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De acordo com o vocalista Chino Moreno, o novo disco do Deftones já está em fase de mixagem e será lançado no mês de novembro. "A previsão é que seja lançado no dia 20 de novembro, mas ainda estamos definindo", afirmou Moreno. O grupo vem trabalhando no disco desde o início do ano, e tem mais músicas que o planejado. Chino disse que esse será o disco mais longo da banda, e que eles possuem dezesseis faixas prontas. Uma novidade será a participação do guitarrista do Alice in Chains, Jerry Cantrell. "Eu não sei se ele queria que alguém soubesse disso, mas há sim uma faixa em que ele participa. É como se você estivesse ouvindo uma música do Deftones, mas com momentos de Alice in Chains. Confesso que quando ouvi a faixa, uma lágrima saiu dos meus olhos", derrete-se o vocalista. O oitavo disco da carreira conta com a produção de Matt Hyde (Slayer, Monster Magnet) e será o sucessor do ótimo Koi No Yokan, lançado em 2012. 

O Deftones se apresenta no Rock in Rio, dia 24 de Setembro, como atração principal do Palco Sunset. No dia seguinte, eles tocam em São Paulo com o System Of A Down, na Arenha Anhebi.

Foto: Alice in Chains / Facelift
Alice in Chains lançou 'Facelift' antes do estouro do grunge
Por Bruno Eduardo

Quando o grunge ainda embrionava em Seattle, uma banda fazia tudo soar bem pesado. Muito pesado por sinal.


O Alice in Chains é o exemplo da banda certa no lugar errado. Seja como for, eles tiveram a sorte (ou azar) de estar em Seatlle quando a cena "aconteceu" no mainstream. E acabaram - lógico - sendo taxados como "mais uma banda de grunge". Algo meio injusto, já que o tal estouro ocorreu em 1991, e esse disco em questão já tinha sido lançado um ano antes. Talvez Dirt, disco seguinte da banda, esteja mais próximo ao movimento, mas isso só ocorreu em 1992, um pouco depois da MTV se apropriar do grunge, e derramar sobre suas cabeças o status de novos rock stars. Além das influências oriundas do heavy metal e do hard rock, o Alice in Chains possuía um som muito particular. Na verdade, todas as bandas do tal movimento tinham suas próprias características - untadas apenas pela necessidade local de se expandir ao mundo. Quando ouvimos bandas como Mother Love Bone, por exemplo, notamos que a excentricidade artística da cena era o único mote do tal "grunge".


Ouvindo Facelift - primeiro disco da banda - hoje, vinte cinco anos após o seu lançamento, fica claro que as influências do metal e do hard rock são muito mais acentuadas do que enxergamos em "Bleach", do Nirvana, ou em qualquer álbum lançado pelos filhotes de Seattle, por exemplo. Logo, era difícil para qualquer ouvinte desavisado classificar o Alice in Chains como sendo da mesma turma dos casacos de flanela. Mesmo porque, os caras não ficavam restritos ao movimento territorial. Eles saíam em turnês com Megadeth, Van Halen, Slayer e Anthrax - bandas clássicas de trash metal e do hard - algo impensável para qualquer expoente do grunge em 1990. Entretanto, logo após a estréia do clipe de "Man In The Box" na MTV, e a gravação de "SAP" - um EP com quase todas as faixas acústicas e que contém participações de Chris Cornell (Soundgarden) e Mark Arm (Mudhoney) - a banda se enquadrou, historicamente, no movimento que marcou a música no início daquela década.


O ponto é que, mesmo com esse enquadramento, ao ouvir Facelift temos a impressão inegável de que sim, talvez exista alguma coisa grunge ali, mas, definitivamente, os rumos musicais do Alice in Chains são outros. Logo na primeira faixa do disco ("We Die Young") podemos ver Tony Iommi por trás do riff caprichado de Jerry Cantrell, além dos vocais marcantes de Layne Staley, características essas que permeiam todo o trabalho do grupo. Na seqüência está a já citada "Man in the Box", com seu riff mais do que conhecido por quem ouvia rock pelos idos anos noventa, e talvez a música mais inclassificável da época: não é pesada o suficiente para ser considerada heavy metal, em contrapartida, pesada demais para colocá-la ao lado de outras canções emblemáticas do grunge. Talvez o ponto marcante desse Alice in Chains (90) era essa dificuldade de posicionar o grupo no mercado. No entanto, o fato mais simples é que eles eram uma banda de rock pesado - e das boas.


Outra característica forte de Facelift são as baladas, que no mínimo, fazem com que arrepios subam coluna acima. Entre essas estão, "Bleed to Freak", "I Can't Remember", "Confusion" e "Love, hate, love", onde arranjos lentos e pesados fazem a cama para letras bem reflexíveis - de visão atordoada, bem ao estilo de Staley. Isso sem mencionar os vocais, que dão às músicas o complemento exato para a criação dessa atmosfera sombria.


Ainda há faixas improváveis como "I Know Somethin (Bout you)", que não seria exagero dizer que é possível encontrar alguma coisa de Red Hot Chilli Peppers (?!?) por ali, ou "Put You Down", que foge um pouco ao estilo visto nas primeiras faixas do disco.


Ou seja, de uma maneira geral, Facelift é o disco menos grunge de uma banda totalmente grunge. O heavy metal nunca foi tão grunge, e o grunge nunca foi tão heavy metal, como nesse disco lançado em 1990.
Foto: Bruno Eduardo
Com repertório irretocável, Alice in Chains supera última passagem no país


Por Bruno Eduardo

Foi um dos melhores sons do festival, certamente. Com maturidade e inteligência, a banda liderada pelo guitarrista Jerry Cantrell, passou à vontade pelo Palco Mundo, sem se intimidar por ter o imenso público do Metallica à sua frente. Duas músicas do consagrado Dirt (lançado em 1992) foram escolhidas para iniciar a ótima apresentação do Alice in Chains – a pancada “Them Bones”, e “Dam That River”. Embora o grupo esteja divulgando o seu mais recente disco, The Devil Put Dinosaurs Here, o que se viu foi um repertório recheado de clássicos, e com o bônus da boa performance de William DuVall – que parece mais integrado ao grupo do que na última passagem pelo Brasil. Mesmo que incomparável, o vocalista não desanda a voz em rugidos imortalizados por Layne Staley - o refrão de “Man in The Box”, por exemplo. 
 
Embora ainda esteja na memória dos fãs, Layne é lembrado por Jerry Cantrell: “Essa música é para um irmão, que esteve aqui conosco em nossa última visita ao Rio”. E executam “Nutshell” – que ficou consagrada no EP semi-acústico lançado em 1994, "Jar of Flies". A voz de DuVall volta a brilhar em “Rain When I Die”, e o grupo repassa uma versão mais pesada de “We Die Young”. 


A parte final do show foi reservada à sequência grunge de hits marcantes: “Down in A Hole”, “Would?” e “Rooster”. Com essa nova formação, que já completa quatro anos, o Alice in Chains passa pelo palco do Rock in Rio com uma firmeza não vista na maioria das bandas do cast.

[Matéria publicada originalmente por Bruno Eduardo no Portal Rock Press]