgãos, pianos, clavinete, mellotron, sintetizador, violão, bandolim e até fazer um arranjo de orquestra. “In The Light”, a faixa mais experimental e uma das melhores do álbum, é resultado do trabalho de Jones com o sintetizador.

Naquela época, o Zeppelin já era uma das maiores bandas do mundo – e o dinheiro trouxe algumas facilidades para o grupo. Para começar, puderam criar o próprio selo de gravação, Swan Song, do qual Physical Graffiti foi o primeiro lançamento, enquanto a distribuição ainda estava com a Atlantic, a gravadora gigante da época. Essa liberdade criativa permitiu que tivessem maior controle sobre o trabalho e facilitou o lançamento de um disco duplo. Quando a turnê pelos EUA começou em janeiro, ainda antes de o disco chegar às prateleiras, o Zeppelin mostrou a maior produção de palco já vista até então, o que incluía luzes laser e projeções do fundo do palco. Por volta da meia-noite do dia 8 de janeiro de 1975, cerca de 2 mil fãs da banda formaram uma fila para ver o novo show do grupo no Boston Gardens, obrigando a organização a começar a vender os ingressos às 2h30 da madrugada ao invés das 6 horas, como planejado.

Álbum que passa no teste do tempo

Tanto qualquer outro álbum do Zeppelin, Physical Graffiti mostra uma banda em forma, criativa e consciente de tudo o que poderia fazer em estúdio e fora dele. O próprio Jimmy Page diz que sabia o que a banda e o lugar escolhido para gravar o álbum, Headley Grange, poderia oferecer em termos de som naquele momento.

Kim Thayil, guitarrista do Soundgarden, cresceu ouvindo o álbum e soube definir bem o que havia sido a banda até ali. Para ele, o primeiro disco era mais blues, o segundo mais hard rock, o terceiro mais folk. Mas ele não acha Physical Graffiti diferente do resto da discografia ou do que eles fizeram até ali. De fato, não há uma quebra no estilo da banda. Eles continuam agregando influências e destilando o melhor hard rock e blues rock que podiam conceber ao mesmo tempo em que se abriam para as possibilidades criativas dos sintetizadores e colocavam arranjos orquestrais por cima de riffs monumentais. Aliás, por falar nisso, veja que até hoje é o riff de “Kashmir” e de várias outras músicas da banda ainda soam interessantes e modernos, nem um pouco datados.

Conforme o tempo passa para uma banda, é comum que os fãs e o público em geral se apegue mais aos primeiros anos de produção, uma mistura de saudosismo dos clássicos com um certo preciosismo. No caso do Led Zeppelin não é diferente, mas agora tudo o que eles produziram já assumiu um caráter clássico para o rock e para a música do século 20. Aliás, se vê muito da influência da banda até hoje, seja no Wolfmother, seja nos novatos dos Royal Blood, ou veteranos do rock como o Warren Haynes e o Gov’t Mule, os suecos do Graveyard ou em tantas outras bandas que estão por aí. Physical Graffiti é a obra em que eles resumem toda a carreira e ainda propõem coisas novas até hoje.
Foto: Daniel Croce

Por Rafael Rodrigues

A alcunha de lenda do rock pode ser dada a poucos seres ainda vivos na atualidade. Robert Plant, no alto dos seus 66 anos, com certeza é uma dessas pessoas. 

Quem foi ao Citibank Hall e esperava ver um show repleto de clássicos do Led Zeppelin, de alguma forma, teve seu desejo satisfeito. Do setlist modesto de 12 músicas, 7 foram da lendária banda britânica. "No Quarter" abriu o viagem musical da noite, que seguiu com "Black Dog" e "Going to California", que talvez tenha sido a mais fiel à original, entre as cinco primeiras da noite. De alguma forma, a Sensational Space Shifters, banda que acompanha Plant, trouxe uma roupagem nova em alguns dos clássicos do Zeppelin, como "Black Dog", por exemplo. Embora o modelo seja o mesmo, o resultado é um pouco diferente do apresentado em sua última visita ao país, em 2012.

Tendo uma plateia formada basicamente por fãs do Led Zeppelin, é muito natural que quem não tenha tanto conhecimento da trajetória solo de Plant esperasse algo mais fiel à sua antiga banda. Mas musicalmente falando, o show trazido ao Rio foi uma experiência e tanto. Com bastantes elementos musicais africanos, uma marca do seu último - e ótimo - álbum, Lullaby and the Ceaseless Roar (2014), a apresentação teve uma atmosfera viajante. Em alguns momentos com a participação do músico de origem africana, Juldeh Camara, as músicas soavam como uma mistura heterogênea entre o hard rock clássico e pitadas de toda musicalidade adquirida por Plant durante sua carreira. 

O fato é que mesmo escolhendo um repertório baseado em sua obra com o Zeppelin, o modelo do show proposto por Plant tem caráter mais intimista - onde foge um pouco à regra, a execução catártica de "Rock And Roll", no fim. Talvez o seu grande desafio de Robert Plant seja manter o público - que tende a ser mais jovem e com a expectativa de ver um "cover" do Led Zeppelin - interessado durante 1h30 de apresentação. Aqui no Rio rolou. Agora vamos aguardar e ver até onde a lenda do rock e seus experimentos musicais podem chegar em um festival repleto de entretenimento e gente menos interessada nos stages, como o Lollapalooza Brasil.

St. Vincent

A vocal/guitarrista Annie Clark é uma artista e tanto. A favor de sua carreira tem nada mais, nada menos, o fato de ter cantado e tocado na única reunião do Nirvana após a morte de Kurt Cobain. Isso, por si só, já seria motivo para despertar a curiosidade de assistir a moça. Mas quem chegou mais cedo para o show de Plant foi preparado à altura para a viagem que estava por vir. o St. Vincent tem uma atmosfera oitentista, com sons eletrônicos, com pitadas, inclusive, de Depeche Mode. Guitarrista virtuosa, Annie mescla muito bem o passado e o futuro da música. Com solos fortes e marcantes, e coreografias (sim, coreografias), a banda conseguiu arrancar aplausos dos ansiosos fãs de Plant. Destaque para a bonita e bem executada "Cheerleader", que soa melhor na versão ao vivo do que de estúdio. Num show de pouco mais de meia hora, a banda não decepcionou, e parece ser uma atração mais  compatível com o Lollapalooza do que o próprio Robert Plant. 
Foto: Bruno Eduardo
Plant apresenta um cardápio musical exótico com a The Sensational Space Shifters

Por Bruno Eduardo

Esqueçam os riffs de Jimmy Page! Esqueçam os tambores de Bonham! Será que é possível? Sim, é.

Quem acompanha o vasto catálogo de Robert Plant, sabe que o cantor é um amante da musicalidade. A forma intimista que ele trata sua carreira solo, evidencia uma tentativa incansável de não soar datado. Nesta nova visita ao país, Plant recriou clássicos do Led Zeppelin, e trouxe várias influências vividas em seus mais de 40 anos de música (blues, folk, country, eletrônico). Na companhia do The Sensational Space Shifters (um baita time de músicos), o show é uma boa pedida para “roqueiros cansados” e dispostos à novas empreitadas. Já na execução de"Fixing to Die", do lendário Bukka White, o público pôde comprovar que a voz ainda continua lá, firme e forte. O repertório do show foi baseado em clássicos do blues anos 50/60/70, e em algumas versões remodeladas do Led Zeppelin.

Aos fãs do Zeppelin, nada de de covers fidelíssimas; Plant decidiu prestar tributo à sua maneira (foram sete canções da banda). "Black Dog", e principalmente "Whole Lotta Love" foram descaracterizadas quase que por completas - ao ponto de pessoas pedirem por elas no fim do show, sem imaginar que já haviam sido tocadas. Já "Ramble On", foi a primeira a levantar o público de verdade. Mas as "surpresas" da noite ficaram mesmo para o bis: "Going To California" - com direito à banquinho e violão -, "Gallows Pole", e uma aguardadíssima "Rock And Roll" - com tempero oriental. 

Diferentemente dos shows anteriores da turnê, o músico - que se apresenta ainda em Belo Horizonte (20), São Paulo (22 e 23), Brasília (25), Curitiba (27) e Porto Alegre (29) - apostou em uma apresentação de quase duas horas, e manteve repertório imerso em arranjos e mais referências (em número de músicas) dedicadas ao ex-grupo. Nessa mistura de variáveis sonoras, ainda houve espaço para homenagens a alguns ícones do blues, em "44 blues" e "Spoonfull", inspiradas nas versões de Howlin' Wolf; e "I'm your witchdoctor", - do inglês John Mayall. O impressionante, é que esse passeio à margem de alguns estilos (ele não entra por completo), acaba resultando em uma excelente mutação de culturas e estilos, que vão desde cantorias africanas aos solos de guitarra em soul.

O caldeirão de influências que fora transformado o palco do HSBC Arena, evidenciou também uma rica cartilha musical - abrindo precedentes para improvisos de banjo e inversões de guitarras e bandolim à esmo. Essa total mistura de ritmos, no entanto, dificulta um pouco saber qual realmente é o público de Plant nos dias de hoje. Da mesma forma que é complicado dizer onde o cantor se encontra agora, artisticamente falando. O Led Zeppelin, ainda continua sendo a maior atração de seu show introspectivo, e, por isso mesmo é de ressaltar a coragem dele em se aventurar contrário à frente de multidões. Entre o passado e o presente, entre o hard rock e a música universal (que ele propõe), Plant se encontra num peculiar estado intermediário - incapaz de esquecer, não querendo ressuscitar, e não-relutante para se dedicar a um gênero novo. Quem entendeu, dançou (no bom sentido)!